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OPERAÇÃO LAVA JATO

Ex-ministro Delfim Netto é alvo de ação da Lava Jato

Delfim Netto é suspeito de ter recebido R$ 15 milhões em propina por supostas consultorias na construção da Belo Monte

Ex-ministro Delfim Netto é alvo de ação da Lava Jato
De acordo com os advogados, os valores eram referentes a consultorias prestadas (Foto: Flickr/Fecomercio SP)

Ministro no período do regime militar, o ex-deputado federal Antônio Delfim Netto, de 89 anos, é um dos alvos da Polícia Federal (PF) na nova fase da Operação da Lava Jato, deflagrada na manhã desta sexta-feira, 9.

A 49ª fase da operação, batizada de Buona Fortuna, cumpre nove mandados de busca e apreensão, autorizados pelo juiz federal de 1ª instância Sergio Moro, nos estados de São Paulo e do Paraná.

Delfim Netto é suspeito de ter recebido R$ 15 milhões em propina por contratos fictícios de consultoria na construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. Segundo os advogados de Delfim Netto, Fernando Araneo e Ricardo Tosto, os valores que o ex-ministro recebeu eram referentes aos honorários por consultorias prestadas.

Porém, de acordo com os investigadores do Ministério Público Federal (MPF) no Paraná, R$ 4 milhões dos R$ 15 milhões já foram rastreados. O dinheiro teria origem nas empresas integrantes do consórcio Construtor de Belo Monte – Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Odebrecht, OAS e J. Malucelli – e teria sido pago pelo executivo da Andrade Gutierrez Flávio Barra, que revelou a informação em sua delação premiada.

“As provas indicam que o ex-ministro recebeu 10% do percentual pago pelas construtoras a título de vantagens indevidas, enquanto o restante da propina foi dividido entre o PMDB [atual MDB] e o PT, no patamar de 45% para cada partido”, afirmou a Procuradoria-Geral da República (PGR), conforme divulgou o jornal Estadão.

Apesar das acusações de Andrade Gutierrez Barra, que teria transferido o dinheiro a Delfim Netto por sua atuação na formação do consórcio, o advogado Maurício Leite disse, na época, que o ex-ministro sempre prestou consultorias e recolheu os impostos de acordo com a lei. Em depoimento à PF em agosto de 2016, Delfim Netto afirmou que teria recebido R$ 240 mil da Odebrecht, que formou o consórcio Norte Energia, pela consultoria.

Segundo o MPF, “as apurações demonstraram que realmente não foi prestado nenhum serviço pelo ex-ministro às empreiteiras que efetuaram os pagamentos”.

Nova operação

De acordo com o MPF, existem “fortes indícios de que o consórcio Norte Energia foi indevidamente favorecido por agentes do governo federal para vencer o leilão destinado à concessão da Usina Hidrelétrica de Belo Monte”.

As investigações sobre os esquemas de corrupção envolvendo a Usina Hidrelétrica de Belo Monte se originaram em delações feitas por executivos das empresas Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez. Parte das investigações segue com a Procuradoria-Geral da República, enquanto a apuração de fatos ilícitos foi submetida à 13ª Vara Federal de Curitiba.

“Durante a investigação, foram realizadas diversas diligências como afastamento de sigilos bancário, fiscal, telemático e de registros telefônicos, que revelaram a existência de estreitos vínculos entre os investigados e corroboraram com os ilícitos narrados pelos colaboradores. Também compõem o material probatório as colaborações premiadas de executivos da Odebrecht, igualmente remetidas pelo Supremo Tribunal Federal, acompanhadas de diversos documentos que reforçam os indícios de prática dos fatos criminosos”, apontou a PGR.

Segundo a procuradora da República Jerusa Burmann Viecili, que integra a força-tarefa da Operação Lava Jato no Paraná, as provas apontam que o esquema criminoso da Petrobras se expandiu, alcançando a Eletrobrás, “em especial nos negócios relativos à concessão e construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte”.

Mesmo após a Operação Buona Fortuna, as investigações vão continuar na 13ª Vara Federal de Curitiba. A intenção dos investigadores é entender melhor como o esquema de corrupção ocorreu, “especialmente no que se refere aos pagamentos de vantagens indevidas direcionados ao Partido dos Trabalhadores e a seus representantes, assim como em relação a outras empresas integrantes do Consórcio Construtor de Belo Monte que destinaram parte da propina inicialmente direcionada aos partidos políticos para o ex-ministro e pessoas a ele relacionadas”.

Fontes:
Estadão-Delfim Netto levou R$ 15 mi de propina por Belo Monte, diz Lava Jato
G1-Ex-ministro Delfim Netto é alvo de busca e apreensão na 49ª fase da Lava Jato
O Globo-Ao vivo: PF dá detalhes de operação contra Delfim Netto na Lava-Jato

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2 Opiniões

  1. Carlos U Pozzobon disse:

    Delfim é o único sobrevivente da cúpula do regime militar, e já apontado como corrupto naquela época. Ocorre que não havia o MPF como conhecemos hoje, por isso todo mundo se deu bem. Com a PF recebendo instruções diretas do MJ, não havia investigações, embora a imprensa denunciasse seguidamente desvios nas obras públicas. Nos primeiros anos o regime combateu a corrupção instalando IPMs (Inquérito Policial Militar) sempre que houvesse uma denúncia e políticos eram punidos com a cassação de mandatos. Depois o regime perdeu o controle, a partir da criação descontrolada de novas estatais.

    Lembro de um editorial do Estadão dizendo que Delfim tinha levado a bolada de US$30 milhões, mas não recordo mais de que fonte partiu o dinheiro. As acusações atuais devem ser verdadeiras, posto que ele subiu no palanque de Dilma na avenida Paulista para elogiar o governo petista em um comício eleitoral. Estas raposas não fazem estas gentilezas sem receberem nada em troca.

  2. Aureo Ramos de Souza disse:

    Eu acredito que o Delfim te rabo de palha é só futucar que muito vai aparecer.

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