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‘ÁRDUA BATALHA’

‘Economist’ traça panorama da campanha de Haddad

Revista britânica apresenta Haddad como uma opção melhor que Bolsonaro, mas diz que sua campanha esbarra no antipetismo

‘Economist’ traça panorama da campanha de Haddad
‘Comparado com Bolsonaro, Haddad é uma figura reconfortante’, diz revista (Foto: Agência Brasil)

Um artigo publicado na mais recente edição da revista Economist, traçou um panorama do segundo turno da eleição presidencial do Brasil.

Intitulado “O único homem que pode impedir que Bolsonaro se torne presidente do Brasil”, o artigo analisa o perfil dos dois candidatos ao Palácio do Planalto e aponta que, apesar dos erros cometidos pelo PT, Fernando Haddad (PT) é uma opção melhor que seu adversário, Jair Bolsonaro (PSL).

O texto inicia citando um artigo da colunista Maria Cristina Fernandes, do jornal Valor Econômico, que destaca que uma eventual vitória do candidato do PSL seria majoritariamente fruto do antipetismo, “que parece ser o maior partido do país”.

A revista, em seguida, destaca que a atual rejeição ao PT é compreensível. Durante a gestão de Lula (2003-2011), o país experimentou crescimento econômico e reduziu os níveis de pobreza. Porém, o texto lembra que a gestão de sua sucessora, Dilma Rousseff (2011-2016), foi desastrosa e coincidiu com investigações da Operação Lava Jato, que acabaram por resultar na prisão de Lula.

No entanto, a revista ressalta que o antipetismo é anterior à Lava Jato – que também atingiu outros partidos – e ressalta que Lula é visto por alguns setores como semianalfabeto. Tais setores são receptivos à mensagem de Bolsonaro, que afirma que o PT transformaria o Brasil em uma Venezuela. Segundo a revista, “essa é uma leitura errada tanto do partido quanto de seu candidato”.

“O PT não tem credenciais democráticas impecáveis, mas sempre jogou sob as regras do sistema democrático”, diz, em entrevista à revista, Sérgio Fausto, diretor da Fundação FHC, think tank criado por Fernando Henrique Cardoso.

“Comparado com Bolsonaro, que insulta minorias e gosta de ditaduras – contanto que elas sejam de direita – Haddad é uma figura reconfortante. Embora seu partido seja de esquerda, ele é moderado. Ex-professor, com mestrado em Economia, doutorado em Filosofia e graduação em Direito, ele foi ministro da Educação no governo Lula. Haddad nomeou reitores de universidades com base em mérito, em vez de conexões políticas – uma novidade na política – e desenvolveu maneiras de elevar o número de matrículas de pobres e não brancos. Como prefeito de São Paulo, entre 2013 e 2016, ele reduziu o déficit orçamentário e garantiu à cidade grau de investimento [concedido em 2015, pela agência Fitch]. Mas ele irritou motoristas ao abrir mais espaço para ciclistas e pedestres na cidade. Para eleitores pobres, ele pareceu distante e professoral. Em sua tentativa de reeleição em 2016, ele foi descartado”, diz o texto.

O artigo, em seguida, lembra que na maior parte de sua campanha este ano, o PT falou principalmente para sua base eleitoral, pobres com boas lembranças do governo Lula, e foram esses eleitores que garantiram a chagada de Haddad ao segundo turno. Porém, isso lembrou a outros eleitores o porquê da rejeição ao PT. Somado a isso, está a demora em reconhecer erros e o temor de que o PT vai parar a Lava jato.

O texto finaliza afirmando que, após chegar ao segundo turno, Haddad passou a falar de erros passados, sua campanha trocou o vermelho por verde e amarelo em pôsteres e alterou partes de seu programa de governo. Além disso, Haddad passou a destacar que Dilma jamais impediu as investigações da Lava Jato.

“Mas Haddad e o PT deixaram para tarde demais convencer os eleitores de que aprenderam com os erros. Como resultado, o Brasil está pronto para eleger um presidente que representa uma ameaça real à jovem democracia do país”, finaliza o artigo.

 

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