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Ameaça ao Itamaraty

Diplomata que ajudou senador diz ter provas contra a chancelaria brasileira

Eduardo Sabóia disse que chancelaria fazia da negociação um ‘faz de conta’. Presidente Dilma se irrita com a comparação entre a Embaixada e o DOI-Codi

Diplomata que ajudou senador diz ter provas contra a chancelaria brasileira
Diplomata disse que desempenhava um papel similar ao de um agente carcerário (Reprodução/Internet)

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Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo nesta terça-feira, 27, o diplomata brasileiro Eduardo Sabóia contou detalhes da operação que trouxe o senador boliviano Roger Pinto Molina ao Brasil e disse ter provas para se defender de uma possível acusação da chancelaria brasileira. Sabóia e o senador percorreram 1.600 km de carro de La Paz  até a cidade fronteiriça de Corumbá, no Mato Grosso do Sul. A viagem levou 22 horas.

O diplomata disse que tentou diversas vezes convencer o Itamaraty que a situação na Embaixada do Brasil em La Paz estava insustentável e disse que o senador apresentava problemas de saúde e depressão, o que foi atestado por um médico boliviano. “Eu vinha avisando que a situação estava em franca deterioração e a gente tinha que pensar em contingências, como levá-lo para uma residência, para uma clínica na Bolívia, para o Brasil. Mandei uns 600 telegramas, falei que era insustentável. Não sou médico nem psiquiatra, mas, diante de uma situação limite, tomei essa decisão”, disse Sabóia. “Ele estava com um papo de suicídio. Aí podem dizer: ‘Ah, é uma manipulação’. Pode ser, mas é preciso correr esse risco?”, completou.

Sabóia disse que desempenhava um papel similar ao de um agente carcerário, mantendo Roger Pinto trancado em um pequeno quarto da Embaixada e vigiado por fuzileiros navais. “Eu me sentia como se fosse o carcereiro dele, como se eu estivesse no DOI-Codi. Não tenho vocação para agente carcerário”, disse Sabóia, afirmando não se arrepender da sua decisão.

O diplomata disse que a comissão bilateral responsável por resolver o problema estava fazendo da negociação um verdadeiro “faz de conta” e afirmou ter provas suficientes para se defender. “Tenho os e-mails das pessoas, dizendo ‘olha, a gente sabe que é um faz de conta, eles fingem que estão negociando e a gente finge que acredita’. A comissão não tinha prazo para terminar. Se vierem para cima, tenho elementos de sobra para me defender e para acusar. Se a gente entrar numa questão legal, vai ser uma lavação de roupa suja que todo mundo vai sair prejudicado”, disse Sabóia.

Em entrevista, a presidente Dilma Rousseff se disse irritada com comparação entre a Embaixada do Brasil e o DOI-Codi, centro de repressão do exército onde esteve presa durante a ditadura. “Eu estive no DOI-Codi, eu sei o que é o DOI-Codi. É tão distante o DOI-Codi da Embaixada brasileira lá em La Paz como é distante o céu do inferno. Literalmente isso”, disse a presidente.

Eduardo Campos elogiou ação de diplomata

O governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, parabenizou a ação de Eduardo Sabóia. Campos comparou o caso do senador boliviano ao de seu avô, Miguel Arraes, que deixou o país durante a ditadura em condições similares à de Roger Pinto. O governador disse ainda que não deve haver um impasse diplomático entre Brasil e Bolívia, já que se trata de uma causa humanitária.

Fontes:
Folha-Afastado, diplomata que trouxe senador boliviano faz ameaça

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3 Opiniões

  1. helo disse:

    Confinamento em um pequeno quarto guardado por militares, sem previsão de liberdade é tortura. Dilma não entendeu assim, talvez porque pense que tortura só esteja ligada ao castigo físico. Felizmente Eduardo Saboia percebeu a desestruturação mental e o risco de suicídio que a condição impõe, se comoveu e tomou a atitude corajosa e humanitária exigida diante das circunstâncias. Ele merece todo o nossa admiração e respeito.

  2. Luiz Franco disse:

    Se o Sabóia tem munição para se defender que tome a iniciativa do combate. Essa gente que está no poder nunca vai esquecer essa afronta.

  3. yama disse:

    O comportamento da Dilma, que cumpre mandato de presidenta, é de despreparo em assuntos de Estado e as sucessivas entrevistas apontam o óbvio, em particular com relação a Bolívia, na qual busca a satisfação político-pessoal em seus credos e no partidarismo que visa o alinhamento dos países sul-americanos que anseiam pela criação de bloco latino com comportamento subordinado às ideias de Cuba e da liderança do grupo Castro.
    O Brasil, vergonhosamente, assiste às manobras do petismo que subliminarmente oferecem a escravidão das “benesses sociais” pagas pelos que cumprem as obrigações tributárias para sustentar milhões de OCIOSOS “desculpados” com os supostos estigmas de “serem negros” ou “desafortunados sociais” que entretanto se ESBALDAM NAS CACHINHAS GUIADOS PELO EMIGRANTE BEM SUCEDIDO DA SERRA PERNAMBUCANA.
    REAFIRMO A CERTEZA DE RUY BARBOSA – TENHO VERGONHA DE SER BRASILEIRO

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