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POPULISMO

Está tudo errado e já quebrou. Mas não mexe!

O Brasil anda devagar e o futuro é um horizonte que se afasta

Está tudo errado e já quebrou. Mas não mexe!
Preservamos instituições irracionais, verdadeiras usinas de crises que promovem cíclica instabilidade da vida social e econômica (Foto: Flickr)

Difícil entender a conduta de muitos brasileiros. A parcela mais significativa do eleitorado é, historicamente, sensível às mais demagógicas promessas populistas. A biografia de muitos que entraram para nossa história como líderes benquistos e o catálogo de suas principais realizações não resiste ao crivo da relação benefício-custo e ao escrutínio de suas consequências. O Brasil anda devagar e o futuro é um horizonte que se afasta. De Getúlio para cá, incluindo o próprio, o populismo nos presenteou pela urna Juscelino, Jânio, Collor, Lula e Dilma. Não era outro o ânimo dos vices Jango e Sarney. Escaparam-se, em tempos recentes, o saudoso Itamar Franco e FHC em sua primeira eleição como cavalo do comissário de um governo bem sucedido. Já não se diga o mesmo dele em 1998, pois a reeleição enviou às favas os critérios do primeiro mandato.

Recordista mundial em número de sindicatos, o Brasil cria 250 novas organizações desse tipo por ano. Segundo a revista Veja, em outubro do ano passado, havia 16.293 deles, prontos para servir de sinecura a dirigentes e de complicador às relações de trabalho. O motivo pelo qual os temos em tal quantidade (125 vezes mais do que os Estados Unidos e 180 vezes mais do que a Argentina) é o mesmo pelo qual são tantos os nossos partidos políticos. Há muito dinheiro fácil para uns e outros.

“Nenhum direito a menos!”, lia-se em faixa de passeata ocorrida há dois dias em Porto Alegre. “Queremos mais direitos e não menos!” proclamava outra, no mesmo evento. Ora, quem disse que muitos direitos são vantajosos ao trabalhador? Fosse assim, Portugal e Espanha estariam recebendo trabalhadores alemães e ingleses. No entanto, o que acontece é o contrário. Recursos humanos de países super-regulamentados migram para países onde as relações são mais livres. Aqueles têm as economias mais travadas e pagam salários mais baixos; estes são mais ágeis, prósperos e pagam salários mais altos. Li outro dia que na Venezuela, onde a lei proíbe a demissão de quem ganha salário mínimo, os trabalhadores, por motivos óbvios, têm medo de ser promovidos.

Então, o Brasil preserva instituições irracionais, verdadeiras usinas de crises que promovem cíclica instabilidade da vida social e econômica. Cultua leis incompatíveis com o tempo presente como se fossem preciosidades jurídicas e esplêndidas realizações da generosidade política. Mas ai de quem propuser alteração em estatutos anacrônicos como os da previdência social e das relações de trabalho! Mas e o Brasil, deputado? Ora, o Brasil! Empregado tem nome e CPF. A empregabilidade não rende votos e o desempregado não tem sindicato.

A infeliz combinação de populismo, corrupção e leis erradas produziu a recessão, gerou 12,5 milhões de desempregados e derrubou a renda real dos brasileiros. Essa queda, porém, foi muito assimétrica, proporcionalmente maior para que ganha menos, chegando a 100% para o universo dos desempregados. Isso está muito errado!

Sim, mas não mexe, parecem dizer as próprias vítimas do perverso populismo e os eternos incendiários do circo alheio. Assim, o mero futuro já é uma utopia.


Percival Puggina (72) é escritor e autor do blog Puggina.org

5 Opiniões

  1. laercio disse:

    Vamos às coisas em seu devido lugar:
    o povo não sabe votar…Mentira, na verdade não há em quem votar, e, se houvesse, ainda estaríamos sob as amarras do sistema que está algemado pelos tratados internacionais que são grandes impeditivos de quaisquer assuntos prósperos à nação.
    Nossos engravatados fariam melhor uso das mesmas se as usassem como guardanapos pois deveriam trabalhar para libertar o país das mãos dos neocolonizadores internacionais e nacionais (políticos) a seus mandos.
    Se um dia realmente o povo votar as leis através de plebiscitos diretos descobriremos que o carnaval não é tão popular quanto os fazem aqueles reais interessados nos lucros, vejam que estou citando apenas esta “festa”, imaginem os senhores tantas outras coisas por trás dos interesses de uns poucos em detrimento da nação…

  2. Lucinda Telles disse:

    Cavalo do comissário é uma expressão machista. Por ser chula no feminino, ela não pode ser empregada para a Dilma, embora lhe caísse bem.

    A minha diarista não demorou para entender porque que as leis trabalhistas me impediam de contratá-la mais que dois dias na semana.
    – Mas isso tá errado, disse ela.
    – Também acho, disse eu.
    Mas na hora de votar . . .

  3. Áureo Ramos de Souza disse:

    Percival em blog já li e deixei meu comentário, agora em Opinião&Noticia foi bom você ter colocado para que o povo entenda que sindicatos e partidos Políticos não serve para nada, imagine 16.293 sindicatos não é mole, são uns anarquistas e vivem deles como viveu o Lula.

  4. Beraldo disse:

    O autor podia fazer idêntica matéria, sobre os líderes políticos, principalmente ex-Presidentes, não populistas, exibindo o que fizeram de bom para o Brasil que governaram e para o do futuro.

    Estas referências confirmariam as suas afirmações.

    Senão fica o dito pelo não dito, ou “nem sim nem não, muito antes pelo contrário”

  5. RENE LUIZ HIRSCHMANN disse:

    O Brasil nao tem jeito se afasta do futuro a passos largos, a proliferacao de sindicatos, as vantagens adquiridas a politicos, orgaos da justica, funcionalismo publico, orgaos de seguranca faz com que o trabalhador de empresas privadas, os quais sustentam essa maquina falida sofram as consequencias com mau atendimento, falta de infra estrutura e uma aposentadoria para se viver o minimo possivel, nao existe pais no mundo que seja competitivo desse jeito, ao basta ser grande em tamanho, o que falta sao patriotas.

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