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Drogas

Ex-presidente da Suíça avalia como tímida a atuação brasileira no debate contra as drogas

A economista Ruth Dreifuss é, atualmente, membro da Comissão Global de Política Sobre Drogas

Ex-presidente da Suíça avalia como tímida a atuação brasileira no debate contra as drogas
A economista é atualmente é membro da Comissão Global de Política Sobre Drogas (Reprodução/Wikimedia)

A ex-presidente da Suíça, Ruth Dreifuss, responsável por implantar política inovadora no país, avaliou a atuação do Brasil no debate contra as drogas como tímida. No entanto, a economista, que atualmente é membro da Comissão Global de Política Sobre Drogas, não descarta avanços em direção à descriminalização das drogas. Ela chegou ao Brasil na última quarta-feira, 15,  para cumprir uma agenda relacionada ao assunto.

“Uma sociedade livre de drogas é uma ilusão e é responsabilidade do Estado proteger e apoiar todos, empoderar usuários de drogas, construir o tratamento baseado num contrato terapêutico, sem imposição e sem ter a abstinência como exigência; e manter uma proporcionalidade entre punições, de modo a prevenir a marginalização”, disse em entrevista ao Globo.

Sobre a situação brasileira, Ruth afirma que a voz do país é bastante fraca. “Outros países da Europa e da América Latina são bem mais presentes e influentes. Isso se dá pelo debate interno ainda polarizado.” No entanto, ela afirma que isso não impediu que outros países avançassem na arena internacional, enquanto o panorama interno ainda se encontrava atravancado. “Em certas sociedades, foram as cortes supremas que deram o primeiro passo. O Supremo Tribunal Federal poderia fazer o mesmo no Brasil e tirar o consumo de drogas da esfera criminal. Isso permitiria que o país ficasse mais à vontade no debate internacional”, completou.

Ela diz que os pobres e vulneráveis sofrem as piores consequências do atual regime internacional de controle das drogas. “Indivíduos, comunidades e regiões inteiras vivenciam a violência, a erosão da democracia, a falta de acesso à saúde, incluindo medicamentos para alívio de dor etc. Usar drogas é correr riscos, mas o dano causado por essas políticas meramente repressivas aumentam esses riscos.”

Sobre a forma como os países desenvolvidos e em desenvolvimento podem lidar com as drogas, ela diz que cada um tem prioridades diferentes, contudo, o êxito de tratamentos, de terapias substitutivas inclusivas e de medidas de redução de danos mostra que essas medidas podem ser implementadas por toda parte. “Além delas estarem alinhadas aos princípios de direitos humanos, também economizam recursos que seriam gastos para sanar outras necessidades sociais que surgiriam em sua ausência.”

 

Fontes:
O Globo-A voz do Brasil é bastante fraca no debate mundial sobre as drogas’, diz ex-presidente da Suíça

1 Opinião

  1. André Luiz D. Queiroz disse:

    “é responsabilidade do Estado proteger e apoiar todos, empoderar usuários de drogas, construir o tratamento baseado num contrato terapêutico, sem imposição e sem ter a abstinência como exigência”— Discordo! Embora baseado numa visão pragmática de que uma sociedade livre de drogas é uma ilusão — com o que concordo — propostas de ‘contrato terapêutico, sem imposição’ são excelentes maneiras de jogar dinheiro público fora! Isso seria mais daquela mesma política que já se faz por aqui, no caso do crack: os assistentes sociais dão batidas nas cracolândias, perguntam se alguém quer se tratar nas clínicas de reabilitação, e ninguém aceita…! Isso é ficar enxugando gelo!

    Já com a cocaína e outras drogas ainda mais pesadas (e mais caras), o usuário tem, grosso modo, perfil socioeconômico mais elevado, classe média para cima. E é esse usuário, esse ‘mercado’, o que sustenta toda a indústria da droga, que movimenta fortunas (só o mercado de armas é mais lucrativo que o das drogas…!). Claro, sou leigo no assunto… mas, a meu ver, o caminho mais direto e objetivo para combater o tráfico de drogas não é reprimindo (apenas) o traficante, mas sim o viciado! Sou de opinião que a Lei tem que ser rigorosa no trato do viciado, sim! Prisão, multa, o escambau! E a mídia tem que fazer seu papel, denunciando e execrando a figura do viciado com o mesmo ímpeto que ataca, por exemplo, pedófilos!
    Eu penso assim!

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