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Empreender pode ser o maior obstáculo para Bolsa Família

Presidente do Sebrae Nacional, Luiz Barretto, quer transformar participantes do programa em microempreendedores. Por Layse Ventura

Empreender pode ser o maior obstáculo para Bolsa Família
Famílias que não ultrapassarem renda mensal de R$ 140 continuarão com benefício (Reprodução/Internet)

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Beneficiários do Bolsa Família podem se transformar em empreendedores nos próximos anos. A meta do presidente do Sebrae Nacional, Luiz Barretto, é formalizar 400 mil pessoas até 2014, fim do mandato da presidente Dilma Rousseff. Para isso, o governo vai utilizar o programa Empreendedor Individual, que visa facilitar a inserção dos cidadãos no mercado de trabalho legal.

O foco do programa Empreendedor Individual para o Bolsa Família é formalizar aqueles que já trabalham por conta própria com faturamento anual de até R$ 60 mil. Por meio de um pagamento mensal diferenciado, o cidadão adquire CNPJ, tem cobertura previdenciária e assistência técnica gratuita do Sebrae. As famílias que não ultrapassarem a renda mensal de R$ 140 por pessoa continuarão recebendo o benefício.

A ação do governo é vista como positiva para Simara Greco, coordenadora de projetos no  Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP) e responsável no Brasil pelo Global Entrepeneurship Monitor (GEM). “A iniciativa é promissora, pois redireciona pessoas dependentes de um benefício assistencial para a condição de conquistar o próprio sustento na formalização de um negócio próprio”, explica ao Opinião e Notícia.

O GEM produz anualmente um relatório sobre o empreendedorismo ao redor do mundo. Em 2011, foram entrevistados mais de 140 mil adultos, entre 18 e 64 anos, em 54 economias. Para promover melhor o empreendedorismo, o relatório aponta que o países como o Brasil deveriam investir em quatro pontos estratégicos: na educação de base, na saúde, na infraestrutura pública e na estabilidade macroecônomica.

A infraestrutura e educação precárias brasileiras também foram destaque do ranking de competividade produzido pelo Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês). Em 2011, o país ficou na 58ª posição em um levantamento que avaliou 139 nações. Um dos piores resultados do Brasil foi em educação: 106º lugar em educação primária e 97º em qualidade do Ensino Superior.

E não é de hoje que a educação brasileira é foco de rankings mundiais. O Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA, na sigla em inglês) avalia os conhecimentos da língua-mãe, de matemática e ciências em jovens de 15 anos ao redor do mundo desde 2000. Na primeira avaliação, o Brasil ficou entre as cinco piores colocações de cerca de 40 participantes, com uma pontuação de 396 – a frente apenas de Macedônia, Indonésia, Albânia e Peru. Em 2009, o país ficou no 53º lugar de 65 economias avaliadas, com 412 pontos.

Para João Galvão Bacchetto, gerente nacional do PISA, a educação brasileira vem avançando muito nos últimos anos, o que afeta diretamente o empreendedorismo. “Esse crescimento é fundamental para obter jovens empreendedores, atividade que requer planejamento, estratégia, conhecimento e muitas outras qualidades que a escola pode proporcionar”, diz. “O empreendedor com poucos recursos educacionais pode ter limitada sua área de atuação caso não consiga compensar com outras qualidades os atributos que não adquiriu no sistema escolar”, conclui.

Em um primeiro momento, o Sebrae apenas mapeou os beneficiários do Bolsa Família que já participam do Empreendedor Individual. Foram identificados quase 103 mil integrantes do programa que se legalizaram – de um total de 1,9 milhão formalizados até 2011.

O próximo objetivo é conscientizar os outros participantes do programa de transferência de renda a se formalizarem. Larissa Meira, assessora de imprensa do Sebrae, enumera os benefícios da legalização: “As pessoas que se formalizarem vão ter um CNPJ, o que ajuda a emitir nota fiscal e participar de licitações. Além disso, contribuem para a Previdência, garantindo não apenas a aposentadoria, como o direito a licença maternidade. E ainda vão ter acesso aos cursos de capacitação oferecidos pelo Sebrae para empreender o seu negócio”, esclarece.

O atendimento do Sebrae pode ser o mais importante para garantir o sucesso do empreendimento. Segundo pesquisa da instituição, publicada em 2011, uma em cada quatro micro e pequenas empresas fechou em menos de dois anos. De acordo com Simara, os riscos de os integrantes do Bolsa Família fecharem seus negócios é mais baixo. “A maioria dos pequenos empreendedores brasileiros inicia seus negócios com recursos próprios ou de familiares. Portanto, de maneira geral, no início não sofre tão diretamente com as dificuldades para obtenção de financiamento de fontes formais”, diz. “O sucesso desse negócio vai depender muito do planejamento e da forma como ele é gerenciado. Nesse sentido é muito importante que o empreendedor possua ou adquira conhecimento e habilidades no assuntos ligados a planejamento e gestão”.

A iniciativa pode se revelar recompensadora, mas os desafios são inúmeros. A falta de qualificação da mão-de-obra brasileira é apontada, recentemente, como vilã por empregadores e pode se tornar mais um obstáculo a ser superado logo adiante. O acesso desigual à educação nas regiões brasileiras e os níveis de escolaridade díspares podem dificultar o nascimento e a sobrevivência de determinados empreendimentos. Não menos importante, a mentalidade dos brasileiros – participantes ou não do Bolsa Família – pode ser um fator decisivo para o sucesso dessa ação.

Caro leitor,

Você considera que o desafio dos empreededores no Brasil é a falta de estrutura ou uma questão de mentalidade?

Você acredita que esta iniciativa anunciada pelo Governo junto ao Sebrae pode se tornar uma porta de saída dos beneficiários do programa Bolsa Família?

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14 Opiniões

  1. Ana Oliveira disse:

    Sr. Luiz Barretto, parabéns pela iniciativa.
    Até que enfim alguém pensa neste país, abaixo o assistencialismo hipócrita da bolsa miséria do Lula, precisamos é de trabalho, programas de desenvolvimento que atinjam as camadas da nossa sociedade.

  2. Luiz Cezar Marinho disse:

    O Brasil já é considerado o país mais empreendedor segundo o GEM 2010. Já somos o terceiro país que mais cria empresas no mundo. Concordo que falta estrutura, educação empreendedora e ensino limitado que era dado antigamente e se arrasta em algumas escolas. Mas a cultura empreendedora já existe. E desses que recebem bolsa família,muitos já empreendem sem legalização. Incentivar o empreendedorismo é buscar uma solução de transformar a economia e a sociedade. De forma mais natural e avassaladora.

  3. João Carlos disse:

    O empreendedorismo pode e deve ser usado como uma das alternativas, além dos cursos profissionalizantes, a quem já pode abrir mão do bolsa família.

    São medidas que se complementam: bolsa-família num primeiro momento, seguido de curso técnico profissionalizante ou, ainda, incentivo ao empreendedorismo.

  4. Nelson Junior disse:

    Esse programa do Empreendedor Individual foi uma ótima sacada. Graças a este programa estou conseguindo representantes e revendedores em várias localidades do Brasil para revender o meu produto de Acessibilidade, Libras e Braille.

  5. kão disse:

    Tudo isso tem um solução simples, à vista de qualquer um que nãos eja político: baixar os impostos, parar ou racionalizar o assitencialismo e DEIXAR OS BRASILEIROS TRABALHAREM E VIVEREM DO SEU TRABALHO!
    Quantos dias por ano se trabalha para sustentar congressista vagabundo? Para ver o dinheiro escoando com água suja em obras que não tem pé nem cabeça, que só visam o voto do imbecil que nem sabe prá que a obra serve?
    Em qualquer lugar do país vemos exemplos disso.
    Tá certo, começa com o governo passando a mão na cabeça do “coitadinho”.
    Aí o coitadinho trabalha, se sente incentivado, cresce, ganha seu dinheiro (pois trabalhou e cresceu, né?) e vem o “sócio só no lucro” e garfa uma boa parte… todo ano!
    E eu pergunto: crescer, montar empresa, se legalizar… prá que?
    No Brasil, quem produz é tratado pior que bandido.
    Dá prá escerver um tratado, uma biblioteca inteira sobre este assunto. Pena que não tenho competência, tempo e espaço.
    Mas irrita, claro que irrita. Ou melhor, “PISA”. KKKKKKKKKKKKKKKKK
    Caba não, Brasil!

  6. Cassi disse:

    Uma coisa nada tem a ver com a outra. Isso é transformação em propaganda, enganam a todos.
    Quem não recebem o auxílio, a quem já recebe, ainda tem os excluídos iludidos, e os que apoiam porque recebem, agradecidos dos engraçados que pagam. Como é que um mal sustentado pode empreender em um mercado, nem para tomar dinheirinho emprestado.

  7. Rene Luiz Hirschmann disse:

    Eu acredito que essa é uma grande iniciativa do SEBRAE, ações como estas que fazem um BRASIL sair de sua condição abaixo da média, estou achando que essa iniciativa esta sendo pouco divulgada na mídia.

  8. Cassi disse:

    Para completar o abaixo enviado.
    Os sobreviventes por esforço próprio, quando melhorar no negócio próprio. Provavelmente
    serão roubados, seguido pelo processo de
    insegurança que vemos os resultados. Comércio
    de uma porta e todos os lados fechados, evitando ser roubado.

  9. isvaldo disse:

    Voces não veem que este é mais um programa do governo para se angariar votos, já basta o bolsa familia que as mulheres engravidam para receberem essa teteia, michari, a qual não da para suprir ás necessidades básicas nem delas e tão pouco das crianças imaginem agora como microempreendedoras, ai é que vão se enrolarem mais ainda, coitadas.

  10. maria de fátima cortezf disse:

    considero o desafio difícilimo de ser bem sucedido a curto prazo; a base de qualquer atividade é o conhecimento, mas nosso povão é despreparado e carente de conhecimento técnico e da escolaridade básica também; as antigas escolas industriais e as pouquíssimas escolas técnicas existentes teriam de fazer maciça preparação não só de mão de obra de execução, mas de criação também; aliás o sistema educacional todo seria melhorado se se baseasse em análises, discussões e conclusões.

  11. Victor M. Siva disse:

    “Nosso povão é despreparado e carente de conhecimento técnico e da escolaridade”.
    Pior que isto – pelo voto obrigatório – acabam elegendo pessoas despreparadas e semi alfabetizadas para cargos públicos. – Por exemplo: perguntaram ao Tiririca qual a primeira coisa que ele pretendia fazer apos tomar posse como deputado.
    Resposta: “Comprar um carro”

  12. Dinalva Tavares disse:

    Excelente proposta! Um programa de transferência de renda, como é o caso do Bolsa família no Brasil, precisa ter como premissa dois aspectos: 1. A definição de um prazo para permanência de um beneficiário – não mais que dois anos, por exemplo; 2. A definição de estratégias capazes de favorecer a melhoria da condição social e humana do beneficiário e sua saída da condição de beneficiário no menor espaço de tempo possível.

    Promover a inclusão no mercado, através da formalização como Microempreendedor Individual, junto com um acompanhamento eficaz por parte do SEBRAE, com certeza, trará benefícios incalculáveis para todos. Acredito que isso será um marco importante no resgate da cidadania do nosso povo, que padece pela falta de instrução, formação e desprovido de uma educação básica de qualidade. Parabéns pela iniciativa e faço votos que realmente seja implementada a política!!!

  13. suzzana louiz klauton disse:

    Isso é mais uma iniciativa frustada e sem sucesso de um governo sem atitude de geração de emprego,renda e bons salários onde quem sai perdendo é trabalhador que rala para ganhar uma miséria que não dá para cobrir um 10%das suas dividas e isso é uma vergonha para o Brasil e para o mundo…

  14. Reinaldo Paiva disse:

    Sim acredito nessa iniciativa do SEBRAE junto com o governo fedral, mas só funciona se tiver um acompanhamento técnico aos beneficiários, de forma responsável, dessa forma pode ser que tenha resultados possitivos, do contrário se só lançar esse programa para mostrar números do governo, fica da mesma forma de outros programas do governo federal como PRONAF, Educação de Jovens e Adultos entre outros que não funciona corretamente são apenas números.

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