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Estiagem pode custar R$ 8,5 bilhões aos cofres do Governo Federal

Rio e São Paulo pediram ajuda à presidente de Dilma para realizar obras e solucionar o problema de abastecimento nos dois estados

Estiagem pode custar R$ 8,5 bilhões aos cofres do Governo Federal
Nível dos rios que abastecem o sistema Cantareira segue caindo (Luis Moura/O Globo)

O problema da estiagem deve custar caro aos cofres públicos. Após o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, em reunião com a presidente Dilma Rousseff na última segunda-feira, 10, pedir R$ 3,5 bilhões ao governo para melhorar o abastecimento, o Rio de Janeiro precisará de R$ 5 bilhões para conseguir universalizar o fornecimento de água em todo o estado. A situação do Rio não é tão grave quanto a paulista, mas o reservatório do Rio Paraíba do Sul, principal fonte do estado, já está no nível mais baixo dos últimos 36 anos.

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O investimento de R$ 8,5 bilhões não solucionará os problemas instantaneamente. Em São Paulo, as obras mais simples só devem ser concluídas em 2015, já as mais complexas levarão ao menos três anos. No Rio a previsão de conclusão é apenas 2030.

Segundo o pesquisador do Laboratório de Hidrologia da Coppe, Paulo Carneiro, custo ainda pode subir. Carneiro coordenou o estudo encomendado pelo Instituto Estadual do Ambiente (INEA) que estabeleceu os gastos. O orçamento feito pelo Rio de Janeiro não conta com uma possível transposição para São Paulo, o que aumentaria os gastos.

“O estudo foi feito levando em conta o atual nível de atendimento médio do sistema de abastecimento de água do estado. O investimento médio necessário foi estimado em 5 bilhões. Não leva em conta fatores que possam advir da atual crise que vem enfrentando o estado de São Paulo, como possibilidade de captação da água do Rio Jaguari, no Rio. E também não leva em conta a possibilidade de, no futuro, ser necessária a dessalinização da água do mar” alertou Carneiro.

O dinheiro pedido pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, será utilizado com o objetivo de reduzir a dependência do estado em relação ao sistema Cantareira para o fornecimento de água. Várias intervenções serão realizadas, por exemplo, a interligação do Rio Jaguari ao Atibainha. Segundo Alckmin, em 2017, São Paulo terá o seu oitavo sistema de produção de água, o de São Lourenço, que abastecerá o Cantareira com 4,8m³ de água por segundo graças a um acordo com a União de R$1,8 bilhão.

De acordo com o diretor do Departamento de Hidrologia da Faculdade de Engenharia da Unicamp, Antônio Carlos Zuffo, as medidas adotadas pelo Governador seriam uma solução de longo prazo dando “margem de manobra ao sistema”.

“O resultado não seria sentido em menos de cinco anos. O anúncio é muito mais para mostrar a população e o setor econômico que há uma saída do que realmente resolver a crise imediata”, afirmou Zuffo.

Também estiveram na reunião as ministras do Planejamento, Miriam Belchior, e do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. A presidente Dilma pediu a Alckmin um detalhamento das obras que serão realizadas. O governador apresentará o documento em nova reunião na próxima semana, onde deverá ser decidida a capacidade de investimento do governo federal.

Fontes:
O Globo-Rio e SP precisarão gastar R$ 8,5 bi para garantir abastecimento d'água

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