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‘ENVIO-LHE UM SOS’

FHC pediu a Odebrecht doações para campanhas do PSDB

Em mensagens encontradas pela Polícia Federal, FHC solicita doações para campanhas de tucanos ao Senado em 2010 que não constam na prestação de contas eleitoral

FHC pediu a Odebrecht doações para campanhas do PSDB
Informação foi revelada pela revista ‘Veja’, que teve acesso às mensagens (Foto: Renato Araujo/ABr)

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso pediu diretamente ao empresário Marcelo Odebrecht doações a candidatos do PSDB nas eleições de 2010. As informações foram reveladas na última quarta-feira, 6, pela revista Veja, que teve acesso a e-mails trocados entre Odebrecht e FHC em 2010. As mensagens são investigadas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Lava Jato.

Nas mensagens, FHC solicita ao empresário auxílio financeiro para as campanhas dos tucanos Antero Paes de Barros e Flexa Ribeiro, que, respectivamente, disputavam uma vaga no Senado pelos estados do Mato Grosso e do Pará.

“Meu caro Marcelo: Recordando nossa conversa no jantar, envio-lhe um SOS. O candidato ao senado pelo PSDB, Anrtero [sic] Paes de Barros, está em segundo lugar. Seria possível ajudá-lo? Seria possível ajudá-lo? Envio abaixo os dado [sic] bancários: Eleição 2010, Antero Paes de Barros Neto -senador, Banco do Brasil, agência 3325-1, conta corrente 31801-3, CNPJ 12189840/0001-23”, escreveu o ex-presidente, em mensagem enviada em 13 de setembro de 2010.

Marcelo Odebrecht responde afirmando ter solicitado “que fosse feito o apoio a Antero” e confirma a informação em outro e-mail, enviado no dia seguinte. “Presidente, já solicitei que fosse feito o apoio ao Antero. Vou pedir para verificarem sua disponibilidade para lhe apresentar um balanço”, escreveu Marcelo Odebrecht.

Semanas depois, em um e-mail cujo assunto era “O de sempre”, FHC inclui o pedido de dinheiro para a campanha de Flexa. A mensagem foi envida a Marcelo Odebrecht e ao empresário Benjamin Steinbruch. “Estimados amigos: desculpem a insistência e nem mesmo sei se já atenderam o que lhes pedi, mas olhando o quadro geral, há dois possíveis senadores que precisam atenção: 1. Antero Paes de Barros, de Mato Grosso; 2. Flexa Ribeiro, do Pará. Ainda há tempo para eles alcançarem, no caso na verdade é manterem, a posição que os leva ao êxito”, escreveu FHC.

Nenhuma das doações feitas pela Odebrecht consta na prestação de contas eleitoral de Antero Paes de Barros, que foi senador entre 1997 e 2006, mas não conseguiu retornar ao Senado no pleito de 2010, ou de Flexa Ribeiro, que foi eleito naquele ano é até hoje ocupa o cargo de senador.

FHC foi citado na delação premiada de Emílio Odebrecht, pai de Marcelo Odebrecht, que relatou pagamentos de caixa dois ás campanhas de FHC à presidência da República nos anos de 1993 e 1997. Segundo a Veja, em julho de 2017, a Justiça Federal de São Paulo arquivou a investigação sobre as acusações de Emílio Odebrecht contra FHC.

As mensagens, encontradas na caixa de e-mail de Marcelo Odebrecht, foram anexadas na última terça-feira, 5, a um dos processos da Operação Lava Jato contra o ex-presidente Lula.

FHC afirma que pedido foi legal

Inicialmente, a assessoria de FHC informou que o ex-presidente se recupera de uma internação para tratar um problema no intestino e não comentaria o caso.

Porém, na noite da última quarta-feira, 6, a assessoria divulgou uma nota onde o ex-presidente afirma que o pedido feito a Marcelo Odebrecht foi legal. “Posso ter pedido, mas era legal. Não se deram e não foi a troco de decisões minhas, pois na época eu estava fora dos governos, da República e do estado”, informou FHC.

Por meio de sua assessoria, Antero Paes de Barros informou que não recebeu ajuda financeira da Odebrecht em sua campanha de 2010 nem teve contato com representantes da empreiteira naquele ano. Também através de sua assessoria, Flexa Ribeiro disse que desconhece o pedido de ajuda e negou ter recebido doações da Odebrecht em 2010.

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