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Fim do acordo nuclear com o Irã prejudicaria os EUA

Defendida pelo novo Secretário de Segurança Nacional, John Bolton, medida pode desencadear uma guerra e ameaçar a relação dos EUA com aliados

Fim do acordo nuclear com o Irã prejudicaria os EUA
Danos que isso causaria à reputação dos EUA iriam muito além do Oriente Médio (Foto: John Bolton/Gage Skidmore)

Meses atrás John Bolton era um falcão de asas cortadas. O ex-embaixador dos EUA na ONU e entusiasta da invasão americana ao Iraque resmungava que a atual equipe da Casa Branca estava bloqueando suas tentativas de apresentar ao presidente Donald Trump seu plano para eliminar o acordo nuclear com o Irã firmado em 2015, pelo ex-presidente Barack Obama.

Não mais. Em 9 de abril, Bolton, cujo bigode de morsa e postura verborrágica mascaram um talentoso burocrata, se tornará o Secretário de Segurança Nacional dos EUA. Isso significa que o acordo feito para impedir o Irã de desenvolver armas nucleares está com os dias contados. Isso é uma notícia ruim para o Oriente Médio, os aliados americanos e para os Estados Unidos em si.

Há tempos Trump classifica o pacto com o Irã como “o pior acordo de todos”. Mesmo assim, a cada 120 dias o presidente americano tem de assinar um documento confirmando a suspensão das sanções ao Irã – uma forma dos EUA mostrarem que estão honrando sua parte no acordo. Em paralelo, aliados europeus dos EUA apontam relatórios da Agência Internacional de Energia Atômica que mostram que o Irã também está cumprindo sua parte.

Trump acusa o Reino Unido e a França de apoiarem o acordo nuclear porque o comércio com o Irã gera renda para seus governos. Seu novo Secretário de Estado, Mike Pompeo, compartilha desta visão. E Bolton defende que somente o uso da força militar pode impedir o Irã de desenvolver armas nucleares letais.

Se Trump colocar tais visões em prática descobrirá que seus aliados europeus estavam certos: não há alternativa melhor ao acordo nuclear. As chances de o Irã concordar com termos mais rígidos são mínimas. Políticos linha-dura iranianos farão troça de seus colegas que tentaram dar uma chance à democracia.

Os danos que isso causaria à reputação dos EUA iriam muito além do Oriente Médio. Por que a Coreia do Norte, por exemplo, concordaria com algum acordo diplomático para suspender seu programa nuclear se, no futuro, o pacto pode ser simplesmente rasgado pelo presidente americano? Também haveria uma desconfortável mudança nas relações com os aliados da Europa, que acabariam se aliando à China, Rússia e Irã contra os EUA. O retorno das sanções americanas ao Irã forçaria empresas europeias a escolher entre os mercados americano e iraniano. E acima de tudo: o Irã pode deixar o acordo, o que estimularia a instabilidade e uma corrida armamentista nuclear no Oriente Médio.

Tudo isso deixaria os EUA sem nenhuma opção a não ser bombardear instalações nucleares no Irã. Isso de tempos em tempos, já que bombardeios aéreos não podem destruir capacidade de desenvolvimento. Com um falcão como Bolton ao lado de Trump, a expectativa é que haja muita conversa sobre os EUA buscarem a paz através do uso da força. Porém, eliminar o acordo nuclear com o Irã arrisca desencadear uma guerra e enfraquecer os EUA.

Fontes:
The Economist-Scrapping the Iran nuclear deal will harm America

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