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Estudo alerta para impacto ambiental do gás natural

Novo sistema de detecção de vazamentos sugere que as emissões de gases prejudiciais para o efeito estufa, provinda da produção de gás natural e agricultura, são subestimadas

Estudo alerta para impacto ambiental do gás natural
Medir o gás na atmosfera é relativamente fácil, o difícil é garantir de onde ele vem (Reprodução/Internet)

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Em meio à discussão sobre as reservas de gás natural do Brasil, e especialmente sobre o modo de extração, um estudo da Califórnia mostra que o gás natural talvez não valha a pena, pelo menos do ponto de vista ambiental.

Leia Mais: Brasil pode ter a 6ª maior reserva de gás natural do mundo

Nesta terça feira, 26, a Picarro, uma empresa da Califórnia, publicou um estudo sugerindo que os vazamentos de gás natural e outras atividades humanas podem estar liberando mais metano do que a Agência de Proteção Ambiental (APA, uma agência reguladora do governo americano) pensava. O gás de metano é um dos principais causadores do efeito estufa, e consequentemente do aquecimento global, mas ninguém sabe ao certo quanto metano vaza de poços e dutos de gás natural. O estudo da Picarro é baseado em um novo sistema de detecção que facilita a identificação da fonte desses vazamentos de gás.

A questão atinge diretamente as discussões nacionais sobre a técnica de “fraturamento hidráulico”, o fracking, onde jatos d’ água com diversos produtos químicos  são utilizados para quebrar as rochas, e liberar o principal gás não-convencional, conhecido como gás de folhelho. A prática é proibida em diversos países, como França e Bulgária, porque os produtos químicos podem contaminar lençóis freáticos e até mesmo o ar. Nos próximos dias 28 e 29, o Brasil vai realizar a 12ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, onde serão ofertados 240 blocos exploratórios terrestres com potencial para gás natural em sete bacias sedimentares. Além do gás convencional, o país espera começar a desenvolver o potencial do gás não-convencional.

Gás natural: melhor que o carvão?

A pergunta é se a mudança do carvão para o gás natural, na hora de produzir energia, pode fornecer um benefício real para a redução das emissões de gases de efeito estufa. A queima de gás natural libera cerca de metade do dióxido de carbono da queima de carvão. Mas esse benefício pode não compensar, graças aos vazamentos de metano, um dos principais componentes do gás natural.

O desafio é  a falta de medições detalhadas dos vazamentos de metano. O novo estudo é um dos vários esforços em andamento para reunir mais dados e melhorar as estimativas.  Alguns documentos mostram que as emissões do metano durante a extração do gás natural são muito mais elevadas do que o esperado.

O estudo é baseado em dados de mais de 12 mil medições dos níveis de metano na atmosfera tomadas nos EUA entre 2007 e 2008, justo quando o gás natural começou a se popularizar.  Os pesquisadores usaram dados meteorológicos e outras informações para descobrir as fontes prováveis ​​do metano.

Eles concluíram que as emissões de metano das atividades humanas, como a produção de gás natural e a criação de gado, foram pelo menos duas vezes maior que as estimativas da APA. Em algumas áreas onde a produção de gás natural é alta, as emissões reais eram quase três vezes a estimativa. Os pesquisadores dizem que alguma coisa está faltando nos resultados da APA.

O estudo não é a última palavra sobre o assunto. É relativamente fácil medir a quantidade de metano no ar, porém é difícil determinar a fonte. Mesmo assim, na medida em que mais dados são coletados, podem ser tomadas precauções para reduzir vazamentos, como por exemplo exigir que os produtores de gás natural e distribuidores sigam práticas de segurança específicas.

Fontes:
MIT Technology Review - Measuring the Climate Impact of Natural Gas
Jornal do Brasil-A uma semana da 12ª Rodada, muitos são contra leilão

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1 Opinião

  1. Roberto Santhiago disse:

    E é aí que entram as hidrelétricas, as usinas eólicas e as usinas que aproveitam o movimento das marés. O Brasil, que é o país de maior potencial para o aproveitamento dessas fontes de energia, vive aturdido, constantemente, com ameaças dos “ambientalistas” e “indigenistas” financiados pelos países hegemônicos, para que seja forçado a continuar no marasmo. Agora mesmo, o canteiro de obras da Hidrelétrica de Belomonte está parado outra vez…… em greve. E já estão sendo combatidas, veementemente, as eventuais futuras hidrelétricas, plenamente possíveis de serem construidas na Amazônia (que é a “Jóia da Coroa” para os países do dito “Primeiro Mundo”).
    Acorda, Brasil!!!

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