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FIM DE UMA ERA

Esquerda agoniza na América Latina

Governos de direita em ascensão em vários países latino-americanos anunciam o fim da era esquerdista no continente

Esquerda agoniza na América Latina
No Brasil, Dilma foi deposta, enquanto na Venezuela o governo Maduro balança (Foto: EBC)

A esquerda latino-americana enfrenta tempos difíceis. Na Colômbia, a população rejeitou um pacto do governo com o movimento de guerrilha marxista FARC, dando um claro respaldo à política do ex-presidente Álvaro Uribe, um conservador que se opunha veementemente ao acordo. No mesmo dia, eleitores brasileiros deram ao PT uma ressonante derrota nas eleições municipais.

Trata-se de apenas mais dois fatos que mostram a ascensão da direita na América Latina. Em menos de dois anos, eleitores latino-americanos romperam com o kirchnerismo na Argentina e levaram ao poder Mauricio Macri, um proeminente político de direita. No Peru, o ex-investidor de Wall Street Pedro Pablo Kuczynski foi eleito presidente. No Brasil, parlamentares votaram pelo impeachment de Dilma Rousseff. Já na Venezuela, o governo de Nicolás Maduro balança diante de uma pressão cada vez forte.

Tais mudanças anunciam o fim da era esquerdista no continente. “Para colocar de forma simples, os conservadores estão em ascensão na América Latina”, disse, em entrevista ao New York Times, o professor de Relações Internacionais Matías Spektor, da Fundação Getulio Vargas.

Essa tendência é alimentada por muitos fatores. A queda aguda no preço das commodities minou o crescimento econômico da região e o apoio que os governos de esquerda retiravam desse cenário. A influência política das igrejas evangélicas está crescendo, confrontando as políticas socialmente liberais e canalizando a insatisfação popular com o staus quo.

Isso gerou um efeito dominó, com um país após outro se inclinando a políticas favoráveis ao mercado e abandonando os governos de esquerda que dominaram a região na década passada. No Brasil, por exemplo, o PSDB teve grandes vitórias nas eleições municipais. João Dória, ex-apresentador do reality show “O Aprendiz”, venceu no primeiro turno em São Paulo, a maior cidade do país.

Alguns associam a tendência latino-americana à mesma onda que fez o Reino Unido decidir deixar a União Europeia, ou ao movimento que levou Donald Trump a ter chances de ser eleito presidente dos EUA.

Enquanto a esquerda recolhe seus pedaços na América Latina, alguns analistas argumentam que a ascensão da direita também pode ser um movimento passageiro. “Por enquanto, os partidos de direita e sua agenda política são os mais beneficiados pela desilusão econômica e social da região”, disse ao ‘NYT’ Mohamed A. El-Erian, conselheiro chefe de economia da empresa alemã de seguros Allianz.

Fontes:
The New York Times-Is Leftist Era Fading in Latin America? Ask Colombia and Brazil

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4 Opiniões

  1. Vitafer disse:

    Parece que os frutos estão caindo de “maduros”, k k k k k

  2. Carlos U Pozzobon disse:

    Trata-se de um fracasso anunciado aos quatro ventos. Nenhuma regime populista tem vida longa, a menos que consiga destruir a democracia e implantar uma ditadura baseada na fraude e corrupção como ocorre na Venezuela. Eleger representantes de direita por si só não resolve o problema se eles não fizerem o que tem que ser feito: a heresia impopular de diminuir o tamanho do Estado para aí sim cortar impostos, simplificar a legislação trabalhista e ambiental, e abrir os portos para as nações amigas, atraindo investimentos de longo prazo em todas as áreas, a começar pela infraestrutura. Para isso é preciso reformar o modelo político, redirecionar a educação para o mundo high-tec e combater o regressismo esquerdóide com unhas e dentes.

  3. Beraldo disse:

    Nos 502 anos em que o poder foi exercido no Brasil (colônia, império e república), pelo que se convencionou chamar de direita, não consta que tenhamos tido progresso compatível com o das nações mais desenvolvidas.

    E nos referidos 502 anos, nunca houve um grupo no poder, que de longe se assemelhasse a este que aí está, nos quesitos caráter e moralidade , composto por figuras da pior qualidade.

    Não dá para vislumbrar progresso algum, muito menos tratando os opostos “a ferro e fogo” e privilegiando exacerbadamente o capital, em detrimento da força de trabalho, como evidentemente se está pretendendo.

    O jogo não acabou. Aliás, nunca acaba.

  4. Ludwig Von Drake disse:

    Não são apenas os regimes ou os sistemas políticos que estão errados, é o próprio modelo de Estado que está falido.

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