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Coluna Esplanada

Dilma, Renan e os governadores

Neutralizar ou conquistar Renan Calheiros é de fundamental sobrevivência para o mandato da presidente

Dilma, Renan e os governadores
Presidente Dilma Rousseff e presidente do Senado, Renan Calheiros (Fonte: Reprodução/Divulgação)

A presidente Dilma Rousseff vai pegar carona na demanda dos governadores no encontrão dos mandatários no Senado Federal, protagonizado pelo presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), a fim de neutralizar a chamada ‘pauta bomba’. Engana-se, porém, quem considera esta pauta vir do incendiário presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ela vem do Salão Azul, onde desfila o senador alagoano, o novo desafeto de todo o Palácio do Planalto.

Neutralizar ou conquistar Renan Calheiros é de fundamental sobrevivência para o mandato da presidente. É no Senado que os cenários mudam para os estados, é ali que estão os representantes federativos. Aliados ou não dos governadores, há uma inevitável relação direta destes congressistas com os gabinetes dos palácios de suas capitais. Em tempos de caixa apertado, a pauta é comum e eles se tornam aliados contra a União.

No dia 20 de junho Renan reuniu 21 governadores em Brasília, numa pauta sobre um novo pacto federativo sem conhecimento do Planalto — o senador fez uma intensa operação sigilosa no convite, ligando diretamente para cada um dos governadores, para evitar o eventual esvaziamento promovido pela Casa Civil da Presidência. A ideia da reunião fora do deputado federal Danilo Forte (PMDB-CE), para quem o PMDB já deveria ter pulado fora da coalizão.

Deste encontro saiu a grita da turma. Relator de uma comissão especial criada para debater as demandas dos governadores, o deputado Forte juntou num pacote 48 PEC e 49 Projetos de Lei, apensados à PEC 172. Esta é a pauta-bomba que Dilma quer desarmar como prioridade. Entre os pontos polêmicos, os governadores querem blindagem contra eventuais encargos ou serviços adicionais repassados por força de lei ou medida imposta pela União. Reclamam também autonomia para legislar em casos de Segurança, e maior capacidade para endividamento externo, sem as amarras do Tesouro.
Dilma vive o dilema de um fazendeiro que precisa sobreviver com o pasto. Se encurrala demais a boiada, ela muge ininterruptamente. Mas se afrouxa a cerca, arrisca perder o controle da manada.

Taxistas x Uberistas

Há dias um motorista que atende pelo aplicativo de smartphones chamado Uber foi preso no desembarque do Aeroporto de Brasília, antes que virasse assado nas mãos dos taxistas. Como notório, o Uber é um serviço de carros executivos para passageiros que o contatam via aplicativo, ainda sem regulamentação no Brasil.

Sindicalizados e regulamentados, os taxistas reclamam que os ‘Uberistas’ não pagam imposto ou têm qualquer tipo de fiscalização. Mas em meio a toda essa confusão e ameaças, o Uber surge com um efeito paralelo que atinge em cheio o setor classista tradicional concorrente, que esconde o principal motivo da briga. As ‘luvas’ ou ‘concessões’ que taxistas pagam para operar em determinados pontos lucrativos das cidades — luvas também não fiscalizadas, regulamentadas ou tributadas.

Hoje, um taxista paga entre R$ 150 mil e R$ 200 mil pelo ‘ponto’ num aeroporto com corridas lucrativas como o desembarque do Galeão ou Santos Dumont (Rio), Cumbica ou Congonhas (SP). O Uber pode detonar esse esquemão.

O inimigo invisível

A Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade divulgou um balanço mórbido não levado em conta pela população e autoridades. Em 2014, choques elétricos mataram 627 pessoas no Brasil, entre adultos e crianças (um casal perdeu os três filhos pequenos numa cerca elétrica nos fundos de casa em Santa Catarina, uma garota em Goiás morreu fazendo ‘chapinha’ no cabelo).

Dá uma média de 52 mortes por mês — mais de uma por dia. Segundo a Abracopel, o inimigo invisível está mais presente na própria casa do cidadão: foram 180 óbitos em residências, e 79 em estabelecimentos comerciais.

Com Equipe DF, SP e Nordeste

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