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Crise econômica

Dez coisas que você precisa saber

Este governo tem um déficit enorme de credibilidade e o PT se recusa a defender o ajuste fiscal

Dez coisas que você precisa saber
Este governo tem um déficit enorme de credibilidade e o PT se recusa a defender o ajuste fiscal (Foto: Pixabay)

1) Estamos ainda longe de um ajuste fiscal que nos leve a um superávit primário de 1% ou 2% do PIB. Mas já estamos muito próximo de perder grau de investimento (ou até já perdemos).

2) Não há ainda consenso político algum para ajuste fiscal. Em teoria, todos são a favor. Na prática, não há consenso algum do que fazer nem mesmo de como fazer.

3) Um bom ministro da Fazenda dever ser, por princípio, odiado. Um bom articulador político deve ser amado e desfazer parte do trabalho do ministro da Fazenda. O fato de Joaquim Levy ser recentemente tão criticado é um bom sinal que ele está fazendo o trabalho que se espera dele.

4) Sem Joaquim Levy, o Brasil já teria perdido o grau de investimento. Este governo tem um déficit enorme de credibilidade e o PT se recusa a defender o ajuste fiscal. Não há substituto na Fazenda para Joaquim Levy.

5) Muita gente ainda não tem a dimensão real da crise. Em uma crise como essa é claro que há oportunidades para compra de ativos. Mas para os trabalhadores o cenário é o pior possível – aumento do desemprego e queda de renda real. Ajuste recessivo clássico para desespero do ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, que acreditava que o governo Lula e Dilma haviam encontrado um novo modelo de crescimento para o Brasil.

6) Reformas estruturais com governo politicamente fraco não combina. Quem não acredita na agenda Brasil não são os economistas, mas os cientistas políticos.

7) Alguns empresários (não todos) cospem hoje no prato que comeram. Governo Dilma atendeu a demandas por crédito subsidiado e programas especiais de incentivos. A reversão dessas políticas será confusa e ambígua.

8) Quando o governo está fraco é o melhor momento para carreiras de funcionários públicos pedirem aumentos salariais para “salvar o Brasil”. Todas as demandas são “justas”, mas não cabe em orçamento que já é deficitário.

9) Com Joaquim Levy na Fazenda, acredito que a tentativa de emplacar a agenda de reformas estruturais de longo prazo é real. Um esforço legítimo de modificar a dinâmica do crescimento da despesa no longo prazo. Sem Joaquim Levy na Fazenda, desconfio que a agenda de longo prazo se transforme em uma “licença” para gastos maiores no curto prazo.

10) O esforço fiscal que o Brasil tem que fazer até 2018 é de R$ 200 bilhões. Nunca conseguimos fazer um ajuste desta magnitude em quatro anos, depois da Constituição de 1988, sem recorrer a aumentos da carga tributária. Não espero que agora seja diferente. No entanto, mais carga tributária sem reformas estruturais não resolverá o problema fiscal.

*Masueto Almeida é economista do Ipea e titular do Blog do Mansueto

Fontes:
Blog do Mansueto Almeida-Dez coisas que você precisa saber

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