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GRITA BRASIL

Desigualdade nada fugaz!

A desigualdade aqui no Brasil é algo assustadoramente assustadora

Desigualdade nada fugaz!
A coluna Grita Brasil é publicada às quintas

Sabe-se que a desigualdade aqui no Brasil é algo assustadoramente assustadora. E sem dramas. Poucos com muito, muitos com pouco e outros muitos com quase nada.

Só que essa desigualdade só aumenta o abismo entre as pessoas e acredito que agora a coisa esteja mais latente, mais escancarada. Talvez mais fácil de ver. Ou sempre foi e muitos de nós nunca nos demos conta. Ou sempre tivemos essa percepção, e “só eu” que não de forma tão profunda.

Até bem pouco tempo atrás a Rede Globo, a toda poderosa, começou um movimento de querer sentar e negociar salários com suas estrelas. Seja no jornalismo, seja na área de entretenimento, seja no núcleo de novelas. O encanto acabou. A fonte começou a secar. E aí salários começaram a ser revelados. E aí quando você se depara com, por exemplo, uma Ana Maria Braga ganhando R$ 1,6 milhão por mês, uma Fátima Bernardes com seus R$ 2 milhões, Fausto Silva chegando a R$ 4 milhões, Galvão “Chato” Bueno com R$ 1 milhão, um Bonner perto dos R$ 800 mil, você se assusta e até precisa de certo tempo para absorver e tentar entender o abismo de salários. E aí vem o questionamento: “Por que?”. Eles ganham muito? Você ganha pouco? As duas opções estão corretas? E isso não é uma afirmação de que eles não merecem. Eles têm o talento deles, mas nós temos os nossos, e nem por isso nos pagam tanto.

Aí você encontra um estudo que mostra que a fatia dos 10% mais ricos volta a superar metade de toda a renda do país. Que a fatia dos 50% mais pobres na renda total recuou de 5,7% para 3,5% entre 2014 e 2019.

E como melhorar isso? Sinceramente não faço a mínima ideia. E nem sei se algum dia esse abismo ficará menor. 

O desemprego só aumenta e a quantidade de empregos informais também. São pessoas nos sinais de trânsito vendendo balas; são cada vez mais pessoas indo para o “ramo” dos aplicativos de mobilidade; pessoas nas praias vendendo de tudo e mais alguma coisa. A criatividade do brasileiro é dessa forma testada a cada momento, e é o que faz essa fatia de pessoas sobreviver.

Vamos levando como podemos, aperta daqui, corta-se dali e vamos sobrevivendo como a maioria.

Ontem, por exemplo, fui levar uma passageira num condomínio no bairro da Barra da Tijuca, aqui no Rio de Janeiro, quando entrei era uma casa maior que a outra. Mansões e carros parados na porta. Olhei ao redor e pensei: “Como isso é possível?”. “Como chegamos a esse abismo abissal?”.

Não podemos usar o fator sorte como única justificativa. Ela (sorte) ajuda um pouco a tentar decifrar essa equação, mas isso não é tudo.

A grande questão é quando e como o país chamado Brasil irá conseguir ser mais justo. Eu tenho minhas previsões, mas não vou revelar para não carimbarem (de novo) um “pessimista” na minha pele. Mas aceito previsões de terceiros. “Cartas para a redação”.

Enquanto isso vamos sobrevivendo do jeito que nos é possível.

Salve as baleias. Não jogue lixo no chão. 

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3 Opiniões

  1. Vânia A. M. Koerich disse:

    O pior é que as pessoas que estão entre as mais ricas, nem percebem os 90% que estão sobrevivendo com muito pouco e com os que nada tem para viver dignamente. Parece que as pessoas estão vivendo em bolhas, cada uma se relacionando com outras da mesma classe social, cada uma se importando apenas com sua área de atuação profissional (educação, saúde,empresários,comerciantes, políticos), sem se importar com o resto do mundo. Se tem para continuar com o mesmo estilo de vida, o resto não importa. Na verdade a sociedade é formada por todos e muitas das consequências deste abismo entre as pessoas( roubo, homicídios, envolvimento com drogas…)atingem de alguma maneira todos.

  2. Rene Luiz Hirschmann disse:

    Não existe democracia no Brasil, infelizmente a falta de organizações com responsabilidade e credibilidade é a causa do nosso fracasso, eleições servem para dar uma mascara de legalidade nessa máquina cruel, só com a queda da bastilha muda nossas vidas.

  3. carlos alberto martins disse:

    a desigualdade está entre Brasilia e o povo.

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