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RELATÓRIO DO COAF

Ex-assessora de Bolsonaro trabalha como personal trainer

Citada no relatório do Coaf, Nathalia Queiroz era lotada como assessora no gabinete de Bolsonaro

Ex-assessora de Bolsonaro trabalha como personal trainer
Desde 2007, Nathalia (à direita) já passou por vários gabinetes ligados a Jair e Flávio Bolsonaro (Foto: Instagram)

Nathalia Queiroz, filha de Fabrício de Queiroz – ex-assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro – é uma personal trainer de sucesso. Com 15 mil seguidores no Instagram, segundo apurou o jornal Folha de S. Paulo, ela tem fotos na rede social treinando celebridades como as atrizes Bruna Marquezine e Giovanna Lancelotti, e ator Bruno Gagliasso.

As postagens mostram a dedicação de Nathalia ao trabalho como personal, bem como sua paixão pela profissão. O que poucos desconfiam é que ela acumula outra profissão, esta de funções bem indefinidas.

Desde 2007, Nathalia já passou por vários gabinetes ligados a Jair e Flávio Bolsonaro. Em 2007, aos 18 anos, ela era lotada no gabinete da vice-liderança do PP (então partido de Bolsonaro), na época comandada por Flávio, onde permaneceu até fevereiro de 2011. De agosto de 2011 a dezembro de 2016, ela era lotada como assessora no gabinete de Flávio Bolsonaro. Em dezembro de 2016, ela passou a ser secretária parlamentar de Jair Bolsonaro, sendo lotada em seu gabinete até outubro deste ano, com um salário de quase R$ 10 mil reais.

O nome de Nathalia veio a público após aparecer no relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que apontou uma movimentação atípica na conta de seu pai, Fabrício de Queiroz. O relatório apontou que sete servidores que passaram pelo gabinete de Flávio, incluindo Nathalia, realizaram transferências bancárias para a conta de Queiroz.

A movimentação atípica apontou indícios de que os servidores estariam transferindo de volta para o gabinete parte de seus respectivos salários. Tal esquema foi recentemente exposto pela deputada estadual eleita Janaína Paschoal, que apontou que a prática de parlamentares de contratar assessores – fazendo uso de verba parlamentar – para receber de volta parte do vencimento, que é muito acima do valor pago pelo mercado. Segundo Janaína, muitos dos contratados sequer comparecem para trabalhar, pois sua função é apenas repassar parte do salário de volta.

A suspeita é de que este seja o caso de Nathalia, já que tudo indica que sua única profissão era o trabalho como personal trainer, mesmo quando lotada nos gabinetes. Em 2011, por exemplo, ela constava como personal da equipe da academia Bodytech, no Norte Shopping, zona Norte do Rio, contratada em regime CLT. Recentemente, segundo informações do portal Uol, ela dava aulas na academia Iron Box, na Barra da Tijuca.

A jornada de trabalho de assessores parlamentares é de 40 horas semanais. Eles podem trabalhar em Brasília ou no estado de representação do deputado e a frequência é atestada pelo próprio parlamentar.

Uma equipe da Folha obteve o número do telefone de Nathalia e ligou para a ex-assessora para questioná-la sobre o relatório do Coaf, suas funções como assessora e como fazia para conciliá-las com o trabalho de personal trainer. No entanto, uma voz feminina atendeu a ligação, negou se chamar Nathalia e pediu que o contato não fosse retomado.

O número foi obtido com um ex-aluno de Nathalia. Antes da ligação, a foto no WhatsApp veiculado ao número era de Nathalia. Depois do contato, ela foi apagada, bem como o perfil de Nathalia no Instagram e no Facebook.

No último domingo, 9, Jair Bolsonaro foi questionado por jornalistas sobre a função que a filha de Queiroz desempenhava em seu gabinete, mas não respondeu a pergunta. “Pelo amor de Deus, pergunta para o chefe de gabinete. Eu tenho 15 funcionários no gabinete”, disse o presidente eleito.

O caso Walderice

Esta não é a primeira vez que um funcionário lotado no gabinete de Bolsonaro é envolvido em polêmica. Em agosto deste ano, Walderice Santos da Conceição foi apontada como funcionária fantasma de Bolsonaro, na época deputado federal.

Wal, como era conhecida, era lotada desde 2003, como secretária parlamentar no gabinete de Bolsonaro, com um salário de R$ 1.416, mais R$ 450 referentes ao adicional de férias em janeiro e R$ 982 por mês em auxílios, pagos com verba da Câmara.

No entanto, embora tivesse um cargo na Câmara, Wal não desempenhava a função. Ela vivia de vender açaí em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, onde Bolsonaro tem uma casa. O marido de Wal, Edenilson, presta serviços de caseiro a Bolsonaro. Quando o caso feio à tona, Wal foi exonerada do cargo.

“Já foi [exonerada]. Tanto é que acabou o debate, no primeiro dia de Brasília, ela tinha ligado de manhã. Ela está fora. Uma senhora, deve ter uns 50 anos de idade, pobre e vai procurar emprego. Mais uma desempregada no Brasil. Trabalho humilde”, disse Bolsonaro na época, ao ser questionado sobre o assunto.

 

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