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Favelas ajudam ou atrasam seus moradores?

Pesquisa indica que favelas podem ser uma armadilha maior do que os economistas pensaram

Favelas ajudam ou atrasam seus moradores?
Um estudo mostra que a maioria dos entrevistados em favelas nos anos 60, no Rio de Janeiro, conseguiram sair das regiões (Reprodução/Internet)

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As favelas mantêm as pessoas na pobreza ou as ajudam a sair dessa situação? É uma questão importante. Afinal, um terço da população urbana dos países em desenvolvimento (860 milhões de pessoas) vivem nelas. Mas com poucos dados sobre as favelas e seus habitantes, é uma pergunta difícil de ser respondida. No entanto um estudo recente de economistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) sugere que as favelas agem, muitas vezes, como armadilhas ao invés de trampolins sociais.

Os economistas tendem a acentuar o lado bom da favela. Ao oferecer um ponto de apoio para os migrantes rurais que procuram oportunidades nas cidades, elas são pensadas como patrocinadoras da mobilidade ascendente. Edward Glaeser, economista da Universidade de Harvard, argumenta que as favelas incentivam o empreendedorismo. Elas também costumam ser lembradas por estarem perto dos centros urbanos, e assim dos empregos, o que diminui as horas de transporte entre casa e trabalho, uma grande questão na qualidade de vida nas cidades.

Uma pesquisa no Rio de Janeiro descobriu que a maioria dos moradores de favelas entrevistados em 1969 e novamente em 2001 já não estavam vivendo em favelas. Isso sugere que muitos se mudaram para locais melhores. Outra pesquisa mostra que cerca de um terço dos domicílios em favelas de Nairóbi, no Quênia, tem seu próprio negócio. Ainda assim, em outros locais, a situação parece ser diferente. O residente médio de Kibera, também no Quênia, viveu lá por 16 anos. Cerca de 40% dos moradores de favelas de Calcutá, na Índia, vivem em favelas há mais de três décadas.

No entanto, o estudo do MIT, que oferece estatísticas  sobre 138 mil domicílios em favelas de todo o mundo, sugere que as favelas são muitas vezes um impedimento para o avanço. Falta de higiene e as doenças relativas a isso são um dos maiores problemas. A maioria dos moradores desses locais, não tem banheiros privados, por exemplo. Nas favelas de Mumbai, uma torneira pode ser compartilhada por mais de 100 pessoas. De acordo com o Centro de Pesquisa em Saúde da África, a higiene é regularmente pior em favelas do que nas áreas rurais. Nas favelas de Tongi e Jessore em Bangladesh, 82% dos entrevistados relataram que pelo menos um membro de sua família esteve doente no último mês. A doença, por sua vez, pode significar um desastre econômico: dias ausentes do trabalho e contas médicas caras tornam mais difícil economizar dinheiro e sair da favela.

A questão para os economistas é se favelas são apenas uma expressão do problema mais amplo de pobreza persistente em países em desenvolvimento, ou se elas exercem um efeito negativo sobre os seus habitantes. As evidências estão longe de serem conclusivas. No entanto, o documento do MIT sugere que os economistas são muitas vezes otimistas demais sobre o papel econômico desempenhado por favelas. Mesmo a vida na favela sendo supostamente melhor do que a pobreza rural, resta a dúvida se a favela em si “prende” os moradores numa situação de pobreza.

Fontes:
The Economist- Down and Out

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1 Opinião

  1. Sebastiao sa Silva disse:

    Sempre que escrevo alguma coisa em resposta ao sistema apagam tudo,não interessa ,escrevo no meu mural mesmo.

    Eu estava escrevendo uma nota sobre a proposta de o Conselho Monetário,abrir uma linha de micro crédito para financiar,apartamentos e casa,para facilitar a acessibilidade das pessoas,contudo acredito que o Conselho Monetário,poderia rever a sua posição .Abemos que a questão da acessibilidade e mobilidade é um enigma nas grandes metrópoles,porem precisa levar em conta que a questão da habitabilidade nos grandes centros urbanos ,não se limita somente as áreas que obedecem os padrões urbanísticos de habitabilidade,onde apartamentos e casa andam em conformidade com as legislações urbanísticas.Existem as Cidades Invisíveis,onde geralmente o poder público pouco investe em acessibilidade e mobilidade,como se não bastasse as casa não obedece padrões em conformidade com as legislações urbanísticas,já que moradores destas áreas ,são considerados moradores de áreas de riscos geológicos e outros.Agora,nem por isto podem ficar de fora de uma proposta que poderiam de alguma forma melhorar a sua qualidade de vida.No meu ponto de vista ,não podemos e não devemos ter uma cidade partida,onde os projetos .

    urbanísticos são elaborados somente para a cidade visível.

    A esquerda do vídeo Comunidade,Morro ou favela da charita [Niterói,a direita Andaraí[RJ],com as mesmas observações.ver:https://www.facebook.com/sebastiaodasilva.silva?ref=tn_tnmn

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