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Existe Páscoa sem chocolate?

A alfarroba pode ser uma solução para quem tem restrições alimentares, mas que não quer abrir mão de uma guloseima

Existe Páscoa sem chocolate?
A alfarroba é um fruto de uma árvore nativa da costa do Mediterrâneo, semelhante à vagem do feijão (Divulgação/CarobHouse)

Andar sob um teto de ovos de chocolate pode ser uma rotina saborosa para muitas pessoas na época da Páscoa, mas esta situação pode ser um desafio e um perigo iminente para parte da população. Alérgicos ao leite ou ao glúten, por exemplo, costumam ter dificuldade em achar produtos que não tenham traços dos ingredientes que lhes causam reações adversas. No entanto, a alfarroba, fruto de uma árvore nativa da costa do Mediterrâneo, semelhante à vagem do feijão, pode ser uma alternativa.

Segundo Cláudia Carneiro Hecke Krüger, do Departamento de Nutrição da Universidade Federal do Paraná, a alfarroba pode ser utilizada com vantagens na substituição do cacau em alimentos. A alfarroba conta com altos teores de fibras, alto conteúdo de cálcio e baixos teores de gordura. “Suas fibras são capazes de reter água e esta capacidade pode permitir sua aplicação em produtos de confeitaria e na elaboração de produtos light. Os elevados teores de cálcio da farinha de alfarroba podem ser benéficos aos indivíduos intolerantes à lactose que geralmente apresentam restrição na ingestão deste mineral”, explica. Então, a farinha de alfarroba pode enriquecer a dieta de indivíduos com restrição ao leite e aos produtos lácteos. Além disso, a alfarroba apresenta baixo índice glicêmico. “Alimentos com baixo índice glicêmico podem ser utilizados por indivíduos diabéticos ou em dietas para o controle do peso”, diz.

No entanto, a professora lembra a importância de consultar o rótulo dos produtos de alfarroba. “Indivíduos que possuem necessidades alimentares especiais necessitam observar com atenção o rótulo dos produtos que pretendem consumir”, comenta. “Também temos encontrado pastas de amendoim acrescidas de farinha de alfarroba sendo comercializadas. Estes produtos geralmente contêm açúcar, não podendo ser consumidos pelos diabéticos.”

Segundo Ekaterini Simões Goudouris, diretora da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia do Rio de Janeiro (ASBAI-RJ), a intolerância alimentar é um problema no processo de digestão de um determinado alimento. Quando um indivíduo com intolerância ao leite, por exemplo, ingere este alimento em maior quantidade, ele costuma apresentar sintomas como distensão abdominal, dor abdominal e até diarreia. Já quando tem alergia a algum alimento, isto significa que seu sistema imunológico reage a este componente. Ou seja, ao ingerir qualquer quantidade dele, a pessoa terá reações que podem ser desde uma simples coceira no corpo ou na boca até um quadro mais grave denominado anafilaxia, com dificuldade respiratória, edema de glote ou choque e que pode ameaçar a vida.

Alergias ao longo da vida

Na maioria dos casos, a alergia alimentar  é transitória na criança, enquanto que no adulto, não. Além disso, a alergia pode se desenvolver com o tempo. Segundo Goudouris, o motivo exato para que isso aconteça não é completamente conhecido.  Mas muitos fatores podem contribuir para que haja uma quebra de tolerância e, portanto, o desenvolvimento de alergia a algum alimento, como uma tendência genética, um tipo de alimentação, além do estresse físico e emocional.

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Maria Caroline Magalhães Marques com seu filho André Felipe (Foto: arquivo pessoal)

A diretora diz que é possível que um paciente alérgico ao leite apresente sintomas quando recebe leite materno. “Isso não acontece em todos os casos. Quando ocorre, é recomendado que a mãe faça uma dieta de exclusão do leite de vaca e derivados do leite.” Este é o caso de Maria Caroline Magalhães Marques, de Brasília, mãe de André Felipe de nove meses.

Maria Caroline conheceu a alfarroba há seis meses numa loja de produtos naturais. Ela não pode comer chocolate, porque amamenta seu filho alérgico à proteína do leite da vaca. “Apesar do leite de vaca e dos derivados de leite, que a mãe consome, serem bastante quebrados no organismo dela, algumas dessas proteínas do leite de vaca passam através do leite materno para o bebê. Ele, então, pode desenvolver uma alergia ao leite de vaca, mesmo sem nunca ter tomado outro tipo de leite, senão o materno, como é o caso do meu filho”, explica.

Ela diz que não se preocupa com a infância do filho sem chocolate. “Acredito que comemos e gostamos somente daquilo que provamos e temos hábito de comer em nossas casas. Acho que as crianças levam os hábitos alimentares familiares para sua vida e dão preferência sempre para aquilo que se consome em casa, mesmo quando estão na rua ou na casa de amigos”, diz.

A alfarroba é a principal matéria-prima dos produtos da marca CarobHouse. A formulação otimizada como chocolate alternativo é patente da CarobHouse, ou seja, ela é a única empresa no Brasil que fabrica, com exclusividade, a massa de alfarroba.  A matéria-prima já processada em farinha é importada da Europa (Espanha, Itália e Portugal). Segundo a diretora executiva, Eloisa Helena Orlandi, a ideia de fazer uma espécie de “chocolate saudável”, “veio de uma necessidade pessoal do fundador da CarobHouse, que, por motivos de saúde, começou a desenhar um produto que pudesse atender esse segmento de mercado.” No entanto, o chocolate alternativo tem ingredientes à base de soja, que também pode causar alergia.

Mas é igual ao chocolate?

A aparência e a textura são bem semelhantes ao do chocolate de verdade. “Embora seja importante ressaltar que o sabor difere do sabor do chocolate, as formulações que estão disponíveis no mercado são muito saborosas e, além do sabor diferenciado, agregam as vantagens nutricionais como elevados teores de fibras, baixos teores de gordura, etc”, diz Krüger.

Em relação à saciedade, a professora diz que produtos ricos em fibras aumentam a sensação de saciedade. Já em relação aos agentes estimulantes, tais como cafeína e teobromina, ela diz que a literatura relata que a alfarroba não os possui, e até indica a farinha de alfarroba como um ingrediente a ser usado na elaboração de formulações destinadas a crianças. “Na verdade pode-se dizer que a alfarroba apresenta traços destes alcaloides, em valores pelo menos 50 vezes menores do que aqueles encontrados no cacau. Em relação à feniletilamina, correlacionada com crises de enxaqueca, os teores deste composto presentes na alfarroba são aproximadamente quatro vezes inferiores aos encontrados no cacau”.

A professora comenta que o consumo tem aumentado não só pelos alérgicos, mas também por praticantes de atividade física, pessoas que desejam incluir opções saudáveis em seus cardápios, além de portadores de autismo, que têm adotado dietas isentas de glúten e caseína.

 

Caro leitor,

Você já conhecia os benefícios da alfarroba? Acha que é uma boa opção só para quem tem restrições alimentares ou para a população em geral? Você deixaria de comer chocolate por um semelhante mais saudável?

 

 

 

 

1 Opinião

  1. Áureo Ramos de Souza disse:

    Que a ALFARROBA seja entregue aos ladrões do Brasil pois a palavra parece com ALFARROUBA.

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