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O petróleo é deles

Depois de pôr em risco a Petrobras, PT é forçado a rever sua política industrial, diz ‘Economist’

Revista culpa a política industrial do PT pela crise na estatal

Depois de pôr em risco a Petrobras, PT é forçado a rever sua política industrial, diz ‘Economist’
Política industrial petista incentivou a corrupção na estatal, diz 'Economist' (Reprodução/LoCole/Economist)

“’O petróleo é nosso’ (e não dos estrangeiros) é a ideia por trás do slogan com o qual a Petrobras foi fundada em 1953. É o mesmo sentimento por trás da política petrolífera do Partido dos Trabalhadores (PT), que governa o Brasil desde 2003. Mas, enquanto os brasileiros contemplam o enorme escândalo de corrupção que envolve a Petrobras, eles devem estar se perguntando a quem exatamente esse ‘nosso’ se refere.”

A revista Economist traz uma excelente reportagem nesta quinta-feira, 12, sobre a desastrosa política industrial do Brasil sob o governo do PT. A matéria começa com o parágrafo acima, com a ideia de que o protecionismo inerente nas políticas dos governos petistas só tem favorecido aos próprios membros do partido, em detrimento dos brasileiros.

A matéria lembra que, na década de 1990, o PT não apoiou uma reforma bem sucedida da Petrobras para quebrar seu monopólio de produção e distribuição, medida que submeteu a estatal à disciplina do mercado, à plena concorrência e a uma governança corporativa distanciada do governo. No entanto, quando a empresa e seus novos parceiros estrangeiros fizeram enormes descobertas de petróleo no fundo do mar em 2007, o então presidente Lula viu a chance de restaurar parcialmente o monopólio da Petrobras, diz a revista. Novas leis de petróleo elaboradas por Dilma, sua então chefe da Casa Civil e agora sucessora, deram à empresa os direitos exclusivos de exploração e uma participação mínima de 30% nos novos campos do pré-sal.

“Lula e Dilma veem o petróleo como a ponta de lança de uma política industrial que envolve fomentar setores favorecidos e presumidos ‘campeões nacionais’”, diz a revista, destacando a ordem dada por Lula à estatal para construir quatro novas refinarias, sendo três no pobre Nordeste, além da nova lei que exige que 85% dos equipamentos e suprimentos da indústria do petróleo sejam produzidos nacionalmente. “Grande parte desta visão agora está em frangalhos”.

“A política industrial expansiva do PT foi ruinosamente cara para o Brasil. A blindagem da Petrobras da competição, no momento em que a empresa embarcava no maior programa de investimento empresarial do mundo, provou ser um convite aberto para a corrupção”.

Além disso, a exigência alta de conteúdo nacional e o aparelhamento político da estatal privaram seus estaleiros das economias de escala. Para a Economist, não há dúvida: o PT colocou a Petrobras em sério risco, pelo menos até a empresa conseguir calcular os prejuízos derivados da corrupção. Agora, a política industrial do PT está em plena retirada, diz a revista.

“Em seu discurso de posse do segundo mandato, Dilma se comprometeu a defender a Petrobras dos ‘inimigos no exterior’ e insistiu que suas políticas ‘asseguravam à nossa gente o controle sobre a nossa riqueza do petróleo’. Os brasileiros comuns agora sabem exatamente quem ‘nossa gente’ é — e não são eles. Quem extrai o petróleo importa muito menos do que o que é feito com o recurso”, conclui a Economist.

Fontes:
The Economist - Whose oil in Brasil?

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