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‘Eu que indico, não o Sergio Moro’, diz Bolsonaro sobre diretor-geral da PF

Declaração sobre possível retirada de Marcelo Valeixo da direção-geral da Polícia Federal é vista como tentativa de enfraquecer Sergio Moro

‘Eu que indico, não o Sergio Moro’, diz Bolsonaro sobre diretor-geral da PF
‘Se não posso trocar o superintendente, vou trocar o diretor-geral’, disse o presidente (Foto: Marcos Corrêa/PR)

O presidente da República, Jair Bolsonaro, tornou a sugerir que pode intervir na Polícia Federal (PF), independentemente do ministro Sergio Moro, da Pasta da Justiça e Segurança Pública – à qual a PF é subordinada.

Nesta quinta-feira, 22, em declaração a jornalistas na saída do Palácio da Alvorada, em Brasília, questionado se pretendia retirar Marcelo Valeixo da diretoria-geral da PF, Bolsonaro respondeu:

“Se eu não posso trocar o superintendente, eu vou trocar o diretor-geral. Se eu trocar hoje, qual o problema? Está na lei. Eu que indico, e não o Sergio Moro. E ponto final”, disse o presidente.

A pergunta remete ao imbróglio entre o Bolsonaro e a PF, iniciado na semana passada, quando o presidente anunciou a substituição do superintendente da PF no Rio, Ricardo Saadi, pelo superintendente do Amazonas, Alexandre Silva Saraiva, afirmando que a troca de Saadi se daria por questão de “gestão e produtividade”.

A declaração pegou a PF de surpresa e gerou desconforto na corporação. Isso porque a saída de Saadi vinha sendo preparada há meses pela corporação. Segundo nota divulgada pela direção da PF, a saída de Saadi se daria, não por questão de “gestão e produtividade”, mas sim a pedido do próprio superintendente. Além disso, diferentemente do que anunciou Bolsonaro, o nome escolhido para substituir Saadi foi Carlos Henrique Oliveira, superintendente de Pernambuco.

Também gerou desconforto o fato de Bolsonaro ter anunciado a substituição como se fosse fruto de uma decisão sua, quando a escolha de superintendentes é, historicamente, uma atribuição do diretor-geral da PF, nesse caso, Mauricio Valeixo.

Segundo noticiou a coluna do jornalista Lauro Jardim, do Globo, a declaração de Bolsonaro surpreendeu Valeixo, que está em Salvador participando de eventos da PF. Valeixo não vai se pronunciar sobre o assunto, mas membros da cúpula da PF, ouvidos pelo jornalista, em condição de anonimato, afirmam que a declaração do presidente foi recebida na PF como uma tentativa  de enfraquecer Moro – que escolheu Valeixo para o cargo de direto-geral da PF.

“Quem nomeia o diretor-geral é o ministro da Justiça. Então, o que aconteceu é mais uma das estocadas do presidente no Sergio Moro”, disse a fonte.

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