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Homens acusados de estuprar uma turista americana haviam cometido o mesmo crime com brasileiras sem punição (Reprodução/Internet)
Rio de Janeiro

Estupros em locais públicos expõem divisões de classe

Autoridades parecem mais preocupadas em defender a imagem internacional e as classes privilegiadas da cidade do que em proteger mulheres em geral

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A recente onda de estupros no Rio de Janeiro – alguns capturados em vídeo – lançam luz sobre as contradições não resolvidas de uma nação que caminha para se tornar uma potência mundial. O Brasil tem uma mulher na presidência, uma mulher no comando da polícia e uma mulher como chefe da Petrobras, e, no entanto, precisou que uma americana fosse estuprada em uma van para que as autoridades investigassem a fundo e prendessem os suspeitos no caso.

De certa forma, a experiência do Brasil reflete recentes acontecimentos na Índia e no Egito, onde ataques horríveis provocaram a indignação coletiva, revelando fissuras profundas em cada uma dessas sociedades. No Brasil, os casos de estupro em locais públicos desencadearam um debate sobre se as autoridades estão mais preocupadas em defender a imagem internacional do Rio de Janeiro e seus habitantes mais privilegiados do que em proteger as mulheres em geral.

É talvez paradoxal que o problema tenha surgido com tanta força no Brasil, um país que tem se esforçado para proteger e promover os direitos das mulheres. Há carros especiais para elas nos trens e metrôs, para evitar que sejam agarradas em vagões superlotados. Há delegacias especiais operadas somente por mulheres. E há uma visão geral de que as mulheres são iguais, plenamente capazes de liderar, mesmo nos cargos mais poderosos.

“Estamos vivendo uma situação esquizofrênica, em que avanços importantes foram conquistados, e mulheres alcançam posições de influência em nossa sociedade”, disse Rogéria Peixinho, diretora da Rede de Mulheres Brasileiras, um grupo de direitos humanos. “Ao mesmo tempo, a situação de muitas mulheres pobres permanece atroz.”

De fato, o debate público sobre a série de agressões sexuais no Rio de Janeiro era praticamente inexistente antes de uma estudante americana ser atacada violentamente no final de março, depois de embarcar em um van em Copacabana. A razão, alguns especialistas argumentam, é que as vítimas anteriores eram, em grande parte, pobres, o que reflete uma das lutas duradouras do Brasil: as divisões de classe extremas da sociedade.

 

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  1. Maria disse:

    A reportagem sita 3 mulheres de poder, o que isso significa? Se no Brasil realmente não houvesse a discriminação da população feminina seria impossível (ou desnecessário) exemplos de mulheres com posição de comando e influência. O machismo está arraigado como um câncer expondo-se nas ruas, nas músicas e programas de tv e rádio, nas escolas, dentro e fora dos lares. Um câncer que produz mazelas como humilhações físicas, mentais e econômicas. Será que a política de valorização da mulher está no caminho certo? Somos discriminadas nas ruas, em casa e no trabalho…até em uma delegacia para prestar queixa contra os maltratos somos maltratadas. Até quando?

  2. Isam disse:

    Infelizmente o Brasil é chacota internacional, enquanto os governantes fazem de tudo com as propagandas enganosas, dizendo que fazem, que fizeram, quase tudo mentira. Ora, fazer, para o bem do país e do povo é mais do que normal, é uma obrigação, por aqueles que foram eleitos ou nomeados para cargos públicos para esse fim, tendo em vista que o dinheiro é extorquido do povo. Menos propagandas. queremos mais ação. As milionárias propagandas só ganham aqueles que só apoiam as mentiras dos governantes e dos políticos em geral.. Já passou da hora de o povo se levantar e exigir a saída desses incompetentes e corruptos.

  3. Miguel Meira disse:

    Vote BRANCO, vote NULO nas próximas eleições
    Pare de pagar os IMPOSTOS
    Vá para a RUAS encostar na parede quem faz as leis
    Pena de MORTE já.

  4. Edemar Motta disse:

    Precisamos lutar contra a hipocrisia de leis escandinavas em sociedade equatorial de terceiro mundo. Estuprador, castração física, rápida, barata e eficaz. Estuprador de criança, a mesma pena, mas usando faca cega.

  5. Luiz Franco disse:

    Para entender o estupro temos que pensá-lo como uma estratégia da natureza para romper com estruturas clâmicas muito fechadas, que poderiam degenerar a espécie. O que hoje é um veneno, na orígem dos tempos era o remédio. Lamentavelmente alguns seres humanos insistem em permanecer na idade da pedra.

  6. rogerio disse:

    é um dos crimes tão cantados nas letras de funck Brasil afora… a música é apenas a propaganda que de tanto ser repetida em celulares e carros acaba desenvolvendo na cabeça de alguns a simples pergunta: Porque não fazer?

  7. wandereley f.silva disse:

    POR MAIS HEDIONDO QUE POSSA SER, QUALQUER ADVOGADO DE CURSO VAGO CONSEGUE O HABEAS CORPUS DO ESTUPRADOR NO MESMO DIA DA PRISÃO.
    NOSSO DIREITO OPTA POR UMA PENA EDUCATIVA E NÃO PUNITIVA.
    COMO DIZIA JOELMIR BETTING O BRASIL DEVE ESTAR CERTO E O MUNDO TODO ERRADO.
    SE FOR “DIMENOR” GANHA BOLSA EDUCATIVA,SE DISSER QUE TAVA CHAPADO GANHA UM CONTRATO NA NOVELA DAS OITO..
    ORA!!! SE O BANDIDO ESTUPRAR CRIANÇA A PENA TEM DE SER PERDA PERMANENTE DA VIRILIDADE COM TRATAMENTO COM HORMÔNIO FEMININO.
    CASOS NOTÓRIOS COMO O DO ÔNIBUS E O DO BANDIDO QUE SE PASSOU POR MECÂNICO PERDA PERMANENTE DA VIRILIDADE.
    SENHORES LEGISLADORES APRESENTEM ESTA EMENDA À CONSTITUIÇÃO.
    NÃO VAMOS NO LEMA DO MALUF;- estupra mas não mata. VIXE!!!!

  8. PENSADOR disse:

    DIVISÃO DE CLASSES PARA JUSTIFICAR COMPORTAMENTOS PATOLÓGICOS?
    É QUASE O MESMO QUE DIZER QUE OS ESTUPRADORES SÃO SOMENTE OS POBRES!
    Claro que há mais estupros nas classes menos favorecidas, principalmente pelo fato de que a classe C e D é n, numéricamente, vinte vezes maior
    Estupros há, e muitos, nas ; classes mais abastadas! No entanto, são logo abafados por competentes advogados; Há estupros dentro dos lares mais ricos, talvez em numero maior do que nas classes menos favorecidas já que O PODER ABSOLUTO CORROMPE DE MODO TAMBÉM ABSOLUTO e, para manter as aparências a maioria das queixas não chegam às delegacias;
    AS FAMÍLIAS PREFEREM NÃO SE EXPOR
    ASSIM, SE FOSSE POR DIVISÃO DE CLASSES NÃO HAVERIA ESTUPROS ENTRE MEMBROS DA MESMA CLASSE,