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POLARIZAÇÃO

Denúncias de golpe ecoam pela América Latina

Instabilidade política abala governos de direita e de esquerda na região

Denúncias de golpe ecoam pela América Latina
Venezuela se divide entre chavistas e aqueles que denunciam uma ditadura (Reprodução: Carlos Garcia Rawlings/Reuters)

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Depois da “onda vermelha” e da “onda conservadora”, a América Latina se vê hoje mergulhada em uma onda de polarização e instabilidade política, com manifestantes entoando gritos de “golpe!” contra governistas à direita e à esquerda do espectro político.

Brasil e Argentina deram contestadas guinadas à direita com os governos de Michel Temer e de Mauricio Macri, ambos com baixas taxas de aprovação. No Equador, eleições presidenciais realizadas no último domingo consagraram a vitória do candidato de esquerda apoiado pelo governo, Lenín Moreno, mas por apenas dois pontos percentuais. Seu rival nas urnas, o opositor e empresário Guillermo Lasso, contestou o resultado e pediu uma recontagem dos votos.

No Paraguai, um governo de direita liderado pelo conservador Partido Colorado formou uma aliança com o partido de esquerda Frente Guasú para aprovar, no Senado, uma mudança à Constituição, permitindo a reeleição presidencial. A votação que aconteceu no gabinete do Frente Guasú sem a presença de 20 dos 45 senadores desencadeou grandes manifestações e denúncias de golpe parlamentar nas ruas no último sábado, 1º.  A emenda que permite a reeleição beneficiaria tanto o atual presidente de direita, Horacio Cartes, como o ex-presidente de esquerda Fernando Lugo, que sofreu impeachment, em parte, por tentar aprovar uma lei semelhante durante o seu mandato.

No sábado, 1º, depois de duras críticas internacionais acusando o governo venezuelano de orquestrar um golpe com o apoio do Judiciário, o Supremo Tribunal do país voltou atrás e devolveu poderes parlamentares à Assembleia Nacional. Na noite anterior os juízes haviam anulado a imunidade parlamentar dos membros do legislativo, de maioria opositora, e anunciado que passariam a criar leis. A manobra levantou um alerta na região e ministros de países fundadores do Mercosul ameaçaram aplicar a Cláusula Democrática para expulsar a Venezuela do bloco.

Já no Brasil, começa nesta terça-feira, 4, o processo que pode cassar o mandato do atual presidente Michel Temer, acusado pela esquerda de ter orquestrado um golpe contra o governo da ex-presidente Dilma Roussef. Na semana passada, uma pesquisa de opinião mostrou que o presidente registra apenas 10% de aprovação, equivalente à porcentagem da ex-presidente Dilma semanas antes do impeachment. Na Argentina, neste domingo, 2, centenas de manifestantes fiéis ao governo saíram às ruas em várias cidades. Foi a primeira grande mobilização a favor do atual presidente, que teve um primeiro ano de mandato difícil.

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