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Ex-chefe do Mais Médicos diz ser difícil repor 10 mil vagas

Felipe Proenço de Oliveira diz ser pouco viável que brasileiros ocupem as vagas que ficarão em aberto após a saída dos médicos cubanos

Ex-chefe do Mais Médicos diz ser difícil repor 10 mil vagas
Segundo Oliveira, municípios deixados pelos cubanos passarão o Natal sem assistência básica (Foto: José Cruz/ABr)

Um total de 367 cidades pode ficar sem nenhum médico na assistência básica de saúde por conta da saída dos 8 mil profissionais cubanos que estão deixando o programa Mais Médicos.

A afirmação é de Felipe Proenço de Oliveira, professor de medicina da Universidade Federal da Paraíba e médico que ficou por mais tempo (de 2013 a 2016) à frente da coordenação do programa.

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Oliveira afirmou ser pouco viável que brasileiros ocupem as 10 mil vagas que ficarão em aberto após a saída dos médicos cubanos. Isso porque, além dos 8 mil postos que ficarão vagos com a saída dos profissionais, havia outras 2 mil vagas em aberto.

“São cerca de 8.000 médicos que estão em equipes de saúde da família que cobrem 28 milhões de brasileiros. Sabemos que os brasileiros não vão a essas localidades. Olhando o comportamento de todos os editais, não vejo como seja viável preencher as 10 mil vagas que existem com brasileiros. O que pode acontecer é preencher com brasileiros formados no exterior. Mas aí, pelo que defende Bolsonaro, não tem que fazer Revalida? O tratamento tem que ser igual para todos os médicos formados no exterior. De todo modo, a substituição demora”, avaliou Oliveira.

Segundo Oliveira, tal fato indica que os municípios deixados pelos cubanos passarão o Natal sem assistência de saúde. Oliveira destaca na entrevista que as exigências de Jair Bolsonaro para manter o programa não ocorrem em ouros países.

“Esse formato de recrutamento de médicos em áreas desassistidas, sem exigir a revalidação de diploma, é usado em diversos países, como no Canadá e Austrália, e tem tido sucesso”, explica Oliveira, ressaltando que o Supremo Tribunal Federal (STF) respaldou o ingresso dos médicos cubanos, afirmando ser constitucional a atuação dos profissionais, sem o Revalida (confira aqui a entrevista na íntegra).

 

Leia mais: Saída de cubanos do Mais Médicos afetará 28 milhões de pessoas
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1 Opinião

  1. Eliahu Feldman disse:

    O Dr, Oliveira me parece enganado em sua afirmação que ““Esse formato de recrutamento de médicos em áreas desassistidas, sem exigir a revalidação de diploma, é usado em diversos países, como no Canadá e Austrália, e tem tido sucesso”, pois segundo informações de sites serios, nao é o que consta, como por exemplo:

    New Canadian Immigration Stream For Doctors
    The provinces of Nova Scotia and British Columbia have started a new immigration stream for doctors to migrate to Canada within 5-10 days. There are currently 75 vacancies for family doctors in Nova Scotia.

    However, Nova Scotia currently accepts physicians from 29 jurisdictions, including the UK and USA. “It cuts red tape and paperwork.” Immigration Minister, Lena Diab said.

    Doctors who want to work in Canada must still have a valid job offer in place, i.e a written approved opportunity with the Nova Scotia Health Authority (NSHA) or the Izaak Walton Killam Health Centre as a:

    General practitioner and family physician (under NOC 3112); OR
    Specialist physician (under NOC 3111)
    The candidate must also go through the licensing process with the College of Physicians and Surgeons in Canada.

    Note-se a ultima linha, que afirma inequivocamente que “O Candidato tem que passar tambem pelo processo de licenciamento do Colegio de Medicos e Cirurgiões do Canadá”.

    Não é adequado desinformar o publico…

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