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país de poucos leitores

Falta de bibliotecas nas escolas: um reflexo da cultura nacional

Sem espaço para leitura, alunos brasileiros se tornam robotizados, incapazes de desenvolver autonomia para o aprendizado

Falta de bibliotecas nas escolas: um reflexo da cultura nacional
Cerca de 15 milhões de alunos estudam em escolas sem bibliotecas, equipamento básico para a formação educacional (Reprodução/Secom)

A falta de espaços destinados à leitura em escolas brasileiras impede que os jovens desenvolvam gosto pela leitura. No país, cerca de 15 milhões de alunos estudam em escolas sem bibliotecas, equipamento básico para a formação educacional.

Em 2010, o percentual de escolas públicas e particulares com bibliotecas era de 35% no ensino fundamental e 75% no ensino médio. Nos últimos quatro anos foi registrado apenas um ponto percentual de melhora em cada nível de ensino.

Criada em 2011, a lei de universalização das bibliotecas prevê a instalação de bibliotecas em todas as instituições públicas de ensino. No entanto, a lei está longe de ser realidade.

Em 2010, era necessário construir 28 bibliotecas por dia para chegar a 2020 com 100% de cobertura. Dois anos depois esse número subiu para 34. Contudo, de acordo com o Censo Escolar, entre 2012 e 2014, foram construídas apenas 317 bibliotecas em escolas fundamentais e 650 em escolas de nível médio.

Embora seja o estado mais rico do país, São Paulo aparece como o mais carente de bibliotecas: no estado, apenas 433 das escolas de ensino fundamental têm bibliotecas, uma defasagem de 4.455. A rede estadual de São Paulo é a que apresenta o pior índice do país, com apenas 9% das escolas equipadas com bibliotecas.

Reflexo da cultura nacional

Para Ivete Pieruccini, professora do curso de biblioteconomia e coordenadora do laboratório de infoeducação da Universidade de São Paulo (USP), a carência de bibliotecas nas escolas é um reflexo do contexto sociocultural e do sistema de ensino adotado pelo Brasil.

“Nos países anglo-saxões, por razões históricas ligadas à religião e à leitura da Bíblia, o livro é visto como uma fonte de conhecimento e informação, assim como o professor. Aqui nós usamos as bibliotecas para preservação do patrimônio cultural escrito, dentro de uma outra lógica. A biblioteca não é vista como indispensável porque a educação não a incorporou como fonte de informação. O professor é a fonte única, que responde por todos os problemas de preenchimento de conteúdo”, explica Ivete.

Gustavo Gouveia, coordenador da Rede de Bibliotecas do Instituto Brasil Leitor (IBL) diz que a falta de incentivo à leitura atrapalha a formação de autonomia na aprendizagem. “Um aluno sem acesso a uma biblioteca fica impossibilitado de se habituar a esse espaço que concentra informações. Ele vai para a sala de aula, aos laboratórios, sempre coordenado, dirigido”, diz Gouveia.

Afastados do universo da leitura, os estudantes brasileiros enfrentam deficiência que não se resumem à vida escolar, mas sim a toda a sua formação como cidadão.

Fontes:
Revista Educação-Um lugar sem sentido

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