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CASO CACHOEIRA

Demóstenes perde o mandato

Demóstenes foi expulso do cargo após 56 senadores votarem a favor da cassação

Demóstenes perde o mandato
Demóstenes diz que está sendo feito de bode expiatório (Reprodução/ABr)

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Senadores decidiram nesta quarta-feira, 11, que o então senador sem partido Demóstenes Torres violou o decoro parlamentar nas suas relações com o contraventor Carlinhos Cachoeira. A votação que culminou na cassação de Demóstenes foi secreta, e os resultados foram divulgados em um painel eletrônico, sem os nomes dos autores.

Com o anúncio do resultado da votação: 19 votos contra, cinco abstenções  e 56 votos a favor, Demóstenes se retirou do Senado na companhia de seu advogado. Por determinação do Supremo, os senadores foram proibidos de divulgar o seu voto em plenário, podendo fazê-lo  em alto e bom tom apenas do lado de fora da Casa.

Pela ordem, falaram antes da votação os relatores do conselho, Humberto Costa (PT-PE), e da CCJ, Pedro Taques (PDT-MT). Em seguida, pediram a palavra os senadores Mário Couto (PSDB-AP) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), autor do requerimento do processo contra Demóstenes. O advogado de defesa também teve seus 30 minutos ao microfone para defender seu cliente, e foi seguido por Demóstenes, que fez seu oitavo e derradeiro discurso visando salvar o mandato.

Em um dos momentos mais dramáticos de um discurso emocional, Demóstenes comparou o seu julgamento ao de Jesus Cristo, quando o povo escolheu perdoar Barrabás.

“Diga-me com quem andas e direi quem és. Bobagem! Cristo andava com Judas. Se Carlinhos Cachoeira cometeu crimes, cana nele!”, vociferou. “Por que a minha cabeça tem que rolar?”.

Expulso do Senado, Demóstenes poderá voltar ao cargo de procurador de Justiça de Goiás, mas está na iminência de ser investigado pelos colegas do Ministério Público também.

Palavras de consolo

O empresário Luiz Estevão, único senador brasileiro que tinha sido cassado até hoje por suspeita de corrupção, disse que Demóstenes não deve temer pelo fim de sua vida após a expulsão do Senado. “Nada é pior do que morrer. A cassação não acabou com minha vida e não vai acabar com a dele”, afirmou.

Apesar de confortar Demóstenes, Estevão discordou dele ao opinar que a mentira em plenário é um bom motivo para a cassação. “É um caso flagrante de quebra de decoro. O senador tem liberdade, mas isso não o autoriza a mentir”, declarou à Folha.

Em 2000, Estevão teve seu mandato cassado justamente porque os senadores consideraram que ele mentiu em meio ao escândalo do superfaturamento do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo. O empresário nega até hoje.

 

 

 

Fontes:
Estadão - Senado vota cassação de Demóstenes

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1 Opinião

  1. Patricio disse:

    O STJ tem que mudar esses leis do Brasil

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