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Coluna Esplanada

Denúncia atrapalha projeto eleitoral de Cunha

Presidente da Câmara entrava no recesso parlamentar tranquilo até a delação do lobista Júlio Camargo o levar para o olho do furacão

Denúncia atrapalha projeto eleitoral de Cunha
Eduardo Cunha anunciou rompimento com o governo nesta sexta (Fonte: Reprodução/Agência Brasil)

Eduardo Cunha entrava no recesso parlamentar tranquilo até a delação do lobista Júlio Camargo o levar para o olho do furacão. O presidente da Câmara está irritado principalmente porque a delação — seja verdade ou por interesse –x mela os acordos que pretende com o PMDB do Rio, onde fica nos próximos dias. O desenho da patota que manda no partido é iminente porque seu esboço passa pelas eleições municipais: lançar o líder Leonardo Picciani a prefeito (ou vice na chapa de Pedro Paulo); Jorge Picciani ao Governo do estado; Eduardo Paes à Presidência; e Cunha na coalizão para o Senado.

Em rede nacional

Até quarta-feira, Cunha seguia em lua-de-mel com a população, com pauta intensa e de interesses públicos há muito não vista — como lembrado no pronunciamento na TV.

Começou a guerra

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, assinou no início da noite de ontem ofício dando aval para abertura do processo de impeachment da presidente. Cunha rubricou o ofício nº 1569 em resposta ao deputado Jair Bolsonaro, dando aval para que prossiga na coleta de provas a fim de instalar, em dez dias, na CCJ da Câmara, um eventual processo de impedimento. Cunha e Bolsonaro, ambos do Rio, conversaram sobre isso hoje. O deputado militar é aliado de primeira hora do presidente.

Mandados na mesa

Investigadores da Lava Jato creem que é questão de semanas o pedido de prisão de um jovem advogado de Brasília. E do ex-deputado João Pizzolatti (PP), que está no exterior

Preparem os HCs

Estão em andamento operações que vão cercar a turma das bancas na capital por tráfico de influência. Em especial filhos e esposas de graduados togados de cortes superiores.

O Estrategista…

Ao romper com o Governo, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, conseguiu o que queria: inverter os holofotes. Desde seu anúncio, só se fala nas ruas, nos sites, nos gabinetes e rodinhas de empresários de sua briga com Dilma. Muito pouco sobre o delator e a acusação de propina de US$ 5 milhões.

… e o Bolinha

Cunha lembra o caso de Anthony Garotinho em 2006. Pré-candidato ao Planalto, entrou em greve de fome assim que estourou na mídia investigação do MP sobre repasses de R$ 300 milhões do Governo de Rosinha, sua esposa, para uma ONG suspeita. Por mais de um mês, mais se falava — inclusive na mídia — da saúde do ‘Bolinha’. A ONG sumiu.

Ex-amigos

Cunha e Garotinho já foram muito aliados. Mas romperam anos atrás. Clarissa Matheus, deputada federal e filha de Garotinho, é ‘a presença do pai’ contra Cunha no plenário. Em tempo, Clarissa está de saída do PR para o PSDB no Rio.

Caiu em desgraça

Ex-todo poderoso do BB, queridinho de Lula, Aldemir Bendine, presidente da Petrobras, caiu na piada no PT por vender ativos da petroleira. Agora é Aldemir ‘Vendine’.

Caiu em desgraça 2

Calado, mais discreto e isolado no plenário, o senador e presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), alvo da Lava Jato, tem demonstrado abatimento no dia-a-dia na Casa.

Careca & Naná

O agente federal preso na Lava Jato, Careca, fez barulho ao apontar propina para o então governador de MG, Anastasia (PSDB). Não mais se falou nisso na investigação. Ninguém citou de novo o caso Anastasia. Careca agora é pivô do caso Cunha.

Passando recibo

A Associação dos Servidores da Anac fez um check-in gratuito para a Coluna. Soltou nota para os funcionários da Agência reclamando que não foi ouvida sobre a rebelião contra a indicação do genro do senador Eunício para diretor. Não foi ouvida simplesmente pelo fato de não ter sido citada. Em nenhuma linha ou letra.

Rasante

A Coluna reafirma que existe, sim, rebelião velada — e não apenas das hostes, como da direção — contra a indicação do ex-estagiário para diretor. A nota da Associação dá um rasante na situação, ao citar que defende ‘autonomia administrativa’, e ‘independente do empenho de grupos de pressão, separando interesses legítimos dos financeiros’.

Lei Cala-boca

O senador Requião (PMDB-PR), que não gosta de repórter — já se apossou à força de gravador de um radialista — esboça com um compadre na Câmara projeto de lei sobre direito de resposta na imprensa. Com ou sem a famigerada regulamentação da mídia.

Censura prévia

Não se trata de direito de ser ouvido. É pretexto para retaliação de políticos que se sentirem prejudicados com reportagens, por mais que estejam enrolados.

Alô, MP!

Pergunta pertinente: cadê o ex-governador do DF Agnelo Queiroz? O petista quebrou o GDF, deixou rombo de R$ 5 bi, morou quatro meses em Miami, voltou e sumiu.

Ponto Final

‘Tem um bando de aloprados no Palácio que vive, efetivamente, desse tipo de circunstância, de criar constrangimentos’.
Eduardo Cunha, chutando o pau (já quebrado) da barraca.

Com Equipe DF, SP e Nordeste

1 Opinião

  1. Vitafer disse:

    É tudo uma pândega.

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