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EUA desmentiram informação verdadeira sobre Collor

Ministério das Relações Exteriores mantinha telegramas com confusão diplomática ocorrida após encontro dos presidentes Fernando Collor e George Bush em sigilo

EUA desmentiram informação verdadeira sobre Collor
O Itamaraty preferiu não divulgar textos como telegramas assinados pelo então embaixador brasileiro Marcílio Marques Moreira (Foto: Wikimedia)

Por determinação de uma comissão especial formada por representantes de oito ministérios, um conjunto de 17 documentos, produzidos em 1990, se tornou público. O Ministério das Relações Exteriores vinha mantendo histórias de inconfidências, mal-entendidos e gafes relatadas em telegramas sigilosos. Apesar de o Itamaraty pedir que os papéis, sigilosos por 25 anos, permanecessem outros 25 anos trancados, a comissão especial rejeitou o pedido, indicando que tudo já deveria ser de domínio público.

O Itamaraty preferiu não divulgar textos, como telegramas assinados pelo então embaixador brasileiro Marcílio Marques Moreira, que tratavam da confusão diplomática ocorrida após encontro dos presidentes Fernando Collor e George Bush. Após o encontro, em 30 de setembro de 1990, um assessor de Bush declarou aos jornalistas americanos que Collor não tinha poupado críticas ao Iraque e a seu líder, Saddam Hussein.

Na época, como o Iraque tinha invadido o Kuwait, o Brasil tentava negociar a retirada de mais de cem brasileiros do país, devido ao risco de guerra. As declarações do subsecretário para Assuntos Latino-Americanos dos EUA, Bernard Aronson, foram divulgadas pelas agências internacionais e chegaram ao Iraque, provocando irritação no governo local e também do lado brasileiro.

Marcílio foi se queixar com Aronson, e, segundo o diplomata brasileiro, o americano reconheceu que errou: “Falei demais, me arrependo disso. Devia ter sido mais cuidadoso”, disse o americano. “Desculpe-me por meu erro e gostaria de corrigi-lo. Isso não acontecerá de novo”, prometeu Aronson. Segundo o embaixador brasileiro, Aronson perguntou como poderia reparar o erro. Avisou que o governo brasileiro poderia desmentir a história porque não haveria contestação dos EUA. O subsecretário ainda se ofereceu para falar com jornalistas brasileiros corrigindo uma informação que o telegrama mostra que era verdadeira. E foi o que o americano acabou fazendo.

“Foi uma imprecisão de minha parte”, declarou Aronson à imprensa na época, alegando que Collor e Bush apenas conversaram sobre a situação do Golfo Pérsico e que ambos concordaram com esforços da ONU para resolver problemas na região.

Em março deste ano, a Comissão Mista de Reavaliação de Informações (CMRI), concordou em prorrogar o sigilo de outros 25 documentos, mas pela primeira vez também determinou a desclassificação de 17 textos que o Itamaraty ainda queria manter sob sigilo. No dia 1º de junho, os documentos receberam carimbo de desclassificados e foram liberados. O Itamaraty confirmou a desclassificação dos 17 documentos ultrassecretos produzidos em 1990.

Fontes:
O Globo-Arquivos do Itamaraty: EUA desmentiram informação verdadeira após queixa do governo Collor

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