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EM DAVOS

Embargo ao frango pode ser represália ao Brasil, diz líder árabe

Ex-secretário-geral da Liga Árabe Amr Moussa diz que a imagem do país está ferida no mundo árabe por conta da decisão de mudar a embaixada em Israel

Embargo ao frango pode ser represália ao Brasil, diz líder árabe
(Foto: Twitter/The National)

A imagem do Brasil está ferida perante o mundo árabe por conta da decisão do presidente Jair Bolsonaro (PSL) de mudar, de Tel Aviv para Jerusalém, a Embaixada do Brasil em Israel. Foi o que disse o ex-secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, em uma conversa com jornalista do Valor Econômico, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.

“Fere a imagem internacional do Brasil. Enxergamos o Brasil com muita estima. Rezamos pelo sucesso do novo governo, mas ele não deveria começar alienando 300 milhões de pessoas”, disse Moussa.

Moussa comandou, de 2001 a 2011, a Liga Árabe – grupo composto por 22 nações de maioria muçulmana. Atualmente, ele é um dos mais proeminentes diplomatas do Oriente Médico, com grande influência na região.

Durante a conversa, ele disse considerar que a recente decisão da Arábia Saudita de suspender a compra de frango brasileiro de cinco frigoríficos pode ser entendida como uma represália à decisão do governo brasileiro. Porém, ele ressaltou se tratar de uma avaliação pessoal, sem uma análise específica do episódio.

Maior compradora de produtos de frango processado no Brasil, a Arábia Saudita importou, somente em 2018, 486,4 mil toneladas de carne de frango brasileira, um equivalente a 12% do volume total importado pelo Brasil. Se o embargo se prolongar, pode resultar em perdas de até 30% no setor.

Sobre a questão da embaixada brasileira em Israel, Moussa afirmou que a decisão de Bolsonaro de mudar a embaixada de cidade foi uma deliberação “dada de graça”, com base em “informações falsas”. Ele destacou que os árabes não têm animosidade com os judeus, mas são críticos à forma como o país trata a Palestina, através de uma política de “negar os direitos palestinos e colonizar territórios sem que haja legitimidade internacional”.

Ele disse ainda haver esperança no mundo árabe de uma reconsideração por parte do governo brasileiro, e fez um apelo ao país. “O povo árabe é um amigo natural do Brasil. Não percam a amizade do povo árabe”, disse o ex-secretário-geral.

Mousse destacou ainda que “Jerusalém é a capital de dois Estados: de Israel e da Palestina”. “Eu acredito que o novo presidente talvez reconsidere, esperamos que ele não ceda a isso”, disse o ex-secretário-geral da Liga Árabe.

Jerusalém é uma cidade considerada sagrada por judeus e muçulmanos, um santuário para as três maiores religiões monoteístas do mundo: islamismo, cristianismo e judaísmo. Ela é reivindicada como capital por Israel e pela Palestina.

Atualmente, a grande maioria dos países com embaixadas em Israel mantêm suas sedes em Tel Aviv por respeito à convenção internacional de que a disputa pela cidade como capital ainda não foi resolvida.

No caso dos Estados Unidos, em 1995, o Congresso americano aprovou uma lei que determina a mudança da embaixada americana para Jerusalém. Porém, por mais de duas décadas, todos os presidentes americanos se negaram a sancionar a lei, optando pela resolução do impasse por vias diplomáticas. Tal cenário mudou em dezembro de 2017, quando Trump decidiu colocar a lei em vigor, em meio a críticas de parlamentares republicanos e democratas e da comunidade internacional. A medida simbolizou o rompimento com um princípio de política externa de longa data de Washington.

Em novembro do ano passado, logo após ser eleito, Bolsonaro – que tem em Trump uma inspiração – afirmou ao jornal israelense Israel Hayom que está decidido em seguir os passos do presidente americano e irá transferir a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém.

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