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Meio ambiente

Fim da pororoca pode ser irreversível no Amapá

Fim do fenômeno estaria atrelado à ação da pecuária e à construção de hidrelétricas

Fim da pororoca pode ser irreversível no Amapá
Acima, imagem mostra o curso do rio em 2013, em azul. Abaixo, imagem de 2014 mostra o assoreamento do rio no trecho destacado em lilás (Foto: Reprodução/Base Cartográfica)

Apesar do Ministério Público Federal e de órgãos ambientais do Amapá estarem investigando maneiras de fazer com que o estado tenha suas famosas ondas de volta, muitos especialistas dizem que o sumiço da pororoca é irreversível. A pororoca é um dos fenômenos naturais mais conhecidos do Amapá, caracterizado por ondas formadas pelo encontro das águas do rio Araguari com a do oceano Atlântico. Segundo a Agência Amapá, o último registro aconteceu em 2013.

O que causou o fim da pororoca?

Segundo especialistas, as prováveis causas para o fim da pororoca são a soma de três fatores: a construção de três hidrelétricas no rio Araguari, a abertura de canais para levar águas a fazendas e a degradação causada pelo pisoteio de búfalos na região.

De acordo com o Instituto Chico Mendes (ICMBio), a pecuária foi a responsável pela perda de força do Araguari por causa de canais que foram abertos no curso do rio. As valas fizeram a transposição da água e secou a foz. Alguns canais abertos têm até 350 metros de largura, maior que alguns trechos do próprio rio. No entanto, a Federação de Pecuária do Amapá avalia que as três hidrelétricas é que são responsáveis pela degradação do rio. Duas delas estão em operação, enquanto a outra está em construção.

Agora, o Ministério Público Federal apura a responsabilidade dos pecuaristas da região e do Estado em relação ao impacto ambiental. O levantamento tem como base um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), assinado em 2010 entre os fazendeiros da região e o Instituto Chico Mendes da Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que estabelecia que os fazendeiros deveriam cercar suas propriedades para evitar a criação desordenada dos animais.

Já o governo do Amapá informou que vai enviar pesquisadores da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), Instituto de Meio Ambiente (Imap) e Agência Nacional das Águas (ANA) para a foz do rio Araguari para coletar dados das possibilidades reais do que teria causado o fim da pororoca, além de procurar alternativas para o retorno do fenômeno.

 

Fontes:
G1-Fim da pororoca em rio do Amapá é irreversível, avaliam especialistas
Agência Amapá-Governo destaca pesquisadores para estudar alterações do Araguari e na pororoca

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