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CIDADE OLÍMPICA

Economist: ‘Rio está em decadência desde 1960’

Cidade ainda não superou o golpe da perda do status de capital nacional, diz revista

Economist: ‘Rio está em decadência desde 1960’
Apenas 11% dos cariocas moram na Zona Sul e 22% nas favelas. A maioria se espalha pelas zonas norte e oeste (Foto: Pixabay)

A prolongada trajetória de decadência da cidade do Rio de Janeiro, sede das Olimpíadas deste ano, é tema de uma reportagem contundente da revista Economist esta semana. Embora não seja possível antecipar se os Jogos Olímpicos irão deslumbrar ou decepcionar, para a revista uma coisa é certa: o evento não conseguirá impedir que o Rio continue em sua longa espiral de declínio.

Segundo um levantamento divulgado em setembro do ano passado e citado na reportagem, 56% dos cariocas gostariam de se mudar, comparado a 27% em 2011.

A Economist diz que os problemas do Rio começaram na década de 1960, quando a cidade deixou de ser a capital do país, que mudou-se para Brasília. Quarenta anos antes o Rio já tinha perdido a liderança industrial para São Paulo, cidade com mais espaço e mais imigrantes. “A perda do status de capital foi um golpe do qual a cidade ainda não se recuperou”, diz a revista.

Mesmo depois que funcionários públicos começaram a migrar para Brasília, os cariocas ainda acreditavam que ministérios importantes permaneceriam na cidade. Afinal, quem seria louco a ponto de trocar a cidade maravilhosa por uma savana árida no meio do nada? Depois do êxodo, o Rio prosperou durante um curto espaço de tempo como a cidade-estado da Guanabara, mas logo foi incorporado às regiões mais pobres do estado do Rio de Janeiro.

Hoje, apenas 11% dos cariocas moram na Zona Sul e 22% nas favelas. A grande maioria ocupa feios apartamentos da zona norte e oeste, diz a revista. Cerca de dois milhões de moradores dessas periferias gravitam para o centro da cidade diariamente atrás de trabalho.

Quase todas as agências federais já tinham sumido da cidade na década de 1980. Desde então, a importância do Rio para a economia do Brasil tem diminuído progressivamente. A cidade nunca conseguiu encontrar uma nova vocação para substituir os setores financeiro e burocrático que a desertaram.

Cultura não substituiu comércio, diz a Economist. Embora a Bossa Nova tenha nascido nas praias do Rio na década de 1950, desde então a cidade se tornou “sufocante”, diz a reportagem, citando a opinião do cantor Caetano Veloso, pai do Tropicalismo surgido em São Paulo “porque o Rio era blasé demais”.  Abençoados por belezas naturais e petróleo, “os cariocas não plantam, eles só colhem”, disse à revista o escritor Ruy Castro.

A Economist atribui a atitude complacente da cidade à política, afirmando que o status de capital nacional prejudicou suas instituições porque presidentes nomeavam seus prefeitos e o senado podia reverter qualquer uma de suas decisões. Prefeitos preenchiam cargos com filhos de senadores, perpetuando o nepotismo que o Rio até hoje não conseguiu erradicar.

Sucesso nos Jogos pode até levantar o humor pessimista do Rio, diz a revista, mas isso não será suficiente.

“Seu cenário deslumbrante faz as pessoas querem vir, mas será preciso combater o crime de forma mais inteligente, melhorar a gestão fiscal e os serviços públicos para que a maioria queira ficar. Até seus líderes providenciarem isso, o Rio não será uma grande cidade, apenas um ótimo cenário para colocar uma.”

 

 

 

Fontes:
The Economist - Not yet medal contenders

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3 Opiniões

  1. helo disse:

    Cidades belas mesmo quando em decadência podem se renovar como Nova York e Chicago e encontrarem uma novas identidades e tiverem bons políticos gestores. A vocação para o petróleo sofreu um duro golpe com a demagógica distribuição dos royalties e o desmonte da Petrobrás. Foi um erro o Rio deixar de ser o estado da Guanabara para se tornar capital do estado, prejudicando também Niterói.

  2. Fernando Sobral da Cruz disse:

    Fernando Sobral da Cruz, 4 de agosto de 2016

    E verdade, mas, o Rio de certa forma está se re-reinventando, principalmente no centro. Estive lá há pouco e verifiquei que a Praça Mauá é outra, hoje após a derrubada do viaduto, com plena vista para o mar, o Museu do Amanhã, a área arborizada no porto e outras. Penso, que, igual somente houve há mais de um século com o prefeito Pereira Passos. Porém, o mais importante é, que, a alma do Rio permanece e, o Rio é uma cidade com alma. Toda bela cidade é assim, merece investimentos para ser tornada mais bela, com foi Paris, a mais bela de todas em todo o mundo, com o prefeito do Sena nos anos 1852/1870 o famoso Barão Georges Haussmann.

  3. Rogerio Faria disse:

    Não há dúvidas que cidades podem se reinventar, porém votando do jeito que o povo vota, fica difícil. Moreira Franco, Garotinho e Rosinha, Sergio Cabral, Pezão, etc. Aí fica difícil.

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