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Amazônia

Dez anos do caso Dorothy: apenas 5% dos assassinatos na Amazônia são julgados

De 1985 a 2013, a Justiça recebeu 768 inquéritos de mortes em conflitos agrários

Dez anos do caso Dorothy: apenas 5% dos assassinatos na Amazônia são julgados
Todos os envolvidos no assassinato da missionária Dorothy Stang foram condenados, mas não estão presos (Reprodução/Arquivo Veja)

O Pará continua sendo palco de violência pela posse de terra, mesmo depois de dez anos do assassinato da missionária americana Dorothy Stang. De acordo com dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e do Greenpeace, a violência e o desmatamento estão relacionados. No entanto, a impunidade persiste. A Justiça recebeu, de 1985 a 2013, 768 inquéritos de assassinatos em conflitos agrários na Amazônia Legal. Desse número, apenas 5% foi julgado e apenas 19 mandantes receberam algum tipo de punição.

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Uma história de desmatamento e assassinatos

De acordo com dados coletados pelo Greenpeace, de 2007 a 2012, cerca de 80% de toda a área com exploração madeireira no Pará não contou com nenhuma autorização, mas com o corte ilegal das árvores. Para piorar a situação, parte da madeira considerada legal também não é, pois acaba sendo cortada com base em documentos frios. Nos últimos dez anos, o Pará foi o estado que mais desmatou a Amazônia, derrubando 39.666 quilômetros quadrados de floresta. Durante este período, foi registrado, no Pará, o maior índice de assassinatos entre as unidades da federação, com 116 casos.

“O que vemos acontecer ano após ano é que as pessoas entram na lista de ameaçados de morte e só saem dela para entrar em outra lista, a de assassinados”, diz Danicley Saraiva, da campanha Amazônia do Greenpeace

“O Pará se mantém no centro dos conflitos, assassinatos, ameaças, expulsões e atuação de pistoleiros. Um dos grandes problemas é a impunidade e ela é um incentivo à continuidade. A Justiça não consegue dar resposta aos crimes graves e existe aqui uma indústria de pistolagem, onde pessoas oferecem serviços e outras encomendam mortes. Aqui se mata por um salário mínimo, dependendo da importância da vítima na sociedade. Não há tabela, mas há crimes de R$ 50 mil”, diz o advogado José Batista, da Comissão Pastoral da Terra em Marabá.

Caso Dorothy

A missionária americana foi morta em 12 de fevereiro de 2005. Todos os envolvidos em sua morte foram condenados, mas não estão na prisão. Os dois fazendeiros, que foram os mandantes do crime, pagaram R$ 50 mil pela morte de Dorothy, que defendia o uso sustentável da floresta.

 

Fontes:
O Globo-Dez anos da morte de Dorothy Stang: só 5% dos casos de assassinato na Amazônia são julgados

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