Início » Brasil » Dilma diz que Marcelo Odebrecht foi coagido a fazer delação
DELAÇÃO DA ODEBRECHT

Dilma diz que Marcelo Odebrecht foi coagido a fazer delação

Ex-presidente diz que empreiteiro sofreu 'variante de tortura' para aceitar ser delator e condena uso de seus depoimentos como provas contra ela

Dilma diz que Marcelo Odebrecht foi coagido a fazer delação
'É estarrecedor que um procurador use como prova o que não é prova', afirma Dilma (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

Na véspera do início do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) da chapa que a elegeu em 2014, a ex-presidente Dilma Rousseff condenou o uso das delações premiadas do empresário Marcelo Odebrecht como provas contra ela e disse que o empresário deve ter sofrido coação para aceitar virar delator.

Em entrevista exclusiva ao jornal Folha de S. Paulo, Dilma afirmou que a delação do empresário deveria servir como indício para investigação e não para condená-la, já que a delação está sendo feita “de acordo com seus interesses”. “O STF [Supremo Tribunal Federal, que homologou a delação do empreiteiro] nem abriu investigação [criminal] ainda. É estarrecedor que um procurador use como prova o que não é prova”, apontou a ex-presidente.

Dilma também destacou que Marcelo Odebrecht “sofreu muitos tipos de pressão” e que seus depoimentos são “uma coisa absolutamente ridícula”. “Por isso, não venham com delaçãozinha de uma pessoa que foi submetida a uma variante de tortura, minha filha. Ou melhor, de coação”, declarou.

A ex-presidente afirmou à Folha que não tinha proximidade com o empresário para tratar de verba de campanha e que sempre desconfiou dele, lembrando-se de que impediu um esquema de corrupção organizado pelo próprio Marcelo Odebrecht nas hidrelétricas do rio Madeira, em Rondônia, quando ainda era ministra-chefe da Casa Civil, em 2007. “Ele nunca deve ter me perdoado”.

Dilma ainda criticou a possibilidade que as contas da chapa Dilma-Temer fossem separadas no julgamento, principal estratégia de defesa do presidente Michel Temer. A cassação da chapa pode torná-la inelegível.

“E como o Temer não tem nada a ver com isso? Na campanha, ele arrecadou R$ 20 milhões de um total de R$ 350 milhões. Nós pagamos integralmente todas as despesas dele. Jatinhos, salários de assessores, advogados, hotéis, material gráfico, inserções na TV”, explicou a ex-presidente, afirmando que a separação tem como finalidade “dar tempo para ele entregar o resto do serviço que ficou de entregar: reforma da Previdência e desregulamentação econômica brutal”.

Sobre a possibilidade de se candidatar novamente, Dilma afirma não ter vontade, mas que pode acontecer. “Me casse que eu vou passar o tempo inteiro lutando [na Justiça] para não ser cassada e ser candidata”, afirmou.

Fontes:
Folha de S. Paulo-Marcelo Odebrecht fez 'delaçãozinha' após sofrer coação, afirma Dilma

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

2 Opiniões

  1. laercio disse:

    Sabem, antes quando eu escrevia nessas colunas de opinião confesso que ficava tímido! Meu… Mas li tanto assunto aonde as pessoas são por demais “cara de pau”, então hoje estou curado, não tenho mais aquela timidez.
    Então, sem nenhum pesar os meus comentários sobre a fala de Dilma são: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Quanto ao Marcelinho Odebrecht, se ele sofre tortura indireta eu sofro as duas juntas no meu cotidiano

  2. Lucinda Telles disse:

    Com a expressão: “variante de tortura”, Dilma se livra das consequências de afirmar que a Justiça comete um crime, afinal não se trata de “tortura”, mas uma variante, algo que não está tipificado. Nunca pensei que ela fosse capaz de sutilezas linguísticas.

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *