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Eleições 2014

Estratégias do marketing político

Veja alguns métodos utilizados por marqueteiros para transformar a imagem dos candidatos

Estratégias do marketing político
Giovanni Mileo: é comum os candidatos receberem instruções sobre posicionamento corporal (Reprodução/Internet)

Embora a escolha de um candidato requeira uma boa análise das propostas e do perfil do mesmo, outros fatores influenciam – e muito – na decisão dos eleitores; os marqueteiros políticos exploram, ao máximo, todas as táticas possíveis para angariar votos.

O corpo fala

A linguagem corporal influi fortemente nas relações humanas. “As pessoas escolhem um candidato pela impressão que sua figura passa. Depois, o nosso lado racional justifica essa escolha, tentando achar propostas ou argumentos políticos”, afirma Giovanni Mileo, especialista em linguagem corporal que atua há dez anos com marketing político. Ele explica que é comum os candidatos receberem instruções sobre posicionamento corporal.

Um dos exercícios recomendados é fazer a chamada “posição de super-homem”: mãos na cintura, peito estufado, barriga para dentro e pernas abertas bem plantadas no chão, mantendo os pés paralelos. Se mantida por dois minutos, essa postura faz o cérebro aumentar os níveis de testosterona no organismo – o que eleva o grau de energia e confiança do candidato.

Ao cumprimentar alguém, o aperto de mão é calculado: seis balançadas na mão da outra pessoa. O gesto prolonga o tempo do cumprimento, transmitindo a sensação de que o candidato se importa com a pessoa. Além disso, a saudação tem de ser lateral, já que se o candidato puser a mão por cima, passa a impressão de autoritarismo; por baixo, transmite fraqueza.

A roupa também selecionada com critério. Durante sua campanha, Barack Obama usou gravatas vermelhas e azuis. Segundo alguns estudos, essas cores produzem efeitos bem específicos; o vermelho dá a impressão de força e energia, enquanto o azul passa controle e tranquilidade.

Mesmo com todas essas interferências, a imagem dos candidatos é constantemente alterada no Photoshop.

“Em todo cartaz de político, aumentamos as pupilas no computador, para dar uma sensação de energia e de que o candidato está emocionalmente envolvido”, diz Mileo.

Utilização de homônimos

Muito candidatos não conhecidos pelo grande público copiam os nomes de outros, mais famosos. Nas eleições de 2012, houve 106 “Lulas”, 69 “Dilmas” e 48 “Tiriricas”. Porém, essa tática nem sempre funciona. Segundo a pesquisa CNI/Ibope, 78% dos brasileiros aprovavam a presidente Dilma Rousseff, neste mesmo pleito. Contudo, das 69 candidatas a vereadora que usaram o nome “Dilma” nas urnas, apenas duas se elegeram.

O poder do jingle

Os jingles políticos podem parecer instrumentos ultrapassados, vulgares, sem conteúdo, elaborados para mexer com as emoções dos eleitores. E são exatamente isso. Mas também cumprem outra função muito importante: fixar o número do candidato na mente da população.

“Em geral, as pessoas sabem bem o seu voto para presidente, governador, prefeito. Mas para deputado ou vereador, às vezes o eleitor não se lembra de ninguém e acaba escolhendo na hora, pela música que está na cabeça dele”, explica Nando Pinheiro, proprietário de uma empresa que produz jingles para vários partidos em São Paulo.

Para ele, a escolha do ritmo depende da região do país. No nordeste, por exemplo, quase todos os jingles são feitos em ritmo de forró, xote ou baião. “Já no Centro-Sul, o sertanejo universitário é quase imbatível”, afirma Nando.

Na maioria dos casos, as músicas são composições inéditas. Mas, às vezes, os candidatos fazem paródias de hits populares – adaptando parte da letra à campanha.

“Nesse caso, é preciso fazer um acordo com o compositor, e que a música seja exclusiva de um candidato naquela cidade”, conforme o produtor musical Hermes Negrão, que faz jingles para candidatos em Minas Gerais.

Entre as canções oferecidas por ele para uso nas eleições está uma versão de Lepo Lepo, principal sucesso do Carnaval deste ano. Hermes opina, no entanto, que o melhor jingle brasileiro de todos os tempos não é uma paródia, mas uma composição original: “Lula lá, brilha uma estrela”, escrita em 1989, pelo músico potiguar Hilton Acioli. O hit foi usado por Lula em cinco campanhas à presidência da República.

Manipulação de debates

No Brasil, a manipulação ficou marcada em um debate realizado pela TV Globo. Em 1989, nas primeiras eleições diretas para presidente depois da ditadura militar, o segundo turno era disputado por Fernando Collor e Luiz Inácio Lula da Silva.

Durante o debate entre os dois, Collor recebeu um tratamento especial por parte de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, então diretor da Globo. “Eu achei que a briga do Collor com o Lula nos debates estava desigual, porque o Lula era o povo e o Collor era a autoridade”, assumiu o próprio Boni, numa entrevista concedida em 2011.

Por isso, ele modificou a aparência de um dos candidatos. “Nós conseguimos tirar a gravata do Collor, botar um pouco de suor”, conta. Segundo Boni, a produção da Globo aplicou glicerina no rosto do candidato para fazer parecer que ele estava suando. E, com isso, atenuar seu semblante refinado, aproximando-o do povo.

A emissora admitiu ter recorrido a outro truque no debate; Boni entregou a Collor uma pasta onde supostamente havia documentos que poderiam incriminar Lula, e contou isso aos assessores do petista. Porém, “as pastas estavam inteiramente vazias, ou com papéis em branco”, revelou o diretor na fatídica entrevista, que foi concedida ao Globonews e pode ser vista aqui.

Collor permaneceu com a pasta durante o debate, mas não a abriu. O objetivo era apenas desestabilizar o adversário.

Fingir humildade

Há políticos que fazem de tudo para parecer gente comum. Em 1960, o advogado Jânio Quadros tinha o hábito de deixar caspa nas próprias roupas. Em 1994, Fernando Henrique Cardoso comeu buchada de bode e andou de jegue. Ambos chegaram à Presidência.

Esses artifícios, porém, nem se aproximam do utilizado, neste ano, pelo americano Neel Kashkari, candidato do partido republicano ao governo da Califórnia. Ele, um empresário do setor financeiro, viveu uma semana como mendigo em Fresno (a 300 km de são Francisco).

Kashkari chegou ao local de ônibus, portando apenas US$ 40. Se ofereceu para lavar louças, limpar chão, carregar caixas e cozinhar, mas não conseguiu um emprego. Passou as noites na rua. A experiência foi filmada e transformada em vídeo de campanha.

Fontes:
Superinteressante-6 truques do marketing politico

1 Opinião

  1. Áureo Ramos de Souza disse:

    Só idiotas e pessoas menos preparadas caem nessa, eu não caio nessas dos marqueteiros pois tenho consciência do que ocorre em meu país e o que venho dizendo que beleza não é fundamental, postura isso é negocio para artista e voz bonita só para locutor.Se beleza e boa voz e postura ganhasse eleição Willian Bonner se candidataria e ganharia. Isso não existe. Marqueteiros ganham fortunas dos políticos pois são políticos burros.

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