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ELEIÇÕES 2018

Escalada da intolerância nas ruas ganha repercussão na mídia

Foram registrados pelo menos 70 casos de agressões e ameaças nos últimos dez dias no país

Escalada da intolerância nas ruas ganha repercussão na mídia
Moa do Katandê foi assassinado na madrugada da última segunda-feira, 8 (Fonte: Reprodução/Facebook de Moa do Katandê)

A escalada da truculência e da intolerância nas ruas em meio à campanha presidencial vem ganhando cada vez mais destaque na mídia e nas redes sociais.

Em uma matéria intitulada “O ódio chega às ruas”, o portal Terra aponta que, segundo um levantamento feito pela Agência Pública em parceria com a Open Knowledge Brasil, foram registrados pelo menos 70 casos de agressões e ameaças nos últimos dez dias em 18 estados brasileiros e no Distrito Federal.

Ainda segundo o levantamento, deste total, 50 casos são atribuídos a apoiadores do candidato Jair Bolsonaro (PSL); seis registros são de ataques contra apoiadores de Bolsonaro; e outros 15 ainda apresentam situação indefinida.

O levantamento leva em conta situações registradas a partir do dia 30 de setembro, com um aumento expressivo das ocorrências desde o último domingo, 7, quando foi realizado o primeiro turno das eleições presidenciais.

Assassinato em Salvador 

Um dos casos que mais ganhou repercussão na mídia e nas redes sociais foi o do assassinato de um mestre de capoeira em um bar de Salvador após ele ter manifestado preferência pelo PT. O crime ocorreu na madrugada do dia 8 de outubro.

A reportagem do Terra ressalta que entre os grupos que têm aparecido em evidência como vítima dos ataques políticos recentes estão a comunidade LGBTI e as mulheres.

Suástica em Porto Alegre

Nesta quarta-feira, 10, as redes sociais foram inundadas com a imagem de uma mulher com uma suástica riscada em sua pele. O caso ocorreu em Porto Alegre. Segundo relatos, a jovem diz que estava com uma camisa do movimento #EleNão quando foi abordada e agredida por três homens que desenharam o símbolo em sua barriga com um canivete.

Em entrevista à Rádio Gaúcha, o delegado titular da 1ª Delegacia de Porto Alegre afirmou que tem absoluta convicção de que o símbolo não é uma suástica e que se trata de um símbolo milenar religioso budista, de amor, paz e harmonia.

Atropelamento em Salvador

Entre os casos praticados contra apoiadores de Bolsonaro está o de um professor da Universidade do Recôncavo Baiano que atropelou comerciantes que vendiam camisetas do candidato do PSL.

Questionado nesta quarta-feira, 10, por jornalistas sobre o caso do assassinato do mestre de capoeira em Salvador, o candidato Jair Bolsonaro respondeu: “Será que a pergunta não tinha que ser invertida? Quem levou a facada fui eu. Um cara lá que tem uma camisa minha, comete lá um excesso, o que que eu tenho a ver com isso? Eu lamento […] Peço ao pessoal que não pratique isso. Mas eu não tenho controle sobre milhões e milhões de pessoas que me apoiam. Agora, a violência vem do outro lado, a intolerância vem do outro lado. Eu sou a prova – graças a Deus, viva – disso daí”.

Também nesta quarta, Bolsonaro escreveu em sua conta no Twitter: “dispenso o voto e qualquer aproximação de quem pratica violência contra eleitores que não votam em mim. A este tipo de gente peço que vote nulo ou na oposição por coerência, e que as autoridades tomem as medidas cabíveis, assim como contra caluniadores que tentam nos prejudicar”.

O candidato à presidência pelo PT, Fernando Haddad, também se manifestou contra a violência nas ruas: “Estamos conversando com todas as forças que queiram conter a barbárie, que está em escalada no país. Nós temos que botar um fim nessa violência. É demais o que está acontecendo […] Estamos recebendo mensagem de atos de violência em todo o país, alguns chegam à imprensa, outros não, além da continuidade das mentiras pelo WhatsApp e pelo Facebook. Isso precisa parar. Violência não se responde com violência”.

Fontes:
G1 - Bolsonaro e Haddad fazem apelo contra violência na campanha
Terra - O ódio chega às ruas
EBC - Bolsonaro diz que não tem controle sobre atos violentos de apoiadores

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1 Opinião

  1. Jeffwerson Tavares disse:

    Por isso que procuro não mais entrar em discussão, pois a intolerância e ignorância está assolando o país. Minha vida vale muito mais que isso, podem se matar.

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