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‘Economist’ pede a renúncia de Dilma

Em reportagem mais incisiva contra o governo até hoje, revista diz que a presidente perdeu toda a credibilidade ao nomear Lula ministro e deve renunciar antes que seja expulsa do Planalto

‘Economist’ pede a renúncia de Dilma
Saída de Dilma não resolveria tudo, mas daria ao Brasil a chance de um novo recomeço, diz 'Economist' (Foto: Agência Brasil)

 

O semanário inglês Economist traz uma reportagem de cunho editorial nesta quarta-feira, 23, em que defende abertamente a renúncia da presidente Dilma Rousseff. A revista, que até então apontara para a legitimidade da reeleição da petista em 2014 como o melhor argumento que a presidente poderia usar para se manter no poder,  disse que a manobra do dia 16 de março, através da qual Dilma nomeou o ex-presidente Lula para livrá-lo da prisão e de ser investigado pelo juiz Sergio Moro, da Lava Jato, acabou com qualquer resquício de credibilidade que restava ao atual governo.

“Este jornal tem argumentado há tempos que apenas o sistema judiciário ou os eleitores — não políticos buscando o impeachment por interesses próprios – deveriam decidir o destino da presidente. Mas a nomeação de Lula parece uma tentativa grosseira de impedir o curso da justiça. Mesmo se essa não fosse a sua intenção, seria o efeito da sua decisão. Este foi o momento em que a presidente colocou os interesses políticos da sua tribo acima do Estado de direito. Ela desabilitou-se para continuar a ser presidente”, diz a reportagem.

A revista vê três formas legítimas para tirar Dilma do Planalto, entre as quais ela não inclui o processo de impeachment que tramita no Congresso atualmente. Para a Economist, o atual processo de impeachment é improvável e infundado, porque se baseia em denúncias até hoje sem provas concretas de que Dilma teria usado pedaladas fiscais e truques contábeis para esconder o verdadeiro tamanho do rombo no orçamento em 2015.

“A ideia, levantada pelo chefe do comitê de impeachment, de que os congressistas deliberando o destino da Sra. Rousseff irão ‘ouvir o clamor das ruas’ criaria um precedente perigoso”, diz a revista. “Democracias representativas não deveriam ser governadas por protestos ou por pesquisas de opinião”.

A Economist sugere que as alegações do ex-senador petista Delcídio do Amaral de que Dilma tentou obstruir as investigações da Lava-Jato, ou a recente tentativa da presidente de blindar Lula podem formar as bases de um novo processo de impeachment. Uma segunda opção seria o Tribunal Superior Eleitoral convocar novas eleições presidenciais, caso determine que a reeleição da presidente em 2014 fora financiada com dinheiro de propina da Petrobras. Esses processos, no entanto, seriam demorados. “A melhor e mais fácil maneira para Dilma sair do Planato é ela renunciar antes de ser expulsa”, diz a revista.

Longe do fim da crise 

A saída da presidente daria ao Brasil a chance de um novo recomeço, mas não resolveria os problemas inerentes da política, lembra a Economist. O PMDB, partido do vice-presidente Michel Temer, está tão envolvido no escândalo da Petrobras quanto o PT e, além disso, dos 594 membros do Congresso, 352 enfrentam acusações criminais.

Nem o judiciário brasileiro foi poupado de críticas pela revista, embora ela elogie sua iniciativa em investigar a fundo alguns dos maiores empresários e políticos do país. Para a Economist, no entanto, alguns juízes estão minando a credibilidade do judiciário ao desconsiderar normas legais. A revista cita como exemplo a decisão do juiz Sergio Moro de divulgar à imprensa o conteúdo de grampos telefônicos entre Lula e a presidente Dilma, algo que a maioria dos juristas acredita que só a Suprema Corte teria autorização para fazer, já que Dilma tem foro privilegiado. “Isso não justifica as alegações de simpatizantes do governo de que os juízes estão orquestrando um “golpe”, diz a revista. “Mas criou uma forma fácil para os suspeitos da Lava-Jato desviarem a atenção de seus próprios erros para os erros de seus perseguidores”.

Para a Economist, a rixa partidária e a batalha entre personalidades fortes (Lula X Moro, Dima X Cunha etc.) obscurece algumas das lições mais importantes da atual crise: tanto o escândalo da Petrobras como a crise econômica têm suas origens nas leis e práticas retrógradas do país. Tirar o Brasil do caos requer amplas reformas: o controle da despesa pública, incluindo a previdência, reformas das leis fiscais e trabalhistas e do sistema político, que fomenta a corrupção e enfraquece partidos.

“Estas [reformas] não podem mais ser adiadas. Aqueles bradando ‘Fora Dilma!’ nas ruas irão declarar vitória se ela for derrubada.  Mas este seria apenas o primeiro passo para o Brasil sair ganhando”.

Fontes:
The Economist - Time to go

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13 Opiniões

  1. Ludwig Von Drake disse:

    Nenhum país merece ter um presidente completamente desmoralizado em pleno exercício do governo. Análise correta da Economist. Dillma não é a causa primordial dos problemas que agora enfrenta, ella é apenas a pior das consequências.

  2. Beraldo disse:

    A Economist, ao contrário do que sugere o título da matéria, segue na mesma linha da oposiçãozinha incompetente, concluindo dentre outras verdades já bastante evidentes e favoráveis ao governo, que não cabe impeachment algum. Na matéria, logo no início, a menção da “renúncia antes da expulsão” não passa da mera expressão de um desejo, importado da “Veja” do Policarpo, comandado pelo Carlinhos Cachoeira.

  3. Paulo Fernando disse:

    A cada dia que passa o País fica pior com uma Presidente insistindo em não tomar uma
    decisão que seja boa para o país, ou seja a sua saída. O Brasil está perdendo o que tem de melhor a credibilidade e afundando-se em ruína.

  4. João D Aniello disse:

    Fico pasmo de ver diante de tantas evidências, tantas provas, gravações etc, pessoas que devem ter sofrido LAVAGEM CEREBRAL, defendendo esta quadrilha instalada no nosso Pais. A única coisa que dizem é “oposiçãozinha incompetente”, pois saiba que nem ROUBAR DE ACORDO, os seus integrantes sabem, onde já se viu, roubar faqueiro folhado à ouro, imagem do Cristo entalhada pelo aleijadinho, e fico imaginando o que deve ter nos Containers…. paliteiros, guarda napo etc kkkkkkk.

  5. Áureo Ramos de Souza disse:

    Sinceramente não tenho nem o que comentar, tenho sim NOJO em ver uma presidente aplicar um golpe e os congressistas procurarem colocar um pedra no meio do caminho que já foi retirada pelo autor do poema Carlos Drumond de Andrade e o povo sendo lesado quando temos um Juiz honesto que vem trabalhando e mostrando por quem estamos sendo enganados. MEU DEUS, ATÉ QUANDO VAMOS AGUENTAR ISTO? NESTA SEXTA FEIRA SANTA, TODOS OS BRASILEIROS TEM QUE JEJUAR PARA A GLÓRIA DO SENHOR.

  6. Beraldo disse:

    A propinoprivataria comandada pelo Capo FHC, foi uma autêntica aula de apropriação indébita do erário. Como toda regra tem exceção, neste quesito a oposiçãozinha, justiça seja feita, vem sendo muito competente. Basta dar uma olhadela na novíssima lista de “propinados” da Odebrecht, que contêm, dezenas e dezenas de nomes do PSDB/DEM. Dá para amarelar qualquer sorriso…

  7. helo disse:

    Beraldo tem razão, a oposição é incompetente. O Economist também tem razão. O crime grave cometido pela presidenta foi a nomeação de Lula. Pelas várias gravações se confirmou que a nomeação de Lula foi uma obstrução da justiça. Com a divulgação o mundo soube até onde vai a ousadia da turma no poder. Alguns detalhes que nem são crimes, são terríveis e reveladores como a “referência” que Lula faz a sra. Estela que trabalha no Instituto Lula.

  8. Markut disse:

    Noves fora as insistentes beraldices, as análises do Economist são muito pertinentes.
    Estamos ainda mergulhados numa imaturidade institucional,da qual o populismo predador tira proveito , calcado na desinformação e anestesia do eleitor, que consegue “eleger” o pior do pior da classe política, arrivista e oportunista, totalmente desinteressada dos verdadeiros problemas do país.
    O resultado é um sistema de poder , com o seu tripé fundamental, Legislativo, Executivo e Judiciário, totalmente desconjuntado, restando, até o momento, um Judiciário , sobrecarregado, que, aparentemente, tenta fazer o que pode, antes que a coisa piore, já que a insatisfação e revolta da opinião pública, claramente extravasada no dia 13 de março, por significativa maioria,de norte a sul, apontou os nós que travam o desenvolvimento deste país: o lulopetismo e as suas ramificações, mais a classe política como um todo.
    Felizmente, o cerco se fechando sobre a figura carismática que, infelizmente, lidera e simboliza os desmandos, dela, hoje,pode-se dizer:”o rei está nú”.

  9. Beraldo disse:

    A livre expressão do pensamento, dentre outras prerrogativas individuais do Estado Democrático de Direito, quando exercida em ambiente divergente, como neste espaço do O&N, levanta reações às vezes irônicas, quando não iradas. Conviver com elas não exige esforço algum, nada que ultrapasse a natural capacidade de compreensão. Bola pra frente!

  10. Jayme Mello disse:

    Um adágio popular (mais ou menos assim), afirma: Ainda não existe nenhuma coisa ruim, que não possa piorar”.

    O Marechal Castelo Branco, lá nos idos do regime militar, ressonantemente, alertava aos seus companheiros de farda, sobre as “vivandeiras dos quarteis”, as quais, desde o ano de 1930, buscavam na caserna o apoio para suas extravagâncias políticas.

    Castelo Branco, sobre a Guerra Fria enxergava claramente suas nuances (duas vertentes), entendendo que não era uma simples refrega localizada ali no Continente Europeu, ao inverso, furtivamente, era uma guerra (econômica) mundial e, com um planejamento estratégico consistente, levantando vozes separatistas ao léu, para obter a qualquer custo, o êxito de seus propósitos e, os tais objetivos sem precedentes na história de mundo.

    E, desse tempo para cá, o que mais se testemunhou foram as artimanhas próprias esse universo, de duas vertentes e seus seguidores com a visão turva.

    Agora em 2010 o mundo assustado viu o início da “Primavera Árabe”, através uma onda avassaladora de protestos (seletivos) localizados, tanto no Norte do Continente Africano, como também numa parte do Oriente Médio, excetuando a Arábia Saudita, mesmo sendo o país mais radical do mundo árabe (talvez ?) , por ser o mais poderoso aliado dos norte-americanos, permaneceu sem anormalidade política.

    Primordialmente, os protestos visavam a derrubada de ditadores truculentos e, todos eles, com mais de 50 anos no poder. Desnecessário afirmar que os ditadores depostos sempre foram apoiados por esses senhores que e, cada qual a seu tempo, criaram a guerra fria, a primavera árabe etc.

    Por razões óbvias sabe-se, que os palcos dessas intervenções populares, à época não dispunham de tecnologia de ponta, face a dimensão da intervenção popular, conclui-se, portanto, que houve uma substancial “ajudinha externa” desses mesmos senhores, foi providencial para a conclusão do levante popular, cujo efeito imediato foi destruição de nações constituídas e seus povos sem ter os meios necessários para sobrevivência – são hoje, os escorraçados pedintes do mundo moderno.

    Mal comparando, esses miseráveis do agora estão em situação de risco, vulnerabilidade, pior que aqueles descritos por Victor Hugo.

    Todavia, toda operação (guerra econômica mundial) engendrada por estes tais senhores beligerantes, surge o efeito colateral, cuja abrangência tem proporções ainda mais devastadoras que também alcança pessoas tão inocentes quantos eles, os tais pedintes miseráveis.

    Aliás, hoje é diferente do outrora e como resposta abrupta, o mundo é vítima do incremento dessa violência subalterna, pois, ali, lá ou acolá, de atos terríveis praticados por pessoas insanas, contra tudo, e contra todos -, indiscriminadamente.

    E, essa refrega econômica é ardilosa, sutil, assim para cada campo de batalha, sua estratégia própria, portanto, desde 2010 que o (mundo) europeu vem atravessando sérias turbulências sociais/desemprego, em decorrência de seus próprios equívocos econômicos, por exemplo, a cotação no mercado do preço do petróleo, é praticamente a mesma cotação de quatro anos passados, que é também outro viés (estratégia/manobra) dessa refrega econômica.

    O território Ucraniano, tido como região estratégica, além de ser reconhecida como celeiro Europeu, é também uma das causas do destempero, entre o Mercado Comum Europeu x Rússia x E U A e, tudo isso sem mencionar o BRICs,que para eles é um sapato apertado.

    A democracia, essa sábia conselheira nos ensina que a alternância de poder tem seu tempo certo e o momento exato.

    De igual maneira ao Castelo Branco lá nos idos, os brasileiros da caserna, hoje, se mantém equidistante das “vivandeiras dos quarteis”, as quais, continuam alvoroçadas, conjecturando aos quatro cantos, nos bares e restaurantes, gabinetes, no além-mar de Camões, até mesmo sendo expulsos do próprio palanque da insensatez, aliás, elas –, as vivandeiras, não se dão conta que também são brasileiras.

    Assim, o Brasileiro é único no mundo, gosta de futebol e não gosta de rixa, tem compaixão pelo outro e tem pavor do ódio, gosta de conversa e não gosta de briga, gosta do contraditório, mas não gosta de discussão.

    Concluindo, o interesse do capital estrangeiro seus agentes etc., necessariamente, não é o mesmo interesse do Brasil, sejamos todos, portanto, nacionalistas, por exemplo como os militares.

  11. Beraldo disse:

    Sr. Jayme Mello,

    Invejável e admirável a sua capacidade de discorrer, serenamente, sobre a secular bipolaridade a que o Mundo está submetido, a mercê de estratégias expansionistas, ora de uns ora de outros, independentemente da linha político-ideológica. Confesso que desconhecia as referências do Marechal Castelo Branco sobre “as vivandeiras dos quarteis” e à “guerra fria e suas nuances”. Interessaram-me sobremaneira e vou até pesquisar a respeito. Sem falsa modéstia, parabéns!

  12. Maria Siqueira disse:

    Meus queridos jornalista da classe média ou alta a verdade é uma só e visível para classe C e D do País vocês têm é medo de nós os pobres passar na frente de vocês como já está acontecendo. Vocês estão perdendo no mercado interno e externo .Isto está bem claro para quem vive com os brasileiros. A nossa atual presidenta não cometeu nenhum crime contra a sociedade enquanto seu amiguinhos de outros partidos políticos somam +ou – 353 corruptos e o nome de Lula e Dilma não está na lista que atualmente os Juízes de nosso país não querem que a população fique sabendo .É lógico todos devem ao País inclusive os anteriores presidentes antes do PT assumir a Nação que se encontrava em decadência total .Só quem viveu pode contar o nosso desespero para sobreviver com uma moeda que não valia nada dentro e fora do País
    Agora só me diz uma coisa caro jornalista por que Cunha não está na cadeia porque que querem a retirada de quem tanto fez bem ao seu País .A resposta é simples querem o comando para roubar mais e se aprovetarem do que Dilma conquistou para o País como o Brics e o crescimento econômico do país .Você frequenta super mercados. Você já o quanto classe A gasta em viagens para o exterior e interior do Brasil
    Você tem noção de quanto a classe C e D tem crescido no Brasil. Não vocês não devem ter noção porque para vocês tudo cai do céu . Mas Justiça Jesus o Cristo é certa se vocês derem o golpe o caminho do Brasil está trassado no plano espiritual Superior .Espero e aguarde povo ingrato e corrupto.beijos Maria Siqueira

  13. JOZELIO RODRIGUES DE ALMEIDA disse:

    Jozelio Rodrigues de Almeida.

    Quero aqui deixar a minha opinião, eu depois que me entendi como ser humano e comecei a entender o que é política, quero deixa bem claro que antes do governo do PT vi no Jornal Nacional MÃES DE FAMÍLIA cozinhando papelão pros filhos comer por que não tinha outra coisa, e vi também um reporte fazer uma pergunta pra uma mulher Baiana o que faria pro almoço a pobre mulher não respondeu, pois não tinha nada pra comer na quele dia. E então quero lembrar para os historiadores do Brasil que todos aqueles que defende a classe pobre sempre foi assim, foi assim com, TIRA DENTES QUE LUTOU PELA LIBERDADE DO BRASIL, FOI ASSIM COM CASTELO BRANCO, E PRA não estender muito foi assim com o nosso Salvador JESUS CRISTO QUE NASCEU EM FAMÍLIA POBRE A ELITE NÃO ACEITOU, e perseguiram e até mataram e assim será com qualquer um que defender a classe humilde. Pois do governo do PT PARA OS DIAS DE HOJE, OS HUMILDES SOUBERAM O QUE VIVER. AMANHECER SABENDO O QUE VAI COMER NO ALMOÇO COMO TAMBÉM NA HORA DO CAFÉ E NA HORA DO JANTAR, COMPRA UMA MUDA ROUPA BOA OU MELHOR PODER SE VESTIR COMO CIDADÃO COMPRA, DE UM RELÓGIO ATÉ UM CARRO SE ASSIM INTERESSAR, É ISSO QUE É VIVER É ISSO QUE SER GENTE, É ISSO É QUE É SE SENTIR UM SER HUMANO, VIVER NA SOCIEDADE DE IGUALDADE, SOCIAL, E ISSO QUE O POVO BRASILEIRO QUER E PRECISA PRA VIVER.

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