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Riqueza histórica

‘Ermitão’ preserva cidade fantasma no meio da Amazônia

Localizada em meio à Floresta Amazônica, Airão Velho é uma cidade desabitada, preservada pelo japonês Shigeru Nakayama, o ‘ermitão da floresta’

‘Ermitão’ preserva cidade fantasma no meio da Amazônia
Nakayama preserva as ruínas locais e impede que a vegetação tome conta do que restou da cidade (Foto: Reprodução/NYT)

Airão Velho é uma cidade fantasma escondida sob a densa vegetação da Floresta Amazônica. Completamente desabitada, ela é vigiada por Shigeru Nakayama, um imigrante japonês de 66 anos.

Conhecido pelos turistas locais como o “Ermitão da Floresta”, Nakayama preserva as ruínas locais e impede que a vegetação tome conta do que restou da cidade, que fica no estado do Amazonas. Ele mora em um casebre, onde criou uma espécie de museu pessoal, com mapas e pinturas antigas de Airão Velho em seu auge.

A cidade foi erguida em 1694, às margens do Rio Negro, por missionários portugueses, e inicialmente foi chamada de Santo Elias do Jaú. Ela é mais antiga do que as mineiras Ouro Preto e São João del Rei, cidades coloniais criadas no século XVIII. O nome atual foi dado após a independência, em 1822.

Airão Velho teve seu auge no final do séc. XIX e início do séc. XX, durante o ciclo da borracha. Na época ela era rigidamente controlada pela família Bezerra. “Eles eram a lei aqui”, diz Nakayama, enquanto exibe um rifle antigo preservado em seu museu.

Naquele período, a cidade tinha grandes casarões coloniais e era habitada por ricas famílias. Com a decadência do ciclo da borracha, os moradores começaram a deixar a cidade, que anos depois ficou totalmente desabitada.

Atualmente, Nakayama é o principal encarregado da preservação local. O imigrante veio para o Brasil na década de 1960, quando a guerra devastou a economia japonesa. “Éramos agricultores, tentando seguir em frente. O Brasil era a terra dos sonhos”.

Após passar um tempo em São Paulo, Nakayama decidiu que a cidade não era o seu lugar. “A cidade não combinava comigo, e eu não combinava com a cidade”, diz Nakayama. Enquanto seus irmãos prosperavam na capital paulista, Nakayama foi para o Amazonas onde morou em uma comunidade de camponeses. A criação de um parque nacional obrigou os moradores a deixar o local.

Foi então que, em 2001, Nakayama foi convidado para cuidar de Airão velho por um descendente da família Bezerra. Em alguns dias da semana ele usa a pensão que recebe do governo para comprar suprimentos na cidade vizinha de Novo Airão, onde aproveita para visitar amigos.

Nakayama sabe que cuidar da cidade é um trabalho árduo, mas diz que tem prazer em fazê-lo. “Durante séculos, pessoas viveram e morreram em Airão Velho. Eles foram verdadeiros pioneiros e eu devo honrar a memória deles preservando esse local. É uma questão de respeito”.

Fontes:
The New York Times-‘Hermit of the Jungle’ Guards a Brazilian Ghost City Rich in History

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