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Dilma corta ministérios e evita a africanização de Brasília

O loteamento político inchou os ministérios e aumentou também o seu número: um verdadeiro recorde de fisiologismo político - somente superado pelo Gabão, na África, com 40 ministros

Soa o alarme no Planalto. A redução do número de ministérios do governo Dilma pode conter os gastos, mas – não se iluda, presidente — não trará de volta a popularidade perdida. Pastas criadas com objetivos meramente políticos – como moeda de troca de cargos por votos no Congresso — estão com os dias contados e seus ocupantes, com a corda no pescoço. Assim será com as pastas dos Assuntos Estratégicos e da Pesca, por exemplo.

Dilma Rousseff quase se tornou recordista mundial ao tentar dar certa governabilidade à sua gestão: foram 39 pastas, com os respectivos ministros, vices, técnicos, assessores, assistentes, protegidos, aspones e baba-ovos. O loteamento político inchou os ministérios e aumentou também o seu número: um verdadeiro recorde de fisiologismo político — somente superado pelo Gabão, na África, com 40 ministros.

Se voltarmos na História do Brasil, veremos que no período democrático de Getulio Vargas, ele contava com onze ministros. Tinham dupla função os ministérios da Educação e da Saúde Pública, da Justiça e Negócios Interiores, o de Viação e Obras Públicas e, finalmente, do Trabalho, Indústria e Comércio – em dose tripla.

Mesmo no mais tenebroso dos governos militares surgidos depois do golpe de 1º de abril de 1964 (que a História consagrou como 31 de março para não coincidir com o dia dos tolos), o general Emílio Garrastazu Médici mantinha 17 ministros – entre alguns generais e coronéis – mas muitos especialistas nas pastas que ocupavam.

Quando Juscelino Kubitschek pediu a Lúcio Costa que desenhasse a Esplanada dos Ministérios, o urbanista brasileiro – embora nascido na França – desenhou doze prédios. Era com esse número de ministros que o presidente – com sua mineirice — pretendia controlar Brasília e o país.

Hoje, a Esplanada dos Ministérios lembra um conjunto habitacional: são 17 blocos com seus respectivos puxadinhos. É a favelização de um projeto urbanístico que pretendeu tornar Brasília uma cidade moderna e a deixou parecida com Libreville, a capital do Gabão.

Dilma não correu o risco de citar cada um dos seus ministros quando provocada, outro dia, no programa do Jô. Não que ela pudesse esquecer alguém. Mas é que cada segundo na televisão custa caro e não se perde tempo citando o nome de gente sem relevância.

2 Opiniões

  1. Ludwig Von Drake disse:

    Insinuar que aprendemos maus hábitos de gestão com os africanos é um equívoco que não honra nem a nós, nem aos africanos. Como muitos deles nos tem como modelos (Moçambique, Angola, Guiné, Namíbia, etc.), aproveitaria melhor a todos falar em “brasilização” da África.

  2. André Luiz D. Queiroz disse:

    Na boa?, o título do artigo é exagerado! Dizer que esse corte de ministérios “evita a africanização de Brasília” dá a entender que Dilma Rousseff está realmente saneando o Estado brasileiro. Bem sabemos que não, ela não vai sequer mexer nas pastas relacionadas a ‘direitos humanos’, controladas pela PT. Vai eliminar somente aqueles ministérios ‘técnicos’ irrelevantes e/ou redundantes (quantos ao total?), trazendo suas atribuições para dentro de outros ministérios ‘tradicionais’, como é o caso do Ministério do Desenvolvimento Agrário, que voltará para ‘dentro’ do Ministério da Agricultura. Mas, o que farão com todos os servidores lotados nos ministérios a ser extintos? Muito possivelmente, serão incorporados aos ministérios restantes, e o GF continuará com sua estrutura administrativa (e sua folha de pagamento) inchada, ineficiente, e absurdamente cara! A “africanização de Brasília” já aconteceu faz tempo!, e Dilma Rousseff não vai transformá-la em nenhuma Estocolmo…!

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