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Disputa por água no nordeste envolve até jagunços

No estado, 96% dos municípios estão em estado de emergência por causa da seca, gerando disputa pela água

Disputa por água no nordeste envolve até jagunços
A água do canal não serve para beber, mas as famílias a utilizam para cozinhar, pescar e tomar banho (Reprodução/Internet)

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Uma região no interior do Ceará é palco de conflitos envolvendo água. Hoje, 96% dos municípios do estado estão em estado de emergência por causa da seca.

Um desses municípios é Limoeiro do Norte, a 207 km de Fortaleza. As famílias que foram afetadas com a seca invadiram uma área federal e montaram acampamento ao lado de um duto que liga o Rio Jaguaribe a plantações de soja, banana e milho. “A briga aqui não é por terra como em outras regiões. Nós temos terras em outros locais, mas não temos condições de plantar e viver nelas porque lá não tem água”, diz o agricultor Rafael Alves.

Produtores rurais temem o fechamento da fonte de irrigação que leva água para suas respectivas plantações e o clima é de apreensão. Toda água bombeada e que passa pelo duto, nessa área federal, é administrada por empresas e produtores.

Na área invadida, os lavradores ergueram guaritas em frente ao acampamento e usam fogos de artifício para alertar as famílias de possíveis ataques dos produtores –por ora, só ocorreram alarmes falsos. A água do canal não serve para beber, mas as famílias a utilizam para cozinhar, pescar e tomar banho. Uma vez por semana, um carro-pipa é enviado pela prefeitura para encher um tanque de 30 mil litros no acampamento.

Açude público foi “privatizado”

Em Potiretama, a 82 km de Limoeiro do Norte, há um outro conflito por água. Um fazendeiro “privatizou” um açude estatal e é acusado de usar a força para impedir a população de plantar nos arredores.

A terra de João Alves foi desapropriada em 2006 para criar um açude em Bom Jardim, que está praticamente seco. Mas mesmo com a obra pronta, o fazendeiro continuou plantando capim às margens do açude e criando gado leiteiro. Ele cercou o açude público com arame farpado e restringiu o uso. Segundo os agricultores locais, João Alves enviou jagunços para ameaçar os que usavam a vazante do açude para plantar feijão e milho.

O fazendeiro diz que a denúncia é “invenção do povo”. Ele diz que construiu as cercas porque até hoje o governo não demarcou as terras. “O governo me indenizou, mas não definiu o que era meu e o que era dele. Cerquei para proteger minha propriedade”, diz ele, sem responder porque escolheu justamente a área do açude. Segundo o governo do Ceará, as demarcações foram definidas no ato da desapropriação, e toda a área em torno do açude pertence ao estado.

Fontes:
Folha-Disputa pelo acesso à água envolve até jagunços no interior do Ceará

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