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Cúpula das Américas

Estados Unidos têm saldo positivo na Cúpula das Américas

Além do processo de normalização das relações com Cuba e o histórico encontro com Raúl Castro, os Estados Unidos também acertaram os ponteiros do relacionamento com o Brasil

Estados Unidos têm saldo positivo na Cúpula das Américas
No sábado, Obama e Castro realizaram o primeiro encontro bilateral entre dois líderes dos países em mais de 50 anos (Divulgação/Cumbre de las Américas)

A estratégia do presidente Barack Obama de se aproximar da América Latina deu certo na VII Cúpula das Américas. O processo de normalização das relações com Cuba e o histórico encontro com Raúl Castro foram os centros das atenções do evento no Panamá, deixando as críticas às sanções americanas aplicadas à Venezuela em segundo plano. Além disso, Os Estados Unidos também acertaram os ponteiros do relacionamento com o Brasil, a maior economia latino-americana. A informação é do Valor Econômico.

No último sábado, 11, Obama reiterou, em seu discurso, que a política dos EUA para a região se baseia em “parcerias igualitárias”, sustentadas no interesse e no respeito mútuos. “Eu não estou interessado em ter batalhas que, francamente, começaram antes de eu nascer”, explicou.

Diferentemente da cúpula anterior, em Cartagena, na Colômbia, em 2012, quando os Estados Unidos ficaram isolados, e foram criticados especialmente pela política dos EUA em relação à Cuba, neste ano, a reaproximação com a ilha abriu caminho para que a cúpula se tornasse uma oportunidade para Obama de melhorar as relações com os latino-americanos.

No sábado, Obama e Castro realizaram o primeiro encontro bilateral entre dois líderes dos países em mais de 50 anos. Em breve, os Estados Unidos devem retirar Cuba da lista de países que patrocinam o terrorismo. Analistas esperavam que o anúncio ocorresse durante a cúpula, mas isso não ocorreu.

No discurso mais esperado do evento, Castro disse que Cuba vai dialogar com os EUA, apesar de ter feito as tradicionais críticas aos americanos, atacando a criação da prisão de Guantánamo, em território cubano, e o embargo imposto à ilha. Mas poupou Obama, a quem classificou como um “homem honesto”, sem responsabilidade por nada do que havia descrito. A aproximação entre os dois países foi saudada como o grande avanço pelos líderes presentes.

Ainda no sábado, Obama recebeu críticas fortes de países como Equador, Bolívia, Argentina e Nicarágua, por ter declarado a situação da Venezuela como uma ameaça à segurança nacional americana. Durante a semana, o governo americano afirmou que a linguagem era apenas uma formalidade exigida para a aplicação das sanções por acusações de violação aos direitos humanos, e que os EUA não viam o país como uma ameaça. Apesar desse tom conciliador, as tensões causadas pelo decreto americano impediram que a cúpula tivesse uma declaração final.

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, disse, na sessão plenária, que estava disposto ao diálogo, mas acusou os EUA de tentar desestabilizar seu governo e de conspirar para assassiná-lo. Segundo a Casa Branca, Obama reiterou que os EUA não querem ameaçar a Venezuela, e sim “apoiar a democracia, a estabilidade e a prosperidade no país e na região”.

Os ataques não ofuscaram o impacto das negociações entre EUA e Cuba e da melhora das relações do governo americano coma América Latina. Um ponto importante é que a aproximação com os Estados Unidos interessa hoje à maior parte dos países da região do ponto de vista econômico.

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