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SAÚDE

Febre amarela: pior para os macacos

Contagem de animais mortos pelo vírus pode chegar aos milhares

Febre amarela: pior para os macacos
O índice de causalidades é bem maior entre os macacos do que entre os humanos (Foto: Wikimedia)

Cientistas e primatologistas dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo se surpreenderam com o volume de corpos de macacos bugio – ou Alouatta – que encontraram este ano.  O motivo, eles desconfiam, é a febre amarela.

Sérgio Mendes, um primatologista da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e seu time encontraram cerca de 900 corpos só em 2017. Em um ano típico, Mendes esperaria encontrar meia dúzia de corpos no mesmo período.

É fácil imaginar que a febre amarela, uma doença viral transmitida por mosquitos, seja uma doença que afeta apenas os humanos. Mas a epidemia que assola o Espírito Santo e Minas Gerais e partes de outros estados está afetando muito mais os macacos que as pessoas. Eles, sem dúvida, estão sofrendo mais.

A ideia de que animais selvagens são reservatórios de patógenos que infectam humanos é bem conhecida, mas pouco estudada. A epidemia de febre amarela no Brasil é uma oportunidade para melhor entender o tráfego patogênico bidirecional envolvido, além do fato de que epidemias podem prejudicar outras espécies além dos humanos.

A febre amarela mata cerca de meia dúzia de pessoas por ano no Brasil. Comparativamente, a dengue mata entre 300 e 800. Depois da campanha de vacinação de 1930, o último caso do ciclo urbano – quando a transmissão é feita por um mosquito que pica alguém infectado e transmite o vírus para outra pessoa – de febre amarela no país foi em 1942.

De acordo com Sérgio Mendes, a febre amarela pode eliminar de 80% a 90% da população de macacos que não têm imunidade contra o vírus, como é o caso dos primatas nos estados citados acima. A contagem de animais mortos pelo vírus, ele acha, pode chegar aos milhares.

Nos humanos, foram 371 casos desde dezembro passado, um terço dos quais fatais. O motivo é similar à causa de morte dos macacos: falta de uma resposta imunológica apropriada.

Fontes:
The Economist-An outbreak of yellow fever in Brazil

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