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GRITA BRASIL

E o governo só tá começando…

Vou manter minha guarda alta, minhas expectativas no nível zero e esperar para ver que bicho mais vai dar. Não quero fazer apostas. Meu time ainda é Brasil

E o governo só tá começando…
A coluna Grita Brasil é publicada às quintas

Muitos já vão me atirar pedras. Outros provavelmente falarão que tenho que ter paciência. Talvez alguém me apoie. Quiçá me aplauda. Mas vida de escrevinhador é isso mesmo. Tem que estar pronto para tudo. E eu estou. Sobrevivi escrevendo sobre a Era Lula, sobrevivi escrevendo sobre a Era Dilma. Também sobrevivi escrevendo sobre a Era Temer, agora se inicia o novo ciclo de minha sobrevivência, a Era Bolsonaro.

Lembro que escrevi sobre olhar atentamente para o vice. Geralmente as pessoas nem olham, e quando olham não dão muita importância. Afinal, vice é vice.

Ledo engano.

Se lá atrás tivéssemos olhado para o vice de Dilma, talvez o resto dessa “Era” (Era das Trevas) teria sido outro. Tudo bem que nunca poderíamos imaginar um “impeachment” de Dilma, mas se tivéssemos nos precavido…

A mesma coisa agora com Bolsonaro e o Mourão, que já na campanha deu alguns indícios de loucura, de falar sem pensar, mas que, pelo visto, passaram incólumes. E ele acabou mesmo sendo o vice. Bolsonaro nem se mexeu. Deu uma chamada no homem, mas ele continuou vice.

E é justamente do vice que vem a primeira cusparada na cara da gente. Com certeza alguns falarão que é besteira, ou que foi só um escorregão. Mas eu esperava mais, até do Bolsonaro.

E foi justamente Bolsonaro que declarou na véspera que: “as nomeações nos bancos públicos não teriam interferências políticas”.  Será mesmo que o presidente está 100% alinhado com o seu vice?

Não venham me dizer que Mourão não tem nada com isso. Para mim tem, a partir do momento que seu filho, Antônio Mourão, é o maior beneficiado. Não engulo isso de coincidência, nem de merecimento.

Tudo bem que Antônio é funcionário de carreira do Banco do Brasil. Está na instituição há 18 anos, e nos últimos 11 anos fazia parte da diretoria de Agronegócios, onde ganhava R$ 14 mil. Ele agora foi promovido ao cargo de assessor especial da presidência do Banco do Brasil (BB) com um salário de R$ 36 mil. Bem mais que dobrar um salário, justamente quando o pai vira vice-presidente da República.

Bolsonaro disse que só soube da nomeação através da imprensa, e que essa nomeação causou mal-estar entre ministros.

Depois, Mourão, pelo twitter, afirmou que seu filho foi promovido por ter “absoluta confiança” do presidente do BB, Rubem Novaes, além de ter prestado “excelentes serviços” e ter “conduta irrepreensível”. Mourão ainda completou dizendo que nos governos anteriores “honestidade e competência” não eram valorizadas.

E óbvio e ululante, que o próprio (novo) presidente do BB saísse me defesa de seu novo assessor. Disse Novaes: “Antônio é de minha absoluta confiança e foi escolhido (sic) para minha assessoria, e nela continuará, em função (sic, sic) de sua ‘competência’”.  E ainda disse que é estranho que ele, Antônio não tenha alcançado postos mais destacados no banco.

Talvez porque faltava um “calço”, uma “escadinha” para alcançar o tal cargo? Não gosto de acasos… Por acaso o pai virou vice e ele foi promovido. Não desce pela garganta.

Enfim, é o que temos para hoje.

É por essas e outras que vou manter minha guarda alta, minhas expectativas no nível zero e esperar para ver que bicho mais vai dar.

Não quero fazer apostas. Prefiro, como já disse, me surpreender para o bem. Não para o mal.

Assim ninguém me acusa de torcedor de time adversário. Meu time ainda é Brasil. com muitas ressalvas. Mas preferia estar torcendo do Canadá, de Portugal, dos EUA, da Austrália, da Irlanda, de Israel.

Salve as baleias. Não jogue lixo no chão.

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3 Opiniões

  1. jan foster disse:

    um olhar bem torcido dos fatos… pena

  2. Selma Bezerra de Carvalho disse:

    Foram tantos desmandos que entendo a sua posição Cláudio.

  3. Beraldo disse:

    Engraçado o autor dizer que sobreviveu…
    Quem se interessa por isto?

    Não acredito que ele esteja sendo sincero ao imaginar que as coisas iam mudar, porque neste “sistema”, o emparelhamento político, o toma lá dá cá, o apadrinhamento, o foro privilegiado, penduricalhos extra-salariais e, por fim, o crime organizado da bandidagem e, por fim, o propinoduto (público e privado) são absolutamente normais. Compradores de empresas privadas também levam suas propinas. Muitos enriquecem em poucos anos…
    Que se cite um único exemplo de governo brasileiro, seja na monarquia ou na república, em que tudo isto não tenha ocorrido livre e solto.

    Fato simples e que bem ilustra esta realidade, me remete aos meus anos de infância/adolescência em que era comum, um sujeito qualquer procurar um Médico “amigo” que trabalhasse no hoje chamado INSS para solicitar que este o aposentasse por doença ou invalidez.
    Era tiro e queda! Em um mês saía o presentão.

    Não nos façamos de panacas!!

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