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ELEIÇÕES 2018

Em vídeo, filho de Bolsonaro fala em ‘fechar STF’ e gera reações

Eduardo Bolsonaro afirmou que, 'se quiser fechar o STF, você não manda nem um jipe, manda um soldado e um cabo'

Em vídeo, filho de Bolsonaro fala em ‘fechar STF’ e gera reações
Bolsonaro disse que alguém tirou a declaração do seu filho de contexto (Fonte: Reprodução/Agência Brasil)

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Em um vídeo que começou a circular neste final de semana nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro, que foi eleito deputado federal por São Paulo e que é filho do candidato à presidência Jair Bolsonaro, afirmou que “se quiser fechar o Supremo Tribunal Federal (STF), você não manda nem um jipe, manda um soldado e um cabo”.

A declaração, gravada durante uma palestra feita por Eduardo Bolsonaro antes do primeiro turno das eleições presidenciais, gerou reações. Questionado se o Exército poderia agir sem ser invocado caso o seu pai fosse impedido de assumir a presidência por alguma decisão do STF, Eduardo Bolsonaro disse ainda: “O que é o STF? Tira o poder da caneta de um ministro do STF, o que ele é na rua? Se você prender um ministro do STF, vai ter uma manifestação a favor dos ministros do STF com milhões na rua?”.

Em uma conversa com jornalistas no último domingo, 21, Jair Bolsonaro disse que “se alguém falou em fechar o Supremo Tribunal Federal (STF), precisa consultar um psiquiatra”. O presidenciável ressaltou que desconhece o vídeo com as declarações do filho e que alguém tirou a declaração de contexto.

No vídeo, Eduardo Bolsonaro disse ainda que se o STF impugnar a candidatura de Jair Bolsonaro “terá que pagar para ver o que acontece”.

O deputado federal afirmou neste domingo nas redes sociais que apenas respondeu a uma “hipótese esdrúxula”  e que jamais acreditou nessa possibilidade. Ainda de acordo com Eduardo Bolsonaro, ele apenas contou uma brincadeira que diz ter ouvido na rua e que não teve a intenção de atingir ninguém.

Em seu perfil no Twitter, o ex-presidente Fernando Henrique afirmou que “as declarações do dep. E. Bolsonaro merecem repúdio dos democratas. Prega a ação direta, ameaça o STF. Não apoio chicanas contra os vencedores, mas estas cruzaram a linha, cheiram a fascismo. Têm meu repúdio, como quaisquer outras, de qualquer partido, contra leis, a Constituição”.

Respostas dos ministros

Questionada sobre o vídeo, a presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Rosa Weber, – que também integra o STF – disse que teve conhecimento e que “o vídeo já foi desautorizado pelo candidato. De qualquer sorte, o que eu tenho a registrar, embora não sendo presidente do Supremo Tribunal Federal e sim do Tribunal Superior Eleitoral, que no Brasil as instituições estão funcionando normalmente e juiz algum no Brasil… os juízes todos no Brasil honram a toga e não se deixam abalar por qualquer manifestação que eventualmente possa ser compreendida como de todo inadequada”.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, pediu, nesta segunda-feira,22, que a Procuradoria-Geral da República (PGR) investigue a afirmação de Eduardo Bolsonaro, que qualificou como “débil”, como crime previsto na Lei de Segurança Nacional.

“É algo inacreditável que no Brasil, no século XXI, com 30 anos da Constituição, ainda tenhamos que ouvir tanta asneira de um representante público. Uma das frases totalmente mais atuais, de Thomas Jefferson, é que o preço das instituições funcionando. O preço da democracia é a eterna vigilância”, afirmou o ministro, segundo noticiou o portal G1.

O presidente do STF, ministro Dias Toffoli, por sua vez, preferiu não se alongar a respeito da declaração de Eduardo Bolsonaro. Segundo noticiou a Folha de São Paulo, Toffoli destacou a importância do trabalho do mais alto tribunal de Justiça do Brasil.

“O Supremo Tribunal Federal é uma instituição centenária e essencial ao Estado Democrático de Direito. Não há democracia sem um Poder Judiciário independente e autônomo”, afirmou o presidente do STF.

O ministro Celso de Mello, por outro lado, foi mais crítico em suas afirmações. Integrante do STF, Celso de Mello categorizou a declaração de Eduardo Bolsonaro como “inconsequente e golpista” e destacou que “votações expressivas do eleitorado não legitimam investidas contra a ordem político-jurídica” da Constituição.

“Essa declaração, além de inconsequente e golpista, mostra bem o tipo (irresponsável) de parlamentar cuja atuação no Congresso Nacional, mantida essa inaceitável visão autoritária, só comprometerá a integridade da ordem democrática e o respeito indeclinável que se deve ter pela supremacia da Constituição da República!!!!”, escreveu o ministro para a Folha de São Paulo.

Fontes:
G1 - Em vídeo, filho de Bolsonaro diz que para fechar o STF basta 'um soldado e um cabo'
EBC - Bolsonaro diz que não existe ameaça de fechar Supremo

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1 Opinião

  1. Leonardo disse:

    Uma besta. O pai dele não merece.

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