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DESINFORMAÇÃO

Fake News, a mentira em primeiro lugar

A disseminação de Fake News é um fato mundial relativamente novo e que vem se expandindo em preocupante progressão

Fake News, a mentira em primeiro lugar
Praticamente todos os partidos postam fakes nas redes sociais com 'verdades' denuncistas (Foto: Pixabay)

Como o Opinião & Notícia vem noticiando, a disseminação de Fake News é um fato mundial relativamente novo e que vem se expandindo em preocupante progressão. Por este motivo, países como Alemanha, Estados Unidos e França – e também o Brasil – começam a lidar com o problema.

Em nosso país, o Tribunal Superior Eleitoral criou um conselho consultivo especificamente projetado para combater a propagação de notícias falsas cujo objetivo é deformar candidaturas e reputações. Reunido esta semana em Brasília, o conselho decidiu procurar os gigantes da área como o Facebook, o Google e o Twitter para buscar mecanismos que ao menos freiem a difusão de conteúdo falso, que ocorre – é bom que se diga – não somente online, mas também nas mídias convencionais. Segundo o secretário geral do tribunal, Luciano Felício, “o foco não é a punição, mas a prevenção”.

Não é que a imprensa brasileira seja especializada na criação de mentiras de forma maldosa e deliberada. O fato é que praticamente todos os partidos postam fakes nas redes sociais com “verdades” denuncistas contra eventuais e possíveis candidatos ou nomes emergentes. É a fogueira do prestígio de quem quer que seja. Ocorre também que alguns coleguinhas da capital federal são tentados a produzir textos baseados nas declarações de fontes palacianas. E palácios não faltam “no planalto central do país”. E, na capital do país, citações e declarações de fontes – grosso modo – não requerem apuração.

Já na Rússia, a coisa é mais séria no regime de Vladimir Putin. Os sites RT e Sputnik, comandados pelo Kremlin, dedicam-se quase que exclusivamente a espalhar falsidades sobre autoridades de estado antagônicas a Moscou. O presidente francês, Emmanuel Macron, por exemplo, é a bola da vez. E não há órgãos que controlem o ímpeto da imprensa marrom comandada por Putin. Mas a União Europeia estuda o assunto com seriedade.

A “barriga” dos jornalistas brasileiros

No Brasil, o jargão jornalístico “barriga” é usado quando uma notícia falsa é divulgada quase sem querer – sem a devida apuração. Ocorre, por exemplo, quando um veículo de comunicação quer divulgar o número de vítimas de um grave acidente e projeta para cima o número de mortos. Tempos depois, acaba sendo obrigado a ressuscitar alguns deles.

Esta semana, por exemplo, a senadora Gleisi Hoffmann produziu com espalhafato – intencionalmente ou não – uma fake news ao divulgar no Twitter que a torcida do Bayern de Munique homenageara o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva em uma faixa com os dizeres “Forza Lula” em função do julgamento a que será submetido no dia 24 deste mês. Na verdade, os dizeres eram “Forza Luca”, um torcedor italiano ferido em confusão entre as torcidas de dois times italianos. Ainda assim, Gleisi não se deu por vencida e atacou os veículos de comunicação brasileiros que notaram o erro. Até que Augusto Nunes, de Veja, foi escalado para espinafrar a presidente do Partido dos Trabalhadores.

O Picasso Falso do INSS

O documentário “Mercado de Notícias”, de Jorge Furtado, aborda o papel e a responsabilidade da imprensa com os fatos e, principalmente, com as mentiras. O filme destaca matéria veiculada pela Folha de S. Paulo em 2004 dando conta que um quadro de Picasso, “Mulher em Branco”, era uma das preciosidades do patrimônio de um escritório do INSS e passava os dias debaixo das luzes florescentes em meio à papelada da repartição. A notícia exclusiva foi publicada em vários jornais e sites – como o Estadão, Isto É, El Siglo, High BeaBeam – serviço de busca que publica matérias de publicações e jornais em todo o mundo – só para citar alguns. Dois anos depois, a mesma obra volta à mesmíssima primeira página da Folha. O prédio do INSS pegou fogo e teve gente que arriscou a própria vida para salvar o Picasso.

Soube-se depois que tal obra era mera reprodução – que pode ser comprada por dez dólares na lojinha do Guggenheim, onde o original está exposto. Os veículos que embarcaram na canoa furada da notícia falsa jamais reconheceram o erro. Pior, nenhum jornalista correu atrás para saber quem deu o Picasso falso como pagamento de dívida com o INSS.

 

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1 Opinião

  1. Markut disse:

    Entre as “barrigas” de antigamente, propositadas, ou não e o fake news atual há uma enorme
    e preocupante diferença, para pior, graças às tecnologias,, cada vez mais invasivas da comunicação
    instantânea.
    Sendo a índole humana sempre a mesma,será indispensavel estabeleceer uma jurisprudência específica,
    a fim de disciplinar e punir este novo “aperfeiçoamento” criminoso e nefasto da sempre insuperavel inventividade humana.

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