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Risco de calote

Empreiteiras citadas na Lava-Jato sofrem tormenta financeira

Com dívidas prestes a vencer e sem conseguir financiamento de bancos para tocar os projetos em andamento, empresas devem pedir recuperação judicial para escapar do calote

Empreiteiras citadas na Lava-Jato sofrem tormenta financeira
Em janeiro, a OAS foi a primeira empresa envolvida no esquema a entrar com pedido de recuperação judicial (Reprodução/David Mercado/Reuters)

A Operação Lava-Jato está causando um verdadeiro tomento financeiro às empreiteiras envolvidas no esquema de corrupção da Petrobras. Com dívidas prestes a vencer e sem conseguir financiamento de bancos para tocar os projetos em andamento, as empreiteiras estudam pedir recuperação judicial para entrar em acordo com seus credores.

Analistas entrevistados pelo jornal Globo alertam que o risco de calote é iminente. Foi o que aconteceu com a OAS, que em janeiro deste ano deu um calote de R$ 130 milhões referentes a juros e dívidas com credores.

Segundo Ricardo Carvalho, diretor da agência de classificação de risco Fitch Ratings, outras empreiteiras podem ter o mesmo destino da OAS. “Quanto mais se prolongar a Operação Lava-Jato, maior é a chance de que outras empresas fiquem em situação de default (calote) e entrem com pedidos de recuperação judicial”.

As empreiteiras Mendes Júnior e a Galvão Engenharia também enfrentam sérias dificuldades. A Mendes Júnior está em situação crítica: antes do carnaval, foram demitidos 73 funcionários. Além disso, a empresa está tentando vender sua subsidiária, a Companhia de Águas do Brasil, para tirar o caixa do vermelho. A Galvão Engenharia, por sua vez, está em uma situação um pouco melhor. Segundo Carvalho, “a empresa tem bons ativos para fazer caixa”.

Já as empreiteiras Odebrecht, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez estão sendo menos afetadas. Isso porque a maioria de suas atividades e receitas vem de projetos no exterior.

Até o momento apenas uma das empreiteiras citadas na Operação Lava-Jato, a Alumini Engenharia, entrou com pedido recuperação judicial, que foi aceito pela Justiça. Mas para Fernando Zilveti, advogado e professor de direito tributário na Fundação Getúlio Vargas, a tendência é que mais empreiteiras entrem com o pedido. “Será a alternativa mais viável para ganhar tempo e negociar com credores e fornecedores. Dificilmente, conseguirão vender seus ativos a preços competitivos para fazer caixa”.

Fontes:
O Globo-Empreiteiras ligadas à Lava-Jato enfrentam dificuldades

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