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PROCURADORIA-GERAL DA REPÚBLICA

Dodge recebe Dallagnol em meio a turbulências

Expectativa é de que, ao final do encontro, a procuradora-geral da República vai emitir uma nota em apoio aos procuradores da Lava Jato

Dodge recebe Dallagnol em meio a turbulências
Aceno à força tarefa vem num momento em que Dodge busca ser reconduzida ao cargo (Foto: Montagem/EBC)

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A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, recebe nesta terça-feira, 16, o procurador Deltan Dallagnol e outros integrantes da força tarefa da Operação Lava jato em Curitiba para discutir o impacto dos vazamentos causados pela série de reportagens do site The Intercept, intitulada Vaza Jato.

Segundo apurou o jornal Folha de S.Paulo, que, juntamente com a revista Veja e o jornalista Reinaldo Azevedo, fechou parceria com o Intercept na série de reportagens, a expectativa é de que Dodge, ao final da reunião, divulgue uma nota pública em apoio aos procuradores.

O aceno de Dodge à força tarefa da operação vem num momento em que a procuradora-geral da República se empenha para ser reconduzida ao cargo em setembro.

No entanto, Dodge enfrenta pressão em seu entorno. Isso porque um de seus principais auxiliares, o procurador José Alfredo de Paula, coordenador do grupo de trabalho da Operação Lava-Jato na Procuradoria-Geral da República (PGR), pediu exoneração do cargo na última sexta-feira, 12.

O pedido de exoneração se deu por insatisfação de Alfredo de Paula com a lentidão imposta por Dodge às investigações. Um dos exemplos é a lentidão na liberação da delação do ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro. A delação está assinada, porém retida na PGR, o que impede a homologação pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF). A delação de Léo Pinheiro atinge políticos e membros do Judiciário, logo, a liberação neste momento poderia comprometer os planos de Dodge de ser reconduzida ao cargo.

Além disso, Dodge lidera uma PGR dividida. Isso porque, enquanto a procuradora-geral recebe Dallagnol, outro importante órgão da PGR, a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), divulgou na última segunda feira, 15, uma nota oficial na qual mencionou os diálogos vazados pela imprensa e destacou que que o combate à corrupção não pode ser feito com a “quebra de princípios” constitucionais.

Além disso, Dodge recebe Dallagnol num momento em que novas mensagens vazadas pelo Intercept apontam que o procurador usou a fama da Lava Jato para lucrar com a operação.

Primeiro, segundo diálogos divulgados por Reinaldo Azevedo no portal UoL, Deltan pediu R$ 38 mil da 13ª Vara Federal de Curitiba para custear uma campanha publicitária a ser veiculada na Rede Globo, em prol das dez medidas anticorrupção traçadas pelo Ministério Público Federal (MPF) em 2015, no âmbito da Lava Jato.

O pedido foi feito em mensagem enviada ao atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, então juiz federal responsável por julgar os processos da Lava Jato.

“Você acha que seria possível a destinação de valores da Vara, daqueles mais antigos, se estiverem disponíveis, para um vídeo contra a corrupção, pelas dez medidas, que será veiculado na [TV] Globo??”, escreveu Dallagnoll. Moro respondeu: “Se for só uns 38.000 acho que é possível. Deixe ver na terça e te respondo”. Não é possível afirmar que a verba da 13ª Vara solicitada tenha sido, de fato, cedida.

Além disso, Dallagnol também cogitou abrir uma empresa de palestras usando a esposa como testa de ferro. Em uma mensagem ao procurador Roberson Pozzobon, ele sugeriu a criação de uma empresa de palestras para “organizar congressos e eventos e lucrar”, na qual ele e Pozzobon não seriam listados como sócios, mas sim suas esposas, para evitar questionamentos.

Segundo noticiou a coluna da jornalista Monica Bergamo, da Folha de S.Paulo, Dallagnol também solicitou um cachê da Federação das Indústrias do Ceará (FIC), como condição para dar uma palestra de combate à corrupção, além de hospedagem para ele, a mulher e os dois filhos no Beach Park, em julho de 2017.

Em seguida, fez propaganda da FIC para convencer Moro a fazer o mesmo. “Eu pedi pra pagarem passagens pra mim e família e estadia no Beach Park. As crianças adoraram. Além disso, eles pagaram um valor significativo, perto de uns 30k [R$ 30 mil]. Fica para você avaliar”, escreveu Dallagnol em uma mensagem ao ex-juiz.

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2 Opiniões

  1. Jayme Mello disse:

    E ai, misteriosamente – eis que surge o mais abissal dos silêncios, neste rol dos comentaristas de plantão – de todas as vertentes possíveis e impossíveis também…, será isso mesmo ???

  2. Jayme Mello disse:

    ÁGUA EM DEMASIA MATA AS PLANTAS

    E ai, nesse (quase) marasmo – os mais incrédulos dos viventes, porém, sempre bem intencionados (?) e alguns dos quais, em silêncio mais que absoluto…, estão nas cercanias e/ou escombros (quem sabe?) – ainda assim, continuam (agora) rodando em círculos na incessante busca de “outra solução mágica”.

    E, obviamente, esquecendo-se dos votos que carrearam para as urnas nos últimos pleitos!

    Todavia, relaxem – peripécias outras, até mais contundentes que essas, ainda estão por vir.

    Enfim, segue normal…

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