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CÂMARA

Estreia de Fufuca na presidência da Câmara é marcada por descrença

Em seu 1º dia como presidente interino da Câmara, André Fufuca (PP-MA) é alvo de piadas e tem sua capacidade de comandar a Casa questionada

Estreia de Fufuca na presidência da Câmara é marcada por descrença
Deputados não consideram Fufuca capaz de gerir o trâmite da reforma política (Foto: Agência Câmara)

A estreia de André Fufuca (PP-MA) na presidência da Câmara na última terça-feira, 29, foi tudo, menos tranquila.

Fufuca foi alçado ao cargo interinamente, após Rodrigo Maia (DEM-RJ) assumir a presidência da República por conta da viagem de Michel Temer à China. Inicialmente, o substituto de Maia seria o vice-presidente da Câmara, Fábio Ramalho (PMDB-MG), que não pôde exercer a função porque integra a comitiva de Temer na viagem. Diante disso, a missão foi repassada a Fufuca, o segundo vice-presidente da Casa. Ele deve permanecer no posto até o dia 6 de setembro.

Por conta de sua falta de experiência, Fufuca, que tem apenas 28 anos e está em seu 1º mandato como deputado federal, foi alvo de piadas, foi chamado de “fufuquinha” e “menudo do Maranhão”, foi criticado por ser apadrinhado de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e teve sua capacidade de gerir a Casa posta em dúvida.

O maior questionamento é referente ao trâmite da reforma política na Câmara. Parlamentares da Casa duvidam da capacidade de Fufuca de conduzir a votação da proposta. “O ideal é que fosse o Rodrigo (Maia)”, disse o deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG).

“Se o Rodrigo (Maia), que conseguiu fazer uma grande coalizão, não conseguiu concluir a votação da reforma, imagina o Fufuca”, disse Júlio Delgado (PSB-MG), que no ano passado protagonizou um bate-boca com Fufuca após revelar os estreitos laços do jovem deputado com Cunha.

Fufuca não se deixou abater e disse estar pronto para encarar o desafio “com humildade e pé no chão”. “Para mim o que muda é o posto, mas o ser humano ainda é o mesmo”, disse Fufuca. Durante a tarde, ele recebeu parlamentares no gabinete da presidência da Câmara. Por volta das 18h, foi ao plenário, onde foi cercado por deputados que buscavam breves conversas ao pé do ouvido.

Trajetória política

André Fufuca começou cedo sua trajetória política. Ele é filho de Fufuca Dantas (PMDB-MA), atual prefeito de Alto Alegre do Pindaré, um município de cerca de 32 mil habitantes localizado no oeste do Maranhão. Foi do pai, cujo nome de batismo é Francisco Dantas, que André herdou o apelido “Fufuca”.

Fufuca foi militante do movimento estudantil e se candidatou ao cargo de deputado estadual pelo PSDB em 2010, aos 21 anos, quando ainda cursava o 6º período de medicina. Eleito, ele se tornou o deputado estadual mais jovem do país. Em 2013, ele deixou o PSDB e migrou para o PEN, partido pelo qual disputou as eleições do ano seguinte, sendo eleito pela 1ª vez deputado federal. Em 2016, Fufuca se filiou ao PP, um dos mais importantes partidos do chamado “centrão”. Composto por 13 partidos médios e 220 deputados, o bloco nasceu e cresceu sob a liderança de Cunha. Atualmente, o centrão tem papel crucial em todas as votações no Congresso.

A controversa relação com Cunha

Fufuca chegou à Câmara em 2010 junto com um grupo de jovens deputados eleitos, que foi apelidado na Casa de “menudos”. Sendo o mais novo do grupo e sem aliados, sua primeira ação no Congresso foi se aliar a Eduardo Cunha, que em 2015 assumiu a presidência da Câmara.

A relação entre os dois não se restringia à Câmara. Em 2015, por exemplo, Fufuca foi fotografado ao lado de Cunha em um jogo entre Flamengo e Coritiba, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, junto aos deputados André Moura (PSC-SE) e Hugo Motta (PMDB-PB).

Foi por influência de Cunha e aliados do deputado cassado que Fufuca, mesmo sendo novato, conseguiu chegar ao posto de segundo vice-presidente da Câmara em fevereiro deste ano. Um acordo entre parlamentares determinou que o PMDB ficaria com primeira vice-presidência da Câmara e o PP com a segunda.

Outra polêmica se deu no ano passado, em meio a um acalorado debate no Conselho de Ética da Câmara sobre a cassação de Cunha. Fufuca se enfureceu após o deputado Julio Delgado tornar público o apelido pelo qual ele supostamente chamava Cunha: “papi”. Chamando Delgado de “verdadeiro moleque”, Fufuca negou a afirmação.

“Não queira macular minha imagem pela minha juventude. Vossa Excelência é o exemplo de que até os canalhas envelhecem. Nesta Casa ninguém me viu usar de ato de bajulice, até porque venho de um estado em que usar esse termo ‘papi’ é até afeminado”, disse Fufuca, que posteriormente não participou da votação que cassou o mandato de Cunha.

Fontes:
UOL-No 1º dia à frente da Câmara, Fufuca estuda, sofre piadas e é orientado pela imprensa
O Globo-‘Menudo’ do Maranhão, André Fufuca ganhou projeção na Câmara sob proteção de Cunha

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3 Opiniões

  1. Lucinda Telles disse:

    Injustiça com o “fufuquinha”, ele trás na bagagem uma sólida formação acadêmica, política e administrativa, lá de Alto Alegre do Pindaré.

  2. Rene Luiz Hirschmann disse:

    É preferível o André do que o Eduardo, Renan ou aqueles velhos políticos que emperram o Brasil e só “trabalham” por acordos e conveniências pessoais.

  3. Rogerio Faria disse:

    “Os canalhas também envelhecem.”
    Rui Barbosa.

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