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Coluna Esplanada

Especialista em monografia, genro de senador é indicado para Anac

Ricardo Fenelon das Neves Junior fez Trabalho de Conclusão de Curso sobre ‘A autorização no transporte aéreo regular’. O estudo, na opinião da presidente, capacita para um dos cargos mais visados de Brasília

Especialista em monografia,  genro de senador é indicado para Anac
Procurada sobre a situação e o contato do indicado, a Anac avisou que ‘não possui informações’ (Foto: ABr)

Uma semana depois de prestigiar o seu casamento numa festa no Lago Sul em Brasília, a presidente Dilma Rousseff descobriu que Ricardo Fenelon das Neves Junior entende tudo de aviação, e resolveu escolher o prodígio para diretor da Agência Nacional de Aviação Civil. Casado com a filha do senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), recém-graduado em Direito, em 2011, na particular UniCEUB, Fenelon fez TCC (Trabalho de Conclusão de Curso, a antiga monografia) sobre ‘A autorização no transporte aéreo regular’. O caso revolta pilotos que criticam a nomeação, em fóruns online. Procurada sobre a situação e o contato do indicado, a Anac avisou que ‘não possui informações’.

Decolou bonito

O estudo de faculdade, pelo visto na opinião da presidente, capacita o jovem para um dos cargos de primeiro escalão mais visados de Brasília.

É o céu

O novo diretor, se aprovado na sabatina no Senado, terá salário de mais de R$ 20 mil, gabinete com assessores e carro com motorista. Além de passe livre nas aéreas.

Taxiando

O outro indicado é José Ricardo Queiroz, especialista em segurança pública. Também é criticado por pilotos por não ser da área, mas participou de debates sobre o setor.

Tá em casa

A regra da Anac é clara: ‘Os diretores serão de reputação ilibada, formação universitária e elevado conceito no campo de especialidade dos cargos’. Genro de político ou não.

Gente, eu existo!

Ex-articulador trapalhão do Palácio do Planalto, o ministro Pepe Vargas (PT-RS), esquecido pelos colegas na Secretaria de Direitos Humanos, tenta uma pauta ativa para apagar a fria em que a chefe o meteu. Pretende uma agenda nacional de viagens, mas por ora não sai de ‘casa’. Participa na segunda de Congresso Sul-Brasileiro dos Conselhos Tutelares em Bento Gonçalves. 

No ar, na terra

Enquanto resolve o futuro do genro, o senador Eunício tem outra dor de cabeça. Continuam acampados em sua mega fazenda, no interior de Goiás, centenas de famílias de sem-terra. A caixinha cobrada pelos acampados é de dar inveja a congressistas.

Celeiro do MST

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias (oi gente, eu também existo!),  testa um modelo sustentável que vai render: acampados produzirem e venderam hortifrutigranjeiros para merenda da rede de ensino público de Estados e municípios.

Boa ideia

Mês passado, a prefeitura de São Paulo encomendou dezenas de toneladas de feijão e milho de um acampamento do MST.

Pimentel contra-ataca

O PT de Minas Gerais, com aval do governador Fernando Pimentel – na mira da PF – sonda especialistas para contra-atacar nas redes sociais sites e blogs que o criticam.

Derrapando

Não é só a Anac – que ainda tem uma vaga de diretor além dos dois indicados – que patina na pista da Esplanada. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) está sem quatro diretores há um ano.

Reforma urgente

A imprensa é o setor que mais sofre com a crise econômica. Dezenas de jornais semanários e diários no interior e até em capitais estão fechando as portas. E não demitem porque não há dinheiro em caixa para pagar os direitos trabalhistas.

Irmandade!

A Faculdade 9 de Julho, de São Paulo, ganhou um presentão do Ministério da Educação no 10 de julho! Ontem saiu no D.O.: o MEC aprovou mais cinco cursos para a instituição, cujos donos são amigos do ministro Edinho Silva.

Mercado do diploma

Em abril a Coluna lembrou o quanto ficou rentável o mercado do diploma pelas faculdades particulares. O poder do MEC há anos aumentou com a prerrogativa da pasta de conceder, ou não, novos cursos para as milhares de instituições do Brasil. 

Cardápio maldoso

Dilma, Mercadante e Lula foram nomes dados, à meia boca, a petiscos no jantar de Eduardo Paes no Rio ontem, para insaciável a bancada ‘aliada’ do PMDB.

Ponto Final 

‘Todas estão completamente em dia. Não há a menor hipótese de serem
afetadas por isso’.

Presidente Dilma, em entrevista a TV russa, sobre as obras no Rio para sediar os Jogos 2016.

 

Com Equipe DF, SP e Nordeste

5 Opiniões

  1. André Luiz D. Queiroz disse:

    Rogério Faria,
    Não concordo que a culpa seja exclusivamente de JK, embora o custo de construir Brasília tenha contribuído para aumentar a dívida pública. Por acaso tivesse a capital da República continuado no Rio de Janeiro, num exercício de imaginação (ou mera especulação): teria o país mantido uma política fiscal saudável, e feitos os investimentos devidos para melhorar nossa competitividade? Receio que não; desde muito antes de Juscelino Kubitschek o Brasil tem uma história de governos clientelistas, com políticas voltadas muito mais à perpetuação do poder de oligopólios do que ao desenvolvimento social e econômico do país…

    Concordo com Elmer Barbosa, de que o isolamento geográfico de Brasília contribui para que as negociatas da política federal tenham menos repercussão — ou melhor, menos publicidade — nos centros econômicos e políticos do país, e isso dá mais ‘margem de manobra’ aos maus políticos para fazerem seus lobbies por mais verbas, mais sinecuras, mais… poder! E a justiça social, o progresso do país, ‘que se exploda’! O Deputado Justo Veríssimo, personagem trágico-cômico de Chico Anísio, nunca foi tão real…!

  2. Rogerio Faria disse:

    A culpa é do JK que endividou (inviabilizou) o País criando essa “Terra da Fantasia”.

  3. Luiz Carlos Braga disse:

    Fenelon está mais pra nome de xarope ou calmante pra quem tem medo de voar do que diretor da Anac.

  4. Elmer C. Corrêa Barbosa disse:

    Estas coisas acontecem porque Brasilia é a maior cidade do sertão de Goias. Lá as coisas acontecem e não repercutem. Com o fim da cornucópia que era a Petrobras, Eletrobras e o cartel de empreiteiras, a maneira de garantir o fluxo de dinheiro para comprar votos é criar cargos e nomear amigos e parentes dos comparsas. A mafia funciona assim até hoje.

  5. Vitafer disse:

    Como vc diz, Leandro, então tá.

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