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Seca

Em São Paulo, medidas contra desperdício de água chegam com atraso

Multas para ‘gastões’ e ‘kit economizador’ tentam amenizar meses de falta de água

Em São Paulo, medidas contra desperdício de água chegam com atraso
Área, do reservatório Cantareira, antes alagada. (Divulgação/ Davi Ribeiro/ Folhapress)

Na última quinta-feira, 18, o governador de São Paulo, Geraldo Ackmin, anunciou a aplicação de multa para quem aumentar o consumo de água na capital e em 30 cidades da região metropolitana, a partir de janeiro. Entretanto, a medida vem com atraso, num momento no qual a situação dos reservatórios que abastecem a região se agrava a cada dia.

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O sistema de reservatório Cantareira, que abastece 6,5 milhões de pessoas, caiu para 7,1% da sua capacidade. Neste momento, em 2013, ele está pela metade. Já o Alto Tietê, que abastece 4,5 milhões de pessoas, chegou a sua reserva estratégica nesta semana, como aconteceu com a Cantareira em maio. De acordo com um centro de monitoramento de desastres do país, se chover menos da metade da média de longo prazo nos próximos meses, a Cantareira vai secar até julho.

Paulista consome mais água que europeu

Segundo a revista Economist, a seca não é culpa dos líderes de São Paulo, mas eles são responsáveis pela gravidade das suas consequências. O investimento ficou aquém das necessidades da região. Geraldo Alckmin, que estava engajado com a reeleição como governador (e ganhou) não tomou medidas eficazes frente à situação dos reservatórios, que secavam em ritmo acelerado. O morador da cidade de São Paulo ainda consome cerca de 200 litros de água por dia, bem acima dos 150 litros que é gasto em grande parte da Europa. E apenas agora que os políticos estão levando a crise a sério.

Segundo Carlos Nobre, da Academia Brasileira de Ciências, a cidade de São Paulo cria uma “ilha de calor”, o que pode reduzir as chuvas nas suas imediações, onde a maioria dos reservatórios se encontra. Por causa do desmatamento, a água que deveria ser capturada pelas árvores e canalizada para os reservatórios, agora está perdida em deslizamentos de terra.

Em fevereiro, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) começou a oferecer desconto para as pessoas que cortaram seu consumo em pelo menos 20% do seu uso de 2013. Essa medida, combinada com a redução de pressão de água para limitar perdas provenientes de vazamentos e com campanhas de conscientização, levou a uma queda de 17% no consumo. Mas antes da eleição, a Sabesp tinha evitado qualquer coisa que parecesse com racionamento. Como resultado, um paulistano a cada quatro usa mais água agora do que em 2013.

A multa anunciada pelo governador deve chegar na conta dos paulistanos em fevereiro. Os valores dos acréscimos na conta serão de 20%, para quem consumir até 20% mais em relação à média do ano passado, e de 50%, para quem ampliar o consumo além desse limite. A medida recebeu aprovação da Agência Reguladora de Saneamento e Energia (Arsesp). A meta do governo para redução de consumo é de 2,5 mil litros de água por segundo, ou 4,25% do consumo total. “Seria o equivalente ao abastecimento de 700 mil famílias”, afirmou o governador em matéria publicada na última quinta-feira, 17, no Estado de S. Paulo.

Apesar da sobretaxa, Alckmin afirmou que não vai decretar racionamento no estado. O governo também vai ampliar a duração do programa de bônus, nos moldes atuais, com descontos de até 30%, até o fim de 2015. Além disso, os clientes da Sabesp vão receber um “kit economizador”, com dispositivos que devem ser instalados nas torneiras das casas para reduzir a saída de água. Basta saber se as medidas serão eficientes para prevenir um desastre pior.

 

Fontes:
The Economist- Reservoir hogs
Estado de S. Paulo-Alckimin confirma multa e lança kit contra desperdício de água

1 Opinião

  1. Joma Bastos disse:

    Há que captar água para o futuro consumo da população.

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