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Diplomacia brasileira

Dilma e Obama podem ‘ficar de bem’

Brasília busca nova postura de relacionamento em relação ao Congresso e à própria imprensa

Dilma e Obama podem ‘ficar de bem’
Agora, Brasília dá o primeiro passo na reaproximação com Washington (Reprodução/Internet)

Isolada do mundo na avaliação de seus próprios assessores, a presidente Dilma Rousseff começa a dar sinais que deixará a ostra onde há cerca de dois anos encontrava cada vez mais conforto e paz. Esta semana mesmo, ela anunciou uma nova postura de relacionamento em relação ao Congresso e à própria imprensa.

No fundo do poço em termos de popularidade, era certo que a presidente deveria mudar alguns comportamentos, inclusive no relacionamento com outros países. Em 2013, Dilma cruzou os dedinhos e trocou de mal com Barack Obama quando foi revelado que o Pentágono ouvia e espionava os telefonemas da presidente e de executivos da Petrobras. Desde então, nenhum ministro brasileiro sequer pisou em solo norte-americano.

Agora, Brasília dá o primeiro passo na reaproximação com Washington. Com as exportações em baixa e com a moeda se desvalorizando a olhos vistos, Dilma mandou seu ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Armando Monteiro Neto, à capital americana com a tarefa de retomar negociações paradas há 24 meses.

Com dois anos de atraso, ela finalmente deu a mão à palmatória para reconhecer que os Estados Unidos precisam ser um parceiro prioritário. O mundo inteiro sabe disso. Com um mercado mais rico e com menor carga tributária do que a Europa, a terra de Obama é o melhor destino de nossos produtos manufaturados e semimanufaturados.

Com a experiência adquirida à frente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Monteiro busca também uma saída para a estagnação de nossa indústria, segmento que mais sofre com as crises – política, energética e hídrica – que ressecam nossas possibilidades de crescimento. Diferentemente da China – que compra nossas commodities – Monteiro, com sua voz grave e cheia de sotaque, discursa que é para os Estados Unidos que vão nossas manufaturas e nosso valor agregado.

A ida de Monteiro a Washington tem ainda o objetivo de que a presidente seja convidada por Obama para uma visita de chefe de estado, no segundo semestre. Iniciativa de vital importância para quem ouve cada vez mais frequentes cochichos sobre impeachment. Estar ao lado do marido de Michelle sempre traz mais credibilidade. Muitos chefes de estado sabem disso.

Há dois anos, Dilma só frequenta as casas de Cristina Kirchner, Rafael Correa, Nicolás Maduro, Evo Morales e Raúl Castro. É preciso mudar de ares, ficar de bem com o bom rapaz americano e deixar para trás as más companhias.

*Claudio Carneiro é jornalista e parceiro do Opinião e Notícia

1 Opinião

  1. Hugo Leonardo Filho disse:

    É da natureza dos pseudo-esquerdistas tupiniquins, tipo a Dilma, andar em más-companhias. Mas não esperem mudanças, ela é um “brucutu” e não deixará de sê-lo. Como diz o adágio popular: “cavalo véio não aprende truque novo”.

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