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GUERRA ENTRE FACÇÕES

‘Economist’ alerta para a carnificina nas prisões do Brasil

Revista diz que a matança de 56 membros do PCC em prisão de Manaus é uma retaliação das facções ao crescimento do grupo

‘Economist’ alerta para a carnificina nas prisões do Brasil
Artigo alerta para a iminência de uma resposta do PCC (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

A rebelião no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) foi tema de um artigo publicado nesta quinta-feira, 5, na revista Economist.

No texto, a revista chama atenção para a brutalidade da rebelião, que resultou na morte de 56 detentos, muitos deles decapitados, e em cenas chocantes de braços e pernas amputados empilhados na entrada do presídio.

O artigo afirma que foi a maior rebelião já vista no país em 25 anos. Porém, ele ressalta que o único motivo que fez o Compaj se destacar foi o alto número de mortos, o maior já registrado em uma rebelião.

“As prisões do Brasil irrompem com frequência. No ano passado, 18 detentos morreram em confrontos de facções em prisões em Roraima e Rondônia. Em Pernambuco, as prisões estão superlotadas até mesmo para os padrões brasileiros, e violência e morte ocorrem com frequência. Entre janeiro e fevereiro do ano passado, 93 presos fugiram de prisões no Rio Grande do Norte”, diz o artigo.

O texto alerta para o problema da superlotação nas penitenciárias, que faz com que o número de detentos supere em quase o dobro a capacidade do sistema carcerário. “A população carcerária de 622 mil detentos, a quarta maior do mundo, está amontoada em prisões feitas para um total de 372 mil presos. O Compaj aloja 2.200 presos, quase o dobro da sua capacidade. Os guardas normalmente fazem pouco mais que rondar o perímetro, deixando as facções livres para elaborar operações criminosas à distância através de celulares”.

Segundo a revista, a violência no Compaj sugere que a guerra entre facções no país está entrando em uma nova fase. A execução de detentos membros da facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) é uma reação à crescente influência e poder do grupo, que no ano passado executou seu maior rival no tráfico de drogas na fronteira entre Brasil e Paraguai, Jorge Rafaat, ficando com o caminho livre para controlar o narcotráfico na região e na fronteira com a Bolívia.

Dessa forma, diz o artigo, o PCC controlou a distribuição de cocaína e maconha da região fronteiriça para o rico sudeste brasileiro e usou essa vantagem para se tornar a maior e mais rentável facção de narcotráfico do Brasil. Aproveitando o momento favorável, o PCC buscou expandir sua presença nacional. A facção usou seu poder para tentar colocar a facção carioca Comando Vermelho (CV) em uma posição de subordinação, o que acarretou no fim da aliança entre os grupos.

Com a ruptura, o PCC se aliou ao principal inimigo do CV, a facção Amigos dos Amigos (ADA). A parceria permitiu que o PCC tomasse do CV o controle da venda de drogas na Rocinha, a maior favela do Brasil e a mais rentável em venda de drogas.

“O CV respondeu formando alianças com outras facções ameaçadas pela expansão do PCC, entre elas a Família do Norte (FDN), a terceira maior facção do Brasil, que controla rotas de narcotráfico na Amazônia. Os confrontos em Roraima e Rondônia no ano passado foram um prenúncio do massacre do Compaj. A maioria dos executados em 2016 eram membros da FDN e do CV, atacados pelo PCC em resposta a um ataque da FDN feito no ano anterior”, diz a revista.

O artigo finaliza alertando para a iminência de uma resposta do PCC. “O governo, agora, imagina onde e quando o PCC irá retaliar. A retribuição virá de forma calculista, não impetuosa, segundo Guaracy Mingardi, um criminologista. Mas ela virá. O PCC não pode ficar quieto enquanto perde prestígio, pois prestígio, em longo prazo, significa dinheiro”.

Fontes:
The Economist-Carnage at a prison in the Amazon

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