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Falta de hotéis

Favelas e motéis do Rio pretendem lucrar com hospedagem durante a Copa

Aproveitando a carência do setor hoteleiro da cidade, moradores das favelas cariocas e motéis do Rio vão alugar quartos para os turistas estrangeiros que virão para o evento

Favelas e motéis do Rio pretendem lucrar com hospedagem durante a Copa
Crise e oportunidade: o que para o setor hoteleiro é um problema, para os moradores das favelas da cidade é lucro (Reprodução/NYT)

Às vésperas da Copa do Mundo, o Rio de Janeiro, sede da final do campeonato, atravessa um período de carência de quartos de hotéis.

A cidade tem apenas 55.400 quartos de hotéis para atender a uma demanda estimada de 300 mil turistas. A falta de quartos disponíveis fez o preço da estadia subir para uma média de US$ 450 por noite durante o evento. Segundo as agências de turismo da cidade, o valor é o dobro do preço cobrado normalmente.

O secretário nacional de políticas de turismo, Vinícius Lummert, estima que 151 mil estabelecimentos no Rio serão usados para hospedagem, incluindo residências privadas, albergues e até mesmo motéis. Dos 80 quartos disponíveis no motel Villa Régia, na zona portuária, 51 foram adaptados para serem quartos normais durante a Copa, sem espelhos no teto ou banheiras hidromassagem. Contudo esses estabelecimentos irão competir com os quartos oferecidos pelos moradores das favelas cariocas.

O que para o setor hoteleiro é um problema, para os moradores das favelas da cidade é uma grande oportunidade: eles estão alugando quartos para os turistas estrangeiros que virão para o evento.

Moradora da Rocinha, Maria Clara dos Santos quer aproveitar a oportunidade. Ela pretende cobrar US$ 50 por noite em um dos três quartos de sua casa. O objetivo é receber até 10 turistas. A infraestrutura do local nem de longe se compara aos extravagantes hotéis da cidade, mas a bela vista compensa parte do problema. “Nós oferecemos um calor humano e uma originalidade que os demais hotéis não têm”, diz Maria.

A ideia agradou os turistas aventureiros, que, ignorando o recente aumento da violência em favelas pacificadas, decidiram alugar quartos nos locais menos glamourosos da cidade. “Eu queria conhecer a cidade, que é o coração do Brasil, além da fachada”, disse o americano Isom Hightower, que trabalha no setor de aviação, em entrevista ao New York Times. Ele vai pagar US$ 11 por noite em um beliche de uma casa na Rocinha.

Os investidores estão de olho nessa procura por quartos em favelas. Alguns estão comprando casas nesses locais para transformar em sofisticadas pousadas destinadas a turistas. “Em 10 anos, esses locais serão como as vilas do Mediterrâneo”, diz Cello Macedo, investidor de São Paulo que comprou uma casa no morro do Vidigal para transformar em pousada.

Fontes:
The New York Times-Now Taking World Cup Bookings, Rio’s Slums

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1 Opinião

  1. Áureo Ramos de Souza disse:

    E eles estão errados? irão alugar seus albergues e seus quartos, mais a segurança é do governo.

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